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Especial: More Than A Thousand

O final dos 90s trouxe, em adição ao legado do movimento Grunge, muitas bandas de qualidade, optando por uma abordagem mais centrada na sonoridade e produção. Trouxe também More Than A Thousand.

Banda oriunda de solos lusos, Setúbal, é identificável com – e simultaneamente fã acérrima –  actos como 30 Seconds To Mars, para além de um devido tributo aos sons de Incubus e Metallica, bandas de reconhecimento mais que estabelecido que contaram nas suas respectivas tours com o apoio dos “rapazes da casa”. E isso diz muito sobre os músicos por detrás de MTAT.

Impulsionadores do Hardcore português, desde a sua junção, em 2001, que Wilson Silva, Vasco Ramos, Filipe Oliveira, Sérgio Sousa e Ricardo Cabrita presenteiam o público com miríficas performances ao vivo; constante granjeio que ao longo do tempo contribuiu para alargar a sua base de fãs.

Já no século IV a. C. Aristóteles dizia que “o trabalho constante aperfeiçoa a obra” e, com base neste preceito,  três anos depois da viagem a Londres, inspirado em temas como perda, separação e decadência humana, o grupo ruma para a Suécia para produzir, gravar e, posteriormente, lançar o seu primeiro álbum “Volume II: The Hollow” marcado por melodias contagiantes.

Evolução e genuinidade são as palavras que melhor descrevem o progresso deste quinteto e prova disso está bem explícita em “Vol IV: Make Friends And Enemies” o seu último compêndio, lançado no ano passado, é tingido por equilibradas sessões rítmicas pujantes e rápidas características do Death Metal.

Bem feitas as contas apercebemo-nos que já passa uma década que este grupo se juntou e, no mês de celebração deste percurso de carreira, o Propagandista publica uma especial entrevista feita a Vasco Ramos, o produtor musical e vocalista da banda.

1 – Quando descobriram e decidiram que a música era o caminho que pretendiam seguir?

Nós conhecemo-nos em 1998 e começamos a tocar juntos nesse mesmo ano. Posteriormente, em 2000 formamos os MTAT e chegamos à conclusão de que música era o caminho que queríamos seguir.

2 – Porquê More Than a Thousand?

Tínhamos um novo projecto nas mãos, escrevemos num papel possíveis nomes e More Than a Thousand foi o qual com que todos nós nos identificámos. No início não tinha muito significado, mas ao longo dos anos, tornou-se parte de nós. Agora, não nos imagino com outro nome.

3 – Que significado tem para cada um de vós esta banda?

Não posso responder por eles. Para mim o grupo tornou-se uma família e amigos que são as duas coisas importantes da minha vida.

4 – Porquê cantar em Inglês e não em Português? Alguma vez pensaram realizar um projecto na vossa língua materna?

Friso que não temos nada contra a nossa língua. Cantamos em Inglês pela simples razão de esta ser a língua universal. Sinceramente sempre que pego numa caneta e papel, sinto-me mais inspirado a escrever em Inglês. Se algum dia me sentir inspirado a compor Português, fá-lo-ei sem com o mesmo gosto e ímpeto.

5 – Em 2003, viajaram para Londres com vista a expandir o vosso grupo de fãs e sucederam no propósito. Qual foi a razão da escolha dessa cidade e não de outra? Que mais valia a passagem pela cidade trouxe para a banda?

Sim, em 2003 fomos para Londres para divulgar a nossa música. A razão? Sinceramente, não sei. Apenas dissemos uns aos outros “Bora pa Londres” e pronto fomos.

A cidade não nos trouxe nada, mas o estilo de vida, com certeza que, sim.

6 – “Volume II: The Hollow” foi o álbum que vos proporcionou maior notoriedade. Como foi, de repente, perceber que “saíram do rosto da Europa” (Portugal) para os holofotes do mundo?

Sinceramente, não me senti diferente do que me sentia em 1998.

