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«Cândida – Uma História Portuguesa», a reflexão do artista

Já se encontra em cena na sala azul do Teatro Aberto a peça “Cândida – Uma História Portuguesa”. É uma narrativa que se dedica a vida de Cândida Branca Flor, conhecida cantora dos anos 80, tal figura que trespassava sempre uma alegria contagiante, mas que acabou surpreendentemente por se suicidar, em 2001.

É uma peça inesperadamente diferente; não é um musical nem nada que se parecesse, é uma peça intimista que se serve de um monólogo na primeira pessoa para contar a história da própria; portanto, é uma ideia interessante, num local de acção curioso: nos camarins do Festival RTP da Canção de 1982, momentos antes de ir cantar Trocas e Baldrocas, provavelmente o momento áureo da sua carreira.

“Foi num artigo no Expresso que despertou este espectáculo. Tinha explodido o fenómeno do Big Brother e alguém comparava essas celebridades televisivas à morte da Cândida. Esta coisa da fama é curiosa. Sobretudo o seu lado cretino. E a vida foi muito cretina com ela. A Cândida”, assim escreve André Murraças, o autor da peça.

Contudo, esta peça não é realmente sobre Cândida; na verdade, a sua história serve de pretexto e ponto de partida para abordar as angústias, as tristezas, a solidão que se esconde por detrás da máscara do artista. Essa parte que nunca ninguém sabe nem imagina.

Apesar de, por vezes, a narrativa cair um pouco na mera conversa “de circunstância”, nunca em qualquer momento deixamos de poder admirar a excelente interpretação de Cândida, por parte da actriz Sílvia Filipe. Quanto a esta experiência, Sílvia comentou com os jornalistas ser “Coisa inesperada, não imaginaria tal coisa (…) Mas adorei o desafio”. A actriz explicou ainda que a construção da personagem se apoiou na pesquisa de André Murraças, tendo depois conversado com amigos e agentes da cantora. É que não havia muito sobre a “Cândida pessoal”, só a “Cândida profissional”.

E é exactamente sobre isso a que esta peça se dispõe a reflectir, sobre os dramas e sentimentos por detrás daquele sorriso, daquela imagem do artista; e também sobre o envelhecer.

“Só espero que ela goste do que fizemos e perceba que este espectáculo não é sobre ela. É para ela e para todas as Cândidas da música e outras artes, para aqueles que as imitam e para os que querem ser essa ilusão”. André Murraças

Em cena até 2 de Outubro

4ª a Sábado às 21h30

Domingo às 16h

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