Cinema

A Árvore da Vida (Tree of Life): mais que um filme

Na Quinta-feira, dia 26 de Maio, chega às salas de cinema portuguesas A Árvore da Vida (Tree of Life), o grande vencedor da edição de 2011 do Festival de Cannes.

O filme relata momentos da vida de um casal (Brad Pitt e Jessica Chastain) e dos seus três filhos: uma típica família americana numa pequena vila do Texas, por volta da década de 50. Acompanha-se principalmente o trajecto de vida de Jack (Hunter McCraken), o irmão mais velho, desde o seu nascimento, passando pela infância, marcada por uma ríspida educação por parte do seu pai autoritário e pelos ensinamentos sobre amor, natureza e fé por parte da sua mãe terna, até à desilusão que lhe trouxe a vida adulta (interpretado por Sean Penn).

Se apenas da narrativa de uma família americana se tratasse, bastavam apenas simples palavras para descrever o filme. Mas não é. Não é um filme simples. É um filme que usa a história de tal família como ponto de partida para uma viagem à reflexão sobre a nossa existência. 

“Existem dois caminhos de se viver: a maneira da Natureza e a maneira da Graça. Nós temos que escolher qual delas seguir.” Assim, se inicia a fita e nos anuncia o cerne da sucessão de imagens e sons a que assistiremos. E, de facto, comprova-se. As imagens transcendem a dimensão temporal e mostram a origem da matéria e a origem da vida, desde os confins mais primitivos, e mostram a ordem natural da Natureza, do Universo. Porém, desvendam que viver pode não ser sinónimo de “limitar-se a existir”; parece subsistir uma certa aura constante em torno das coisas. Assim, a luz constante (presente em praticamente todas as cenas) adquire um papel importante, parecendo indicar a omnipresença de um Deus que acompanha os indivíduos ao longo da vida. No fundo, acaba por mostrar que, afinal, estes caminhos distintos parecem ser complementares.

Mas este filme também reflecte sobre a dúvida; a dúvida de saber se Deus existe, se está presente quando as tragédias se abatem sobre os indivíduos (como ocorre com esta família). É nessas alturas que se questiona se a dor irá passar, se vale a pena ter fé; acima de tudo questiona-se “Porquê?”. E tenta-se resolver os problemas, livrar a consciência de perguntas e encontrar o caminho certo para se voltar a ser feliz.

É um filme surpreendente, com imagens e cenas espectaculares e excelentes interpretações (principalmente de Brad Pitt, de Jessica Chastain e do jovem Hunter McCraken). Poderá então perguntar-se qual a razão para a discrepância de críticas que tem havido, nomeadamente no Festival de Cannes. É que, na verdade, este filme não é directo, não é acessível. Cabe a cada um reflectir e interpretar da maneira que entender. É razão para se dizer que é daquelas películas que “se ama ou se odeia”. Mas ninguém há–de ficar indiferente. Portanto, um filme a ver… por várias vezes.

Na sua quinta longa-metragem, Terrence Malick assina uma obra filosófica, que transcende as barreiras da narrativa, tornando-se poesia figurada. É mais que um filme religioso… é um filme espiritual. E é mais que um filme… é uma obra de arte!

httpv://www.youtube.com/watch?v=tlKQyhRLQDQ&playnext=1&list=PL06883D826D6FB55C

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