Não olho e nunca olhei para o que faço como um objectivo de chegar a algum lado. Fazemos música porque gostamos. Então, à medida que vamos tocando para mais pessoas, ficamos apenas mais contentes por saber que alargamos o  grupo pessoas que nos ouvem e apoiam.

7 – Claramente, este não é o meu desejo, mas se o sonho que une os More Than a Thousand acabasse hoje, acham que terá valido a pena lutar? Neste âmbito, que balanço fazem do vosso percurso até hoje?

Óbvio que valeu a pena. Conheci pessoas fantásticas e aprendi grandes lições de vida com esta banda. Estas foram algumas conquistas as quais só tenho motivo para me orgulhar! Digo honestamente que nunca me irei arrepender deste percurso.

Infelizmente, alguns de nós foram ficando pelo caminho. Especialmente eu, o Filipe e o Sérgio mesmo passando por momentos e situações mais difíceis, mantivemo-nos sempre juntos e não há nada que me faça arrepender. Por isso, o balanço para mim é muito bom.

8 – Quanto a novos projectos, que poderão dizer-nos?

Para nós os próximos projectos são sempre os mesmos, continuar a tocar e a compor.

9 – Portugal é muito rico em Arte e, consequentemente, em artistas. Mas facto é que a Arte está abandonada e são poucos os que conseguem notoriedade pelo seu talento. Como artistas que são, porque acham que isto acontece e o que deveria ser feito para mudar esta realidade?

(Em jeito de piada) Essa realidade há-de mudar quando as pessoas que estão à frente da televisão, algumas rádios e alguns jornais e revistas mudarem. Por exemplo, quando for para lá um artista português (risos). Entretanto os artistas não podem desistir. Têm de continuar a lutar e não se resignarem à falta de apoio.

10 – Qual o vosso conselho para quem tem o sonho de um dia ser reconhecido pelo seu trabalho, principalmente, em Portugal?

Como disse anteriormente, quem tem sonhos, não deve deixar que alguém lhos tire. Mas também, não fiquem a dormir à baliza a espera que o reconhecimento caia do céu. O que eu faço é falar menos e trabalhar mais.

11- O Heavy Metal é um pouco mal encarado pela não só pela sociedade portuguesa mas também de outros países. Facto é que, com o vosso trabalho conseguiram um feito, digamos, inédito em Portugal: o respeito e admiração por parte dos vossos fãs espalhados um pouco por todo o mundo e de grandes artistas portugueses como, Rui Veloso com o qual já actuaram. Que lição tiram desta vitória?

Sinceramente, não sei o que dizer (risos).  Olha, ainda bem que as pessoas gostam, não há muito mais para dizer.

12 – Recentemente, estiveram em tour com os 30 Seconds To Mars. Que podem dizer-nos desta experiência?

Foi brutal, 30 Seconds é uma das minhas bandas preferidas. Deu-nos oportunidade de tocar para um público um bocado diferente do nosso, o que foi bom e revigorante. Esperamos que venham mais concertos. (risos)

13 – “Make Friends and Enemies” é o título do último projecto. Que mensagem procuram transmitir com esta criação?

A vida é assim, feita de amizades e inimizades. Não deixem que os inimigos vos inibam ou desviem dos vossos propósitos. Trabalhem, façam o que gostam e não deixem vozes de quem não vos interessa interfiram com os vossos sonhos.

14 – Alguma mensagem para os fãs?

Não posso dizer muito mais do que um grande grande obrigado a todos que nos apoiam desde o início e a todos os novos fãs. Todos os músicos dizem “não estaríamos aqui sem o vosso apoio”. Parece cliché, mas é a realidade. Nenhum projecto chega a lado nenhum sem os seus fãs.

Obrigado a todos e obrigadão pela entrevista. Um grande abraço a todos.

Agradeço ao Vasco pela simpatia, disponibilidade e plena receptividade.

Para além das habituais tours pela Europa, a banda realizará, em Portugal, concertos de celebração do seu aniversário. Para saber onde e quando poderá vê-los actuar ou merchandising basta aceder aos seguintes endereços:

httpv://www.youtube.com/watch?v=NB4wYj-vyvc&feature=related

 

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