Cinema

Spy Kids 4 – Todo o Tempo do Mundo: a introdução de uma quarta dimensão

E chegou a quarta sequela de Spy Kids: Todo o Tempo do Mundo. Mas desta vez, há uma novidade: apresenta-nos uma quarta dimensão, a dimensão dos aromas. E será que tal ideia inovadora merece o seu devido destaque, sendo uma “mais valia” para o filme? Não, na verdade, não.

Este novo filme realizado por Robert Rodriguez, conta a história de Marissa Wilson (Jessica Alba), uma espia de topo da OSS (Organization of Super Spies) que decide reformar-se, dedicando-se ao papel de mãe e de madrasta de Rebecca e Cecil Wilson (Rowan Blanchard e Mason Cook), gémeos bastante inteligentes mas endiabrados, sempre prontos para construir novas engenhocas e pregar partidas, filhos de Wilbur Wilson (Joel McHale), um jornalista desesperado para fazer um programa de televisão que tenha a fórmula do sucesso.

A vida por aqueles lado, na família Wilson, parece ocorrer calmamente, até que surge o TimeKeeper (Jeremy Piven), o terrível vilão que ameaça tirar ao mundo todo o tempo que existe, para que se dê o “Armageddon”. Deste modo, Marissa terá de voltar à acção, desta vez com a ajuda das crianças, que se tornam Spy Kids. Também, terá a ajuda dos seus sobrinhos, nada mais que Carmen e Juni Cortez (Alexa Vega e Daryl Sabara), os Spy Kids das sequelas anteriores, agora adolescentes.

Já é do conhecimento comum desconfiar-se da qualidade dum filme quando começam a aparecer números cada vez maiores no seu título, na medida em que, em regra geral, existe uma função proporcionalmente inversa entre o número de sequelas e a sua qualidade. E neste caso, esta teoria confirma-se. É um filme de acção sem acção propriamente dita e sem qualquer suspense. Nem as performances dos actores se salvam, ficando aquém das expectativas. Todavia, na tentativa de ter alguns momentos cómicos, provavelmente das únicas apostas positivas é o cão-robot (voz do comediante Ricky Gervais).

Relativamente ao aroma-scope, é decerto fácil de usar (apenas é necessário esfregar o dedo no número da placa, assim que este apareça no filme); porém, tal ideia inovadora acaba por não trazer nada de interessante ao filme. É que primeiro, os aromas que nos dão a cheirar são poucos relativamente aos cheiros que “aparecem” no filme; segundo, por vezes, os aromas parecem não corresponder à imagem que nos aparece; terceiro, com este procedimento, acaba por “cheirar a pouco”, não preenchendo os requisitos necessários para se formar uma quarta dimensão. É capaz de ficar mesmo com a sensação que esta foi uma tentativa algo desesperada de trazer público a ver o filme e fazer render o conceito do Spy Kids.

Portanto, acaba por ser um filme, de certo modo, débil, com argumento e performances  algo pobres, em que dos únicos pontos positivos a considerar é a imagem em 3D.

Contudo, é necessário repararmos nesta ideia da quarta dimensão, da dimensão dos cheiros que, apesar de não ter resultado neste filme, poderá ser o início de um novo conceito para o cinema actual. Assim, como podemos observar a evolução em pequenos passos do 3D, também poderemos observar a evolução do 4D. Quem sabe se, daqui a uns tempos, não teremos alguma sala em Portugal equipada para lançar cheiros que estejam de acordo com o filme? Aqui fica a chamada de atenção.

1,5/5

httpv://www.youtube.com/watch?v=C8uZYU-iDCk

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