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“O Caderno de Maya” de Isabel Allende

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É em entrevista a Rita Silva Freire, jornalista do Sol, que Isabel Allende fala sobre a sua mais recente obra: O Caderno de Maya.

Este livro nasce de um pedido por parte dos seus netos: que escrevesse um romance cujo tema lhes interessasse. A obra fala sobre uma rapariga de 19 anos, nascida em Berkeley, que entra no mundo das drogas, crime e prostituição. Trata-se de uma fábula contemporânea onde o amor dos avós surge como salvação de Maya.

Isabel Allende começa por explicar que “Maya é uma rapariga saudável, atlética, boa estudante, inteligente e muito ligada aos avós”, de tal modo que “Quando o seu avô morre e a avó entra numa profunda depressão, ela perde o rumo, torna-se rebelde, faz más amizades, quebra a lei, consome álcool e drogas, foge de casa e da escola.” O ambiente em que a escritora insere a personagem principal da obra representa o mundo real, o mundo cheio de perigos que começam na internet de onde provêm de forma fácil e influenciadora a pornografia, a violência e o crime. No fundo, diz a autora, “O que no livro acontece a Maya pode acontecer a muitos miúdos”.

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Isabel Allende refere que não foi necessária uma grande pesquisa sobre as drogas (“Só tive que averiguar quais as drogas da moda do momento.”) e o seu contexto porque conheceu de perto a toxicodependência, isto a respeito dos enteados que, como se sabe, eram toxicodependentes. Ainda a propósito deste assunto, a autora de Casa dos Espíritos explica que as drogas deviam ser legalizadas, isto porque “a toxicodependência não é um problema militar ou policial, é um problema de saúde pública e educação (… ) Ao legalizar as drogas podia-se controlar as drogas duras, cobrar impostos. E empregar os biliões que se gastam em balas e prisões em reabilitação de dependentes, em dar educação aos jovens e oportunidades de participar na comunidade, de trabalhar.” Acrescenta ainda que “Ao legalizar a droga não se acabará com a toxicodependência, mas acabar-se-ia com o crime.”

Em razão de ter dito, numa outra entrevista, que Maya tinha sido a personagem com que mais sofreu, a escritora chilena explica que a personagem podia ser uma das suas netas, isto porque a sua construção se baseou em aspetos de Andrea e Nicole, suas netas, e diz ainda que o sofrimento causado por Maya aconteceu porque “não sabia como salvá-la dos perigos que a cercavam e da sua própria imaturidade face ao drama da toxicodependência.”

A estrutura de O Caderno de Maya apresenta um romance de suspense, com estrutura de thriller, porque, diz Isabel Allende, assim sugeriu o seu marido, “que é escritor de policiais”. Este tipo de escrita é desafiante para a autora que nunca recorre a guiões para escrever e uma vez que tinha de ir deixando pistas para o desenlace, tornou-se complicado desenrolar toda a história que tinha para contar.

Quanto à ideia de que o misticismo e o espiritismo ocupam lugar em todas as suas obras, Allende é sintética: “é um aspeto essencial da minha própria vida. (…) A morte é um grande inconveniente mas, quando existe amor, não é um obstáculo para a comunicação. Sinto a minha filha Paula sempre presente, é minha companheira.”

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Se o Jornalismo não se pode considerar uma ciência temos certamente de olhá-lo como uma arte. A arte de saber contar estórias e marcar a história. Estudante de Jornalismo (ESCS-IPL)

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