Cinema

Estreia: As Quatro Voltas

Quinta-feira, dia 28 de Abril, chega às salas de cinema portuguesas, As Quatro Voltas (Le Quattro Volte), o mais recente filme do italiano Michelangelo Frammartino, que lhe valeu o Prémio de melhor produção no Torino Film Festival 2010, tendo ainda marcado presença no último Festival de Cannes.

Um homem. Uma cabra. Uma árvore. Fumo do carvão. Quatro voltas. Temos quatro elementos da Natureza bastante diferentes, mas semelhantes num aspecto: todos obedecem à fórmula universal, viver e morrer. Portanto, temos um filme que reflecte sobre ciclos da vida.

Passado na Calábria, ponto mais a sul de Itália, foi filmado em jeito de documentário, mostrando a realidade como ela é, mostrando crenças, tradições, rotinas diárias e festividades típicas de uma aldeia. Mas também mostra a interacção entre animais e o efeito da passagem do tempo e das estações do ano numa árvore.

Tal montagem de imagens documentais exibe a passagem da vida pelos vários elementos que compõem a Natureza, desde o pastor bastante doente que acredita que as poeiras colhidas do chão da igreja sejam o seu remédio, a uma cabra que nasce e que vai crescendo numa quinta até ser capaz de acompanhar o seu rebanho na altura de irem pastar, até a uma árvore existente ali perto que acaba por ser fonte de carvão na aldeia do pastor.

Curiosamente, neste filme, é dada  aparentemente “pouca importância” aos homens, à mão humana, sendo mais imponente a força da Natureza; contudo, a descrição visual dos outros elementos, no fundo, servem de metáforas para expor as características da essência do ser Humano (aliás, como é explicado no trailer). Mas, acima de tudo, este filme transmite o ponto de ligação básico entre todos os elementos da Natureza: o de existirem, até deixarem de existir.

É um filme simples, com imagens fantásticas e “naturais” do mundo rural. Não tem acção, não tem efeitos especiais, não tem diálogos (apenas murmúrios imperceptíveis), não tem banda sonora (apenas o som do vento a soprar pelos montes, do restolhar frequente das folhas das árvores ou dos animais). Assim, a imagem transporta-nos para o próprio local, trazendo-nos sensações na primeira pessoa.

Deste modo, despoje-se de toda a complexidade dos seus pensamentos, de todas as preocupações do seu dia-a-dia, de toda a tentativa de raciocínio e venha assistir a 88 minutos de acontecimentos simples, puros mas com grande significado.

Aqui fica o trailer:

httpv://www.youtube.com/watch?v=EZnn1gNPBQ4&feature=related

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