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Entrevista a António Medeiros

Trago-vos hoje um promissor talento na fotografia. Jovem, de 17 anos e com o futuro pela frente, as criações de António Medeiros transpiram sentido de oportunidade e uma forma muito própria de ver, encarar e criar Arte.

Apesar de amador, António trabalha como um verdadeiro profissional, as suas obras contam com uma produção criteriosa onde nenhum detalhe é deixado ao acaso. Desde a iluminação, ao cenário e ao styling, tudo é planeado e cuidado para que quando o flash dispara tudo esteja como planeou.

Afim de dar a conhecer aos meus leitores um pouco mais do homem por trás da câmera decidi realizar uma pequena entrevista ao próprio.

— INÍCIO —

– António, como surgiu esta paixão pela fotografia?

Desde pequeno que me entusiasmo com a Arte e em especial com a fotografia, mas até aos 14 anos a confiança que tinha na Arte era praticamente nula. Sempre me disseram que não dava para viver e que era um mundo demasiado difícil. E na realidade é, mas nada que a força de vontade não vença!

O fascínio era imenso. Todas as capas de revista que via por aí, todos os anúncios publicitários, todas as exposições que via por aí e todos os trabalhos que via dos meus fotógrafos favoritos faziam-me vibrar.

Acho que é totalmente essencial ter um certo nível de confiança em nós próprios para podermos iniciar uma carreira nestas áreas, e foi o que no inicio me prendia, a falta de confiança.

Mas felizmente com o tempo as coisas foram mudando, comecei a estudar Artes Visuais, e com o contato com outras pessoas da área comecei a encarar a Arte com outros olhos.

– Acredita que viver isolado numa ilha não é um impedimento à sua liberdade artística?

De certo modo sim. Torna-se limitante viver numa ilha com difícil acesso à maioria do país. Com o tempo tudo se compõe. Em breve vou fazer a minha primeira “viagem fotográfica”, totalmente financiada pelas minhas poupanças, onde vou poder estar à vontade para poder conhecer mais pessoas, outros sítios, e fazer novos trabalhos. No próximo ano lectivo irei sair da ilha para começar os meus estudos no ensino superior, o que será uma grande experiência para mim.

Aliás, nem me posso queixar pois tenho a sorte de viver numa ilha com sítios maravilhosos para fotografar e visitar!

– Como lhe surgem as ideias para as suas obras?

Nenhuma ideia surge da mesma maneira das outras. Chego a levantar-me da cama quando estou prestes a adormecer para escrever num papel uma ideia que tive. Pode parecer estranho, mas é como muitas vezes acontece!

Geralmente são nos momentos de maior sossego em que as tenho.

Algumas ideias surgem a meio de conversas, outras até surgem com o inesperado, como por exemplo, um movimento não-propositado do modelo, e imagino a foto perfeita e mando automaticamente o modelo parar e capto aquele momento. Na maioria dos casos, essas são as melhores fotografias quando se estou a fazer fotografia de moda.

– Qual o seu maior ídolo na arte de fotografar?

Há tanto deus na fotografia ! Cada um com a sua visão particular e cada um com um significado diferente para mim.

Desde os trabalhos da grande Annie Leibovitz que recriou histórias da Disney em fotografias de uma magia incrível, passando pelos fotógrafos de moda Mario Testino e Terry Richardson, Jennifer Formica pelas suas naturezas mortas que se confundem com brilhantes pinturas e passando também pela jovem Lara Jade, fotógrafa britânica de 21 anos que acompanho a carreira desde que comecei a fotografar.

A energia e o talento de todos eles fazem-me ter sempre esperança.

– Acredita que é fácil ser-se fotógrafo em Portugal?

Em Portugal tudo o que seja relacionado com Arte nunca é facilitado, nunca mesmo. Acho que não será apenas coincidência que a maioria dos grandes nomes actuais do país precisaram de ir para o estrangeiro para serem realmente reconhecidos!

– O que mais gosta de fotografar?

Acho que basta olhar para os meus trabalhos e ver que essencialmente gosto de fotografar pessoas. A relação que as pessoas têm com a câmara, com o que vestem e com a Arte são os tópicos que geralmente mais abordo.

Mas não gosto de me fechar somente num campo, por isso tenho vindo a experimentar muitas coisas diferentes na área da Fotografia.

– Que modelo ambiciona um dia vir a fotografar?

Hum, esta pergunta é difícil! Por vezes nem são as grandes estrelas de cinema/música que me fascinam para fotografar.

Há imensas pessoas com talento para isto mas que simplesmente vêm os lugares de manequim etc ocupado pelas estrelas, não conhecidas pelo seu trabalho como modelo mas sim noutras áreas.

Excentricidade, particularidade e confiança é o que procuro num modelo, e não o quanto famoso ou não ele é.

– Em relação ao seu último trabalho, um vídeo, descobriu uma nova paixão?

Trata-se de um trabalho muito forte na exploração de sentimentos, onde foi buscar a profundidade para explorar as emoções de uma forma limite?

A ideia para este meu último vídeo surgiu de uma maneira estranha, tendo sofrido imensas “mutações” mentais até chegar ao momento de o filmar.

Comecei por pensar somente no acto de perder o cabelo e o quanto isso pode mudar a vida de alguém.

Mas essa acabou por ser um dos lados que quis transmitir.

Por mais que algo esteja a correr mal, nunca nos podemos esquecer que há algo a fazer que pode melhorar toda a escuridão porque estamos a passar.

É sem dúvida o meu trabalho mais forte a nível sentimental. Cheguei a pensar trabalhar somente em fotografia o tema. Ultimamente tenho encarado o vídeo como um modo de expansão do meu trabalho, conseguindo não só passar uma única imagem a quem observa, mas sim um conjunto delas.

– Que projectos tem para o futuro?

Projectos para o futuro ? Imensos!

Agora estou a trabalhar em várias coisas em simultâneo, nomeadamente no meu site pessoal, na organização da minha viagem, onde irei realizar uma curta metragem, e também com um grupo de Área de Projecto da Escola onde estou responsável pelo design da revista pela Fotografia.

Outros projectos ainda estão em fase de elaboração de planos, por isso ainda não posso adiantar mais nada.

Não consigo estar parado, tenho essa dificuldade. Não faz parte de mim esperar que as coisas aconteçam. Se assim pensasse nunca chegaria a lado nenhum.

Queria também agradecer pela oportunidade que me deram para poder falar sobre mim aqui, muito obrigado!

— FIM —

Muito obrigado ao António pela disponibilidade para a entrevista e aqui ficam alguns contactos para ficar a conhecer melhor os trabalhos do jovem:

www.antoniomedeiros.net

[email protected]

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Estudante de Farmácia, amante das ciências e das artes. Gosto particular por entretenimento em diversas áreas: televisão, cinema, teatro, música.

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