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MTV Video Music Awards – A crónica final

Mais um ano, mais uma edição dos MTV Video Music Awards. Tal como já o havia feito, continuo a chamar à 28ª edição dos VMA, A Noite Das Mulheres e Da POP.

A “Black&White Carpet”

Sway, habitual coordenador do pré-show dos VMA, teve este ano a seu lado a jovem Selena Gomez. Foi nela que se centraram as atenções do pré-show e com especial razão. A jovem surgiu deslumbrante na passadeira, com um vestido preto de Julien MacDonald. Descontraída e simpática, brilhou ao lado dos profissionais da MTV, enquanto co-apresentadora.

Selena Gomez | Nicki Minaj

Sobre os outfits que pela passadeira desfilaram, o destaque pela positiva vai para Beyoncé, num vestido laranja da Lanvin Fall 2011, numa linha diferente do que costuma utilizar. Adele surgiu deslumbrante. No seu habitual estilo clássico, com um vestido preto, as atenções foram para o seu cabelo. Tenho ainda de destacar, pela positiva, Demi Lovato. Num vestido prateado, a cantora mostrou as suas curvas e o seu lado mais sensual. Obviamente, as más-línguas emergiram pelo Twitter dizendo que a artista estava com uns quilos a mais. A mim pareceu-me estar muito bem e recuperada do mal que a atormentou durante os últimos antes.

Ainda na passadeira “vermelha”, há que destacar pela negativa. Katy Perry e Nicki Minaj parecem ter tomado o lugar de Lady Gaga no que diz respeito ao “fora do comum”, mas pela negativa. Perry surgiu num outfit com inspirações orientais: um micro-kimono, uma sobrinha e o cabelo cor-de-rosa. Mais tarde, na cerimónia, usou um outfit bem mais fashion mas com uma espécie de cubo de queijo na cabela! Já Nicki Minaj apareceu com um conjunto de peluches que se agarravam ao corpo e uma máscara de cirurgia médica, na cara. O pior visual da noite!

A cerimónia

Começo pelo que conteceu antes da cerimónia e que acabou por apanhar-nos desprevenidos, na cobertura que fizemos do evento. Horas antes do início da cerimónia, circulou no Twitter um link para uma página do site da MTV, devidamente identificada, que apresentava os grandes vencedores da noite. Ora, momentos depois, essa página deixou de estar disponível. Ao que tudo indica, tratou-se de uma fuga de informação que acabou por tirar um pouco do suspense para quem soube da informação.

Também negativa foi a logística da MTV, este ano. Apesar das promoções feitas pelo canal, em Portugal, e acredito que em mais pontos do mundo, a emissão não foi totalmente “em directo”. A emissão que começou às 2h30m, em Portugal, havia começado meia hora antes, nos EUA, sendo transmitida apenas em tempo real para alguns países. A questão é simples: justifica-se? Na minha opinião, não. Com a facilidade que, actualmente, se acede à informação, através da Internet, o facto de se atrasar a transmissão de um programa na TV, não impede que este não seja visto pelo público. E foi o que aconteceu. Milhares de pessoas assistiram à cerimónia pela Internet. Já não falo no tardar da hora, causado pelo fuso-horário. Resultado: a MTV acabou por perder audiência desnecessariamente e o suspense característico deste tipo de cerimónias, porque afinal, acabava por saber-se tudo meia-hora antes de o vermos na TV.

Quanto à cerimónia em si, Adele e Katy Perry foram os grandes vencedores da noite. Cada uma arrecadou três prémios.

Katy Perry era a mais nomeada, com nove indicações, e, finalmente, conseguiu os seus primeiros moonmen. A Melhor Colaboração foi, justamente, para o vídeo de “E.T.”, com Kanye West. A concorrência não era difícil de ultrapassar já que o vídeo se destaca facilmente dos restantes, pelo conceito inovador. Graças a “E.T.”, a cantora venceu na categoria de Melhores Efeitos Especiais. Na categoria-mor dos VMA, o Vídeo do Ano foi para “Firework”. A concorrência era bastante forte – Adele e Bruno Mars estavam lá – mas Katy levou a melhor. Honestamente, se tivesse que escolher o vídeo do ano, não seria nenhum dos nomeados. Mas perante as opções, a vitória foi justa mas ficaria bem a Katy dividir o prémio do Adele.

Adele foi, para mim, a senhora da noite. A artista mais aguardada da noite não subiu ao palco na cerimónia, mas venceu três prémios em categorias técnicas, escolhidas por um júri especializado – melhor direcção artística, melhor edição e melhor cinematografia, por “Rolling In The Deep”. A cantora estava nomeada para as categorias “rainhas” dos VMA – melhor vídeo do ano, melhor vídeo Pop – mas estes três troféus são mais que merecidos. Na concorrência estavam outros “favoritos” como “Judas” de Gaga, para melhor direcção artística, e “Who Run The World (Girls)” de Beyoncé e “Hurricane” dos 30 Seconds To Mars, para melhor cinematografia. Como se não bastasse, Adele foi protagonista de um dos momentos mais emocionantes da noite – a sua actuação com “Someone Like You”. A performance não foi nada que já não tivéssemos visto da artista, mas só pelo facto de ser um momento tão raro na história dos VMA e da própria MTV, merece todo o mérito. Foi igualmente emocionante e refrescante ver a cantora em palco. Bravo!

