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Editorial: Moda

Moda

Substantivo feminino, que deriva do latim modu-, que significa «medida; modo». Também encontra raiz etimológica no termo francês mode que quando traduzido para a Língua Portuguesa corresponde à expressão «moda».

1.Uso, hábito ou forma de agir característica de um determinado meio ou de uma determinada época costume;

2.Uso corrente, prática que se generalizou;

3.Estilo prevalecente e passageiro de comportamento, vestuário ou apresentação em geral tendência;

4.Indústria ou o comércio do vestuário;

5.Estilo pessoal, gosto;

6.Hábito repetido mania fixação;

7.Música  – modinha.

Qual bomba nuclear qual quê? Moda, moda, moda…e mais moda!  É este, o verbete que figura nesta nova publicação do Editorial e, que, na minha ignorante óptica, depois do dinheiro e da ganância é maior arma de destruição massiva alguma vez construída pelo ser humano.

Para conferir, integralmente, esta reflexão basta clicar em “Continuar a Ler”.

Quem nunca ouviu alguém ou mesmo a si próprio afirmar, com toda a convicção, que tem o seu próprio estilo, segue o seu próprio caminho e tempo no que diz respeito à moda e, por isso, não se interessa pelo que os outros vestem ou possam dizer sobre o seu visual? De certeza que um pouco de todos nós já o fizemos. Mas pergunto-me a mim mesmo, sê-lo-á realmente? Será mesmo verdade que estamo-nos pouco marimbando para os amarelos, verdes, vermelhos, castanhos, azuis, pretos, cinzentos…que um criador estipula como sendo a última tendência? Se estamos então porque é que criticamos um computador de última geração, a vizinha que hoje vestiu um casaco de cor fluorescente, a rapariga que passeia na rua de mini-saia, o rapaz que anda com as calças descaídas, o senhor que tem o corpo todo tatuado…?

Se calhar porque vivemos numa era de ditadura na qual o general é a indústria da moda, os militares são os designers e a futilidade cujo principal alvo são os medíocres valores  humanos. As minas, que são o sinónimo de colecções lançadas para o mercado, ao longo dos tempos, pouco a pouco amputam os nossos horizontes, incapacitando-nos de tal modo que de repente tornamo-nos escravos e dependentes dela. Prova disto é que, hoje ninguém pode andar nú na rua, sendo considerado um atentado ao pudor. Só este pequeno exemplo mostra que, estamos de tal forma impedidos de procurar a nossa verdadeira essência sem seguir o mesmo carreiro que o Sr. General estipula como sendo o correcto.

Quase que num ápice, os corpos bronzeados, delgados, medidas perfeitamente proporcionais, olhos de cor exótica, loiros, morenos, guarda-roupa com pelo menos uma peça da última tendência, maquilhagem exuberante, sapatos de salto alto, o último iPad…transformaram-se no ar que respiramos e numa das principais fontes que nos fazem sentir “pessoas”! Hoje, só nos sentimos vivos porque detemos algo que corresponde à imagem que os outros têm de nós. Concordem ou não mas,  facto é que a  moda tem vindo tornar-se uma necessidade tão primária como a alimentação. Há quem não se importe até de abdicar deste bem tão essencial à vida só para poder estar “sempre na moda”.

Neste âmbito, sem pretensão de ser insolente, se não estamos preocupados com os “mal-dizeres vindos de outrem em relação à nossa imagem” peço por favor, que me respondam às seguintes questões:

“Onde está escrito e, portanto, determinado que um homem por ser homem não se pode maquilhar nem envergar vestidos, saias ou calçar sapatos de saltos altos? Onde, leitores, onde e quando e quem nos deu o direito de definir que a mulher por ser mulher não pode ser bonita sem ter pêlos nas pernas ou o buço por depilar? Será justo, por isso, apontar e, por vezes, apelidar a mulher que não se depila de “porca” ou o homem que adopta os chamados “comportamentos femininos” de “maricas” ou “travesti”? Deixaremos, nós de ser pessoas se não vivermos numa sociedade supra-estereotipada na qual os rótulos imperam e, muitas vezes, fazem-nos achar que temos o direito de atirar pedras a outrem por simplesmente “ser” quando vivemos numa era em que “ter” é considerado o centro da vida?”

Bem podemos aclamar as vezes que quisermos que não nos regemos pelo que os outros pensam de nós, mas se realizarmos uma introspecção no nosso hodierno modo de vestir e agir percebemos que afinal de contas a opinião do outro constrange-nos, consciente ou inconscientemente. É difícil aceitar, mas como disse no início, a moda é uma arma que nos destrói e corrompe o nosso pensamento e, consequentemente, o livre-arbítrio. Advinhem quem a convencionou…o Homem! Até parece irónico perceber que, construímos algo, supostamente, para nos defendermos das adversidades climáticas que, ao longo dos tempos, acabou por se transformar numa arma da qual somos nós as próprias vítimas. Agora, por mais que tentemos, não conseguimos controlá-la.

Desculpem-me, prezados leitores, pela expressão que aqui uso, mas não pude mesmo evitar dizer que, a Sociedade é “tramada” e, o pior, no meio disto tudo é que não podemos viver sem ela e ela sem nós!

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