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Editorial: Arte

 

Arte (in www.priberam.pt)
(latim ars, artis, maneira de ser ou agir, conduta, habilidade, ciência, talento, ofício)
s. f.
1. Preceitos para fazer ou dizer como é devido.
2. Livro de tais preceitos.
3. Fig. Modo; artifício.
4. Habilidade.
5. Manha, astúcia.
6. Técn. Aparelho de pesca.
7. Ofício.

Estava eu perdido em devaneios e de repente senti-me impelido a escrever sobre o tema que hoje vos trago: a Arte. Sim, é verdade que é um tema muito discutido. Mas desta vez venho, se me permitem, partilhar convosco alguns frutos que colhi dos meus delírios aquando da viagem à volta do mundo artístico.

Ainda há semanas estreou a rubrica Singular e para a concepção da mesma vi-me sufocado em questões que nunca me tinham ocorrido antes, por exemplo, o que é um artista ou mesmo a própria arte. Fiz pesquisas na Internet e livros e conheci teorias bastante revolucionárias e até interessantes. Aquando da realização da referida pesquisa, mais questões me assaltaram a mente para as quais em lado nenhum escrito encontrei respostas. Assim sendo, decidi enveredar nesta viagem à descoberta da riqueza artística do nosso país e à medida que conversava com diversos artistas oriundos das diferentes vertentes da Arte fui ganhando ferramentas para construir algumas possíveis respostas para o turbilhão de perguntas que outrora me tinha assolado.

Todos os dias lidamos com pessoas que com distinção sabem ler, escrever, saltar à corda ou até mesmo fazer um risco no meio de uma folha branca. Dito deste modo, estes exemplos tão banais não parecem ter nada de suspeito mas se olharmos e entrarmos no antro dos mesmos, percebemos que se calhar não é bem assim. Quer dizer, um dos temas patentes no Singular é o reconhecimento e a distinção criativa. Ao lermos os anteriores exemplos, não denotamos qualquer sobredotação de capacidades mesmo até porque a maior parte de nós consegue realizar estas tarefas. Mas será mesmo?

Aparentemente, os criadores desta área cultural a que designamos “Arte” para além de terem o dito “dom”, tal como nas outras profissões, têm de se reger por uma panóplia de técnicas apreendidas aquando da formação escolar para a concepção das suas produções. Investem nas suas crenças lançando as sementes dos seus frutos com esperança de que alguma alcance um “lugar ao sol” e se transforme numa árvore. Atiram-se de corpo e alma aos olhares abutres dos que impiedosamente qualificam as suas criações conforme os seus apetites críticos atribuindo-lhes ora adjectivos positivos ora adjectivos negativos.

Nesta selva onde, como diria Darwin, “as variações são submetidas ao meio ambiente que, através da seleção natural, conserva as favoráveis e elimina as desfavoráveis”, nascem limites à criatividade, produtividade e à putativa liberdade de expressão. De certeza que todos os artistas têm consciência deste certame decorrente imediatamente no ressoar da voz, nas telas, nos pincéis, nas máquinas fotográficas, nos passos de dança… Então porque não suprimem esta consciência da própria inconsciência e param de sonhar e de acreditar nos mundos que exteriorizam através dos seus trabalhos?

À conversa com os missionários do talento aprendi, e cada vez mais se torna verídico no meu dia-a-dia, que

um verdadeiro artista é nada mais nada menos que aquele que não satisfaz outrem que não a si próprio. Acima de tudo respeita e confia nas suas escolhas independentemente da ou não aceitação do público. É por isso que, apesar das limitações impostas àqueles que sonham e procuram transportar esse mundo imaginário para a realidade, não param de lutar para transpor as barreiras da criatividade.

De nada importa a técnica se não há paixão. Mas nesta sociedade onde o dinheiro e a fome pela fama consomem a inocência da pureza é mais fácil catalogar como “louco” e fechar as portas a alguém que se atreva a ser pioneiro da verdadeira transformação.

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