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Estado da TV # 7

Seja bem-vindo à minha crónica de opinião semanal no Propagandista Social.

Obrigado RTP!

Há dias em que me sinto especialmente grato pelo facto de Portugal ter uma estação de televisão pública. O passado Sábado foi um desses dias. A RTP estreou a versão portuguesa do formato de êxito internacional “MasterChef” e os portugueses, a julgar pelas boas (diria mesmo surpreendentemente boas) audiências da estreia, aprovaram o programa.

Apesar de ser um dos formatos mais brilhantes e cativantes do mercado internacional, em Portugal só a televisão pública estava em condições de pegar nele. E porquê? Porque foge ao habitual estilo noveleiro de intrigas e lágrima fácil dos reality-shows das estações privadas (para os mais distraídos falo de “Peso Pesado” e “Secret Story”). Não que “MasterChef” não seja também um concurso de emoções fortes (é impossível não ser quando todos os concorrentes perseguem um sonho), mas o que o diferencia é que centra-se fundamentalmente no desafio, no desafio de cozinhar de forma surpreendente, de inovar, de mostrar o valor de cada concorrente num ambiente de alta pressão e de constante avaliação. Aqui os concorrentes têm de trabalhar e mostrar os seus dotes. É puro entretenimento e dá gosto ver.

Para quem já viu a versão britânica ou a australiana (que passa actualmente na SIC Mulher), nota-se logo à partida que a portuguesa é uma versão de baixo custo comparada com as anteriores, o que se compreende perfeitamente tendo em conta a diferença substancial no tamanho dos mercados. No entanto, mesmo sendo de baixo custo, o que se viu no Sábado foi um bom programa de entretenimento e uma adaptação muito competente. A falta de naturalidade do júri e a deslocalização de Silvia Alberto (não se percebeu qual o seu papel) foram quanto a mim os pontos mais negativos do programa de estreia. Mas acredito que estas falhas vão-se dissipar nos próximos programas e que o destino de “MasterChef” será bem mais feliz do que o de “Projecto Moda”, exibido há um ano atrás, que foi assassinado logo à nascença pelo erro de casting da apresentadora. Uma coisa é certa, “MasterChef” terá em mim um espectador assíduo!

Até para a semana,

Filipe Vultos

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Farmacêutico de formação, químico de profissão, com interesse no mundo do audiovisual e da televisão em particular. Tenho uma visão crítica e analítica sobre a televisão em Portugal estando especialmente atento às estratégias de programação e de promoção.

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