Outra das protagonistas da noite: Lady Gaga. Acho que foi das melhores aberturas de sempre dos VMA. Lady Gaga vestiu a pele de Jo Calderone (um dos seus alter-egos) e arrasou. O discurso inicial exalta o talento de Gaga para a representação, que já tinha vindo a mostrar nos seus vídeos. A personagem prolongou-se noite dentro. A actuação foi, na minha opinião, o que faltava à artista. Não teve todo aquele espectáculo que a cantora nos habituou, cheios de cor, exageros e tudo mais. Foi Gaga num simples outfit a cantar e dançar. A mostrar o que sabe fazer, sem saltos altos, sem excentricidades. Acabou por ser uma das vitoriosas da noite, a vencer dois prémios – melhor vídeo de um artista feminino e melhor vídeo com uma mensagem, ambos por “Born This Way”. Na minha opinião, em ambos os prémios a concorrência era forte e havia quem merecesse mais o premio, principalmente, na segunda categoria (vejam os nomeados!).

Um dos momentos mais aguardados da noite era o do tributo a Britney Spears. Acabou por ser das maiores desilusões. Ao contrário dos rumores que há uns tempos circulavam da participação de Nicki Minaj, Katy Perry e Selena Gomez no tributo, este não passou de um conjunto de pessoas a dançar ao som dos maiores êxitos da cantora. A performance foi bem executada, mas deixou muito a desejar. Depois foi o fraco discurso de Britney, ao receber o prémio Michael Jackson. A cantora apenas agradeceu e disse ser “uma honra”, partindo logo para a apresentação da actuação seguinte. Quanto a prémios, Brit levou para casa o de Melhor Vídeo POP, por “Till the world end”. Outro, na minha opinião, mal entregue. Olhando para os nomeados, Adele, Bruno Mars ou Katy Perry tinha vídeos bem melhores.

Logo a seguir ao tributo a Britney, entrou em palco uma das figuras mais faladas da noite. Beyoncé esteve em grande. Já na passadeira “vermelha” havia anunciado a sua gravidez. Em palco, a alegria notou-se. Todos esperavam ouvir um dos singles do álbum “4”, mas diva interpretou “Love On Top”, num visual elegante, vestida por Dolce&Gabbana. Uma actuação simples e comedida. Afinal a gravidez não lhe permite, e não permitirá nos próximos tempos, performances muito arrojadas. Assim, Queen B fez valer o que melhor tem – a voz. No final era notória a felicidade – a cantora mostrou a barriga ao mundo. O momento foi partilhado com Jay-Z que explodiu do orgulho, numa reacção muito atípica do rapper. Gostei de ver. No final da noite, Bey levou para casa o prémio de Melhor Coreografia por “Who Run The World (Girls)”, derrotando uma forte adversária – “Judas” de Lady Gaga.

A tão aguardada homenagem a Amy Winehouse foi dos pontos altos da noite. Tony Bennett  apresentou a música que gravou com a cantora, “Body & Soul”. A emoção subiu quando Bruno Mars interpretou, em palco, “Valerie”, da Amy Winehouse. É de louvar a actuação de Bruno. O sentimento e energia que depositou na sua performance foram maravilhosos. Fez-me sentir que não se estava a chorar a morte de alguém, não havia lamechice em exagero. Havia antes a celebração de uma talentosa artista. Muito bom!

Quanto a Bruno Mars, outro dos favoritos, não venceu nenhum prémio. Como o havia dito aqui, o cantor não é um “papa-prémios” e, portanto, as nomeações já valiam por si.

Do lado oposto esteve Justin Bieber. Estava nomeado para o único prémio que venceu. “U smile” foi eleito o melhor vídeo de um artista masculino. Surpreendeu-me o discurso de Justin, mais maduro e visivelmente surpreendido por ultrapassar Kanye West, Eminem e Bruno Mars. Agradeça às fãs!

Não posso deixar de referir a agradável surpresa que foi a actuação de Jay-Z e Kanye West. A MTV nada tinha anunciado sobre a performance de ambos. Gostei de ver a interpretação de “Otis”. Kanye West era o homem mais nomeado, mas acabou por voltar a casa de mãos a abanar. Venceu apenas a Melhor Colaboração, pela música de Katy Perry. Por motivos diferentes, gostei de Chris Brown. O regresso do cantor aos VMA, depois dos episódios de violência com Rihanna, foi digno do artista que é. As coreografias arrojadas que incluíram o voo sobre a plateia levaram o cantor a recorrer ao playback, mas, mais que justificado.

Para finalizar, a 28ª edição dos VMA foi realmente a noite das mulheres e da POP. Dos 15 prémios apenas 4 foram para os homens, dois deles para bandas. Quanto à POP, basta olhar para as actuações e para as estrelas presentes na cerimónia. A MTV continua a privilegiar a música mais comercial, mas economicamente rentável em detrimento do pluralismo e diversidade musical que podia difunir.

Não posso deixar de referir a importância dos fãs nesta cerimónia. Afinal são eles quem decide quem são os vencedores de grande parte dos prémios. E por isso vemos Gaga, Katy Perry, Nicki Minaj e Britney a vencer tantos prémios e a deixar para trás tanta qualidade. Por conseguinte, aqueles cujos fãs não são tão participativos neste tipo de acontecimentos, acabam por sair a perder, como é o caso de Adele ou Bruno Mars. Atrever-me-ia a dizer que nos VMA não ganham os vídeos com mais qualidade, ganham os artistas com mais fãs. A meu ver, se a eleição dos vencedores fosse dividida entre o público e um júri especializado (50%-50%), talvez as coisas se equilibrassem.

Em suma, o balanço desta edição dos VMA é positivo. A elite da música esteve lá, assistimos a actuações de qualidade, algumas deles bem inovadoras e refrescantes. E apesar de todas as críticas, a verdade é que os VMA continuarão a fazer parte da agenda mediática. E por isso, daqui a um ano, cá estaremos. Até para o ano!

Ruben de Carvalho

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