Espaço Séries

Shameless US (1×07)

Para quem nunca viu Shameless definitivamente não sabe o que está a perder, só pelas publicidades já prometia ser uma grande série, cheia de momentos divertidos, que com certeza deixam os espectadores agarrados à televisão, e com personagens completamente cativantes. Para quem não conhece, vale a pena ver, experimente ver o piloto! (vai ver que depois vai ter a necessidade absoluta de continuar a acompanhar esta série adaptação de um sucesso britânico!).

Este episódio não foi diferente, prendeu-me desde o primeiro minuto. E quando eu digo primeiro minuto não é uma hipérbole, é mesmo desde 0 primeiro minuto. É assim, Shameless tem um começo diferente de todas as séries, invés do habitual “Previously on...” normalmente esta série tem um dos personagens a introduzir o episódio. Desta vez foi Emma Russom na casa de banho dizendo “Jesus, I’m raising five kids and I didn’t miss last week, what was your excuse?” (algo como: Eu estou a tomar conta de cinco crianças, e não perdi o episódio da semana passada, qual é a tua desculpa?) e automaticamente estamos envolvidos no episódio, juntamente com a abertura, música “The Luck you got” dos The High Strung, com todas as personagens a entrar na casa de banho (sim, a casa de banho tem um grande significado nesta série). Uma abertura que pode ser consultada no youtube, e com certeza adorada. Uma coisa que me faz uma certa confusão é ninguém naquela casa de banho lavar as mãos, mas… vamos ignorar o facto.

Todos os episódios têm algo em comum, normalmente acontece um fiasco (que envolve sempre Frank Gallagher, o pai bêbado e maravilhosamente interpretado por William Macy – nomeação para Emmy, por favor -, de alguma maneira) e a família tenta resolver o problema com esquemas que não passam na cabeça de ninguém (e é isso que torna a série tão fantástica). E este episódio não podia ser diferente. Porquê decidi fazer uma critica ao episódio, então? Porque foi sem qualquer sombra de dúvidas o melhor episódio de Shameless até então. Por isso, se ainda não viu, e pretende ver, pare a critica por aqui, imediatamente!, e vá ver a série desde o inicio. Se já viu, ou quer saber o que aconteceu, continue a ler, por favor.

 

 

 

Desta vez (quase) todos os personagens tiveram uma história no episódio, Frank continua tendo problemas com dinheiro que deve, tendo a sua cabeça enfiada numa sanita pelos seus perseguidores (um deles é o actor que tanto conquistou o público como T-bag em Prison Break), e como tal teve a excelente ideia de se fingir de morto, fazendo toda a família planear um funeral falso, com Frank a fingir de morto com um tranquilizante de cavalo (gentilmente arranjado por Veronika Fisher). O discurso do funeral foi fantástico, pondo Frank como um pai e marido exemplar, que vai ser relembrado por todos como uma boa pessoa (tudo o que Frank não é!), e acabou com os desejos que Frank tenha tudo aquilo que deu à sua família como recompensa na morte. Se isto fosse verdade, Frank iria ter uma reserva no quarto mais requisitado do inferno. Neste episódio ainda descobrimos que Frank usa o nome dos filhos mais novos para comprar drogas, ir a clubes de strip, comprar bebida, e como tal deixa nos filhos uma despesa enorme (é tão um pai exemplar, não é?). Os Gallaghers a mentir para conseguirem safar-se é sempre divertido, e não vemos o tempo passar neste episódio. Frase que marcou esta sequência de cenas? “Show of hands: how many of you at one point or another wanted to see me dead? Here’s your chance!” (“Levantem as mãos: quantos de vocês a alguma altura da vida quiseram ver-me morto? Esta é a vossa oportunidade!”) por Frank Gallagher.

Paralelamente, tivemos um desenvolvimento na história de Ian Gallagher (Cameron Monaghan) e do seu amante masculino, muçulmano, que devido aos assaltos à loja, tiveram a sua vida complicada porque a mulher de Kash instalou câmaras de vigilância em todo o perímetro. Claro que os dois amantes homossexuais não iam deixar de … se divertir … e arranjaram um esquema de mudar uma das câmaras de ângulo de visão. No entanto este plano não foi assim tão bem sucedido, e Linda apanhou-os à mesma. Quando pensámos que ia haver tiros depois do último episódio, a condição da mulher de Kash para continuar o casamento foi exigir mais um filho a Kash, e que até estar grávida, Kash não podia… tocar… em Ian. Bem, shameless, ne?

 

 

 

Mas a história de um dos irmãos Gallagher não acabou por aí. Decidido a vingar-se do assaltante da loja, e a recuperar a arma roubada por Mickey, Ian luta com Mickey no quarto, e eu (sem bem saber porquê) já calculei como é que aquela briga acabaria… não foi em maus lençóis, mas… debaixo dos lençóis! Não é segredo nenhum que a relação Kash/Ian não vai durar muito tempo (apesar de por um lado a relação com Kash nos render frases como “Tell Kash I’ll take it in the ass if he gets me free stuff.”, não vou traduzir!, que são sempre uma comédia!), Kash é uma personagem desinteressante e mais cedo ou mais tarde vai ficar para trás, e Mickey/Ian parece-me muito mais promissor (mesmo com Mandy, melhor amiga de Ian, a desenvolver um interessante em Ian).

Na vida da irmã mais velha, Fiona Gallagher, as coisas correram também na melhor direcção, com Steve a conseguir tirá-la de casa para um hotel. Já que falamos de Steve, aproveito para dizer que o actor Justin Chatwin, não me cativa pessoalmente devido a não ser muito bom actor, falta-lhe um pouco de sinceridade, falta-lhe viver a cena, e ao pé de Emma Russon (fantástica) está claramente apagado, no entanto (e até eu não compreendo) gosto da relação/química de Fiona e Steve, a minha esperança é que a representação de Justin Chatwin melhore um bocadinho ao longo da série (e que a série viva muitos mais anos). De recompensa, tivemos uma cena… sensual… entre Fiona e Steve na piscina, nus! Para quem, mesmo assim, acho que está série não vale a pena: Nem que seja para ver Emma Russom e Justin Chatwin, nus, … Continuando, tivemos assim um desenvolvimento na relação das personagens que acabou com o “I love you too” de Steve em resposta ao “F*ck You!” de Fiona.)

 

 

 

Outro ponto alto, na minha opinião, foi ver Sheila Jackson, magnificamente interpretada por Joan Cusack –EMMY por favor -, a cuidar do bebé Liam. Tivemos frases como: “Which one do you like better: the baby, or the whore?” a apontar para um boneco e uma barbie. (Qual é o que preferes? O bebé, ou a prostituta?) E o bebé Liam, que seguindo os passos do pai, escolhe a barbie. Para quem não sabe Sheila tem uma doença psicológica, uma espécie de fobia de sair de casa, e tivemos a oportunidade de ver o que ela sente ao abrir a porta, quando Liam fugiu para a rua. Ver Sheila ultrapassar o seu medo e amarrar-se com lençóis às escadas até conseguir caminhar até o bebé e voltar com ele para casa, fez crescer a minha admiração pela personagem e pela actriz que, como era de esperar desde o piloto, fez um trabalho fenomenal.

Finalizando, um episódio que mereceu sem dúvida uma review, com uma série cheia de personagens e actores brilhantes (excepção: Justin Chatwin) e que merece todas as apostas, comentários e críticas neste meu Espaço Séries.

Categorias
Espaço Séries

Comentários