Estado da TV

Estado da TV # 5

Seja bem-vindo à minha crónica de opinião semanal no Propagandista Social.

O Esforço compensa.

Já muito se escreveu sobre o crescimento das audiências dos canais cabo que muito tem feito sofrer as tradicionais estações generalistas. Esse crescimento, apesar de ter vindo a ser gradual nos últimos anos, tem tido maior repercussão e impacto desde o início deste ano. Na verdade, a vitória nas audiências dos canais cabo ao fim de semana já se tornou habitual, deixando para trás a RTP, a SIC e a TVI que muitas vezes sofrem para chegar a uns míseros 20% de share ao Sábado e ao Domingo.  Pergunta-se: Haverá solução para contrariar esta tendência? Que estilo de programação deverá ser adoptado pelas generalistas ao fim de semana? Para tentar responder a estas questões, vou recorrer à experiência da estação que melhor soube adaptar-se aos tempos actuais: a SIC.

Em primeiro lugar, a SIC para além de ter a melhor carteira de filmes da televisão portuguesa,  tem profissionais que sabem programar, promover e gerir o cinema de forma muito eficaz e competente. De facto, o slogan “a maior sala do cinema do país” aplica-se que nem uma luva à estação de Carnaxide. A aposta em telefilmes como “Felipia e Letizia” ou o documentário “José e Pilar” demonstram que a SIC é uma estação esforçada em apostar em conteúdos diversificados com ligação à actualidade, que podem surpreender e que têm potencial para atrair o público que habitualmente foge para o Cabo.

Em segundo lugar, a SIC tem revelado inteligência na aposta em séries internacionais. “De Corpo e Alma” (“Drop Dead Diva”) estreou no passado Sábado e é o mais recente exemplo disso. Trata-se de uma comédia leve, acessível e desprentensiosa que se enquadra perfeitamente no perfil do público que pretende ver televisão àquela hora. E tem um bónus importante que é o facto de não ser uma daquelas séries mainstream que já toda a gente viu no cabo ou na internet. Esta escolha revela trabalho e estudo por parte da SIC. Revela esforço.

Em último lugar, a estação de Carnaxide tem Daniel Oliveira, que é sem sombra de dúvidas o melhor a fazer magazines em Portugal. Conseguiu criar uma marca própria imbatível tanto a nível gráfico e de imagem, como a nível de conteúdo emocional dos seus programas. E consegue sobretudo atrair telespectadores. Muitas vezes mais do que o cinema, mais do que as séries.

É verdade que estes pontos fortes da SIC não se podem transpôr para a RTP e para a TVI facilmente. Porque nenhuma delas tem o Daniel Oliveira, porque nenhuma delas tem os acordos com os estúdios de cinema que a SIC tem, etc, etc… Mas a questão central nesta crónica, é que com boas ideias, criatividade e trabalho, é possível atrair público para as generalistas ao fim de semana. Não se pode é cair no facilitismo de emitir filmes repetidos atrás de filmes repetidos, ou programas de entretenimento com as caras e conversas do costume que são uma autêntica xaropada.

Até para a semana!

Filipe Vultos

 

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Farmacêutico de formação, químico de profissão, com interesse no mundo do audiovisual e da televisão em particular. Tenho uma visão crítica e analítica sobre a televisão em Portugal estando especialmente atento às estratégias de programação e de promoção.

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