Cinema

Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris): terá Woody Allen voltado ao “pico” da sua carreira?

Woody Allen volta a oferecer-nos um ponto alto da sua carreira! Hoje, dia 15, chega às salas de cinema portuguesas o seu mais recente filme, Meia-noite em Paris (Midnight in Paris), que conta com um desfile de actores e personalidades ilustres como Owen Wilson, Rachel Mc Adams, Michael Sheen, Kathy Bates, Adrien Brody e mesmo Carla Bruni, entre outros.

Como o próprio título indica, o local de acção é Paris. E ninguém pode negar a beleza que Paris contempla, a unicidade que encontramos em cada canto, quer faça chuva, quer faça sol, e a capacidade camaleónica de se transformar numa cidade diferente à noite, permanecendo sempre o seu encanto. Mas existem várias maneiras de olhar para Paris. No que toca aos seus visitantes, podemos distinguir dois grupos: os que vêem a cidade como destino turístico apenas e os que vêem a cidade como lugar que emana nostalgia, desvenda memórias de antigos artistas, ideal para se viver e buscar a inspiração tão pretendida para desencravar o bloqueio criativo do artista.

Ora, Gil Pender (Owen Wilson), a personagem principal, inclui-se precisamente no segundo grupo. Homem que sonha em tornar-se romancista mas que acaba, pelas circunstâncias da vida, por se ter tornado argumentista de filmes de Hollywood. Homem que escolhe a nostalgia como seu lema, afirmando mesmo que nasceu no século errado. Já a sua noiva Inez (Rachel Mc Adams) e seus sogros John e Helen (Kurt Fuller e Mimi Kennedy) incluem-se no primeiro grupo, os que visitam Paris como se visitassem outro local, vão a museus de manhã e ficam na piscina do hotel grande parte da tarde, que permanecem os seus hábitos de ir ao cinema ver um filme americano e ir a lojas que existem em qualquer parte do mundo.

Então, Gil, durante o dia, vê-se obrigado a seguir a sua noiva e a ouvir explicações de Paul (Michael Sheen), o “pseudo-intelectual” (termo usado aqui com sentido pejorativo), até que à noite, sozinho pelas ruas da cidade, ao soar das doze badaladas, chega um carro que o leva para a sua época predilecta: Paris dos anos 20. E de repente, se vê amigo de Scott e Zelda Fitzgerald (Tom Hiddleston e Allison Pill), ouve Cole Porter (Yves Heck) numa festa, conversa com Ernest Hemingway (Corey Stoll), vê o seu romance ser avaliado por Gertrude Stein (Kathy Bates), observa, em primeira mão, o processo criativo de Picasso (Marcial Di Fonzo Bo), dá conselhos a Luís Buñuel (Adrien de Van), discute rinocerontes com Salvador Dalí (Adrien Brody), apaixona-se por Adriana (Marion Cotillard), a amante dos artistas da altura.

Mais uma vez, Woody Allen se serve da loucura da personagem principal como pretexto para escrever o argumento; porém, naquele jeito único e fantástico que a já nos habituou, mantém uma ténue fronteira entre a realidade e o sonho, a loucura e a sanidade mental. E para que nos interessa o estado mental da personagem? O que poderá ser mentira para uns, poderá ser verdade para outros. É subjectivo. O que interessa realmente é o modo como o realizador pega nesta pseudo-loucura para abordar e criticar socialmente vários modos de estar na vida. E deixa sobretudo a mensagem que um pouco de nostalgia nem faz mal a ninguém, mas se o indivíduo viver agarrado ao passado, com saudades das épocas que, para o próprio, foram as melhores, acaba por não aproveitar o presente da forma que deveria.

No fundo, a personagem principal da fita acaba por ser Paris. Em qualquer momento do filme é possível verificar imagens e planos de fundo encantadores da cidade. É impossível não ficar tentado a ir à agência de viagens mais próxima logo que saia da sala de cinema!

Assim, em jeito de dedicatória de amor e postal de publicidade a Paris, Woody Allen oferece-nos um excelente filme de comédia, com promessa de bom entretenimento e sem momentos mortos! Um argumento bem feito, em que nada é deixado ao acaso. E desengane-se se recear que Owen Wilson é bom apenas para outro tipo de comédia; o casting de actores e as suas performances estão, sem dúvida, ao nível da qualidade que esta fita apresenta. Sem esquecer da sátira deliciosamente mordaz e a abordagem a assuntos que merecem reflexão e discussão.

Definitivamente a ver! 4,5/5

httpv://www.youtube.com/watch?v=qfk6gkcr2zU&feature=related

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