Destaques

Especial: Melhores álbuns de 2011

E no último dia de 2011, resta relembrar o que passou e fazer um balanço do que foi bom e o que foi mau. Resta, portanto, reflectir sobre o que se destacou durante o ano e fazer o merecido reconhecimento.

Com base nessa ideia, seleccionou-se os artistas que mais se destacaram em 2011, por terem dado que falar, a nível de reacções junto dos meios de comunicação social, mas sobretudo a nível da qualidade dos seus trabalhos.

Apresentamos assim uma selecção de 10 artistas internacionais que merecem o devido destaque, pela qualidade que lhes reconhecemos e críticas gerais positivas, estando inclusivé presentes em vários tops de melhores álbuns do ano de várias revistas e vários jornais influentes.

James Blake – James Blake

2011 foi, sem dúvida, o ano de James Blake. Com apenas 23 anos, já se tornou num fenómeno.

Ainda decorria o ano de 2010, quando se ouviu falar deste nome como uma promessa para o próximo ano (ficou em 2ºlugar no Sound of 2011 da BBC, atrás de Jessie J). E em Fevereiro confirmou-se esta aposta, quando saiu o seu álbum James Blake. Foram lançados os singles Limit to Your Love e The Wilhelm Scream, amostras de um álbum inovador, coeso, com várias influências musicais, uso e abuso de vocodors e auto-tunes a fazer frente a uma belíssima voz. Um álbum em que, primeiro se estranha, depois entranha-se.

Blake deu ainda provas que não consegue ficar parado, tendo ainda lançado, em Outubro o Enough Thunder EP (que começa logo bem com Once We all Know), da qual se lançou o single A Case of You, um cover de Joni Mitchell.

Ainda se destaca a fantástica colaboração com outro nome que presente nos melhores de 2011, Bon Iver, intitulado Fall Creek Boys Choir.

De referir ainda a sua presença em Portugal, por duas vezes este ano, nos festivais Optimus Alive e Vodafone Mexefest, tendo, no último, conseguido encher o Teatro Tivoli e dado um concerto que confirmou e ultrapassou as expectativas.

James Blake no Vodafone Mexefest

Muito provavelmente, o artista do ano. Por ter trazido o Dubstep até à ribalta e ter-lhe mudado a face, acrescentando-lhe Soul, tornando-a mais minimalista e emocional. É, agora, considerado um dos nomes mais influentes do estilo pos-Dubstep.

Música-Chave: The Wilhelm Scream

Pj Harvey – Let England Shake

Qualquer artista com uma carreira que dure há mais de 20 anos, poderá ter tendência a acomodar-se e não sair do mesmo registo. Mas Pj Harvey não. Afasta-se do seu registo anterior White Chalk, mais intimista, para abordar temas sobre a guerra e sobre o estado de Inglaterra. É portanto uma reflexão política sobre o seu país e repercussões que ficaram da Primeira Guerra Mundial  que apresenta um conjunto de temas coesos e intensos, com letras desconcertantes e acutilantes. E a coragem para arriscar que  falta muitas vezes a um artista, é coisa que parece transbordar a Polly Jean, apresentando novos instrumentos e novas sonoridades (que podem roçar por vezes a folk, em The Words That Maketh Murder, um dos pontos máximos deste álbum).

Excusado será dizer que este álbum tem presença constante em praticamente todos os tops de melhores do ano, arrecadando mesmo o primeiro lugar no The Guardian, na Uncut, na Mojo, na NME e o segundo lugar em várias outras publicações como a Q magazine ou a Spin.

E ao décimo álbum, Pj Harvey deixa-nos em reflexão.

Música- Chave:  The Words that Maketh Murder

httpv://www.youtube.com/watch?v=Va0w5pxFkAM

Adele – 21

Apesar da tenra idade, Adele já dispensa apresentações. Álbum do ano para uns e personalidade do ano para outros, Adele foi presença assídua em qualquer órgão de comunicação social, tendo provavelmente sido a artista que mais vezes tocou na rádio ou que mais vezes os seus telediscos tenham passado na televisão, nomeadamente com os seus êxitos mundialmente aplaudidos Rolling in the Deep ou Someone Like You.

Senhora de uma enormíssima voz que transparece qualquer dor ou emoção. E é disso que 21 transmite; em registos inspirados tanto soul, pop ou country, há a demonstração mágoas e tristezas, capazes de tocar a qualquer um.

Depois de 19 ter deixado altas expectativas quanto ao seu trabalho sucessor, Adele mostrou com 21 que é digna de tais elogios e que veio para ficar.

Música-Chave: Someone Like You

Nicolas Jaar – Space is Only Noise

Para a grande maioria, o nome Nicolas Jaar é certamente desconhecido; contudo, quem conhecer o seu trabalho irá entender porque é que este jovem Norte-americano (mas que passou grande parte da infância em Santiago do Chile), de 21 anos, entra na lista de melhores de 2011.

Faltam palavras para caracterizar o seu álbum de estreia Space is Only Noise. É composto por canções algures entre o digital e o acústico, recorrendo a “samples” vocais ou à própria voz; é composto por fragmentos de som, R&B, jazz, soul, dubstep e sobretudo electrónica, e mesmo de silêncio. É um álbum minimalista, hipnotizante (como o tema Space is Only Noise if You Can See, entre outros), inclassificável, diferente de tudo o que se já tenha ouvido. É único.

De referir a presença de Jaar no nosso país por duas vezes este ano, uma em Junho, tendo contado com a participação de Carminho, e outra em Julho, no Festival Super Bock Super Rock, tendo ainda agendado outro concerto em terras lusas, dia 23 de Janeiro, no Lux.

Serve como um escape à realidade, sendo uma viagem a outros mundos, a novas sonoridades que nem imaginávamos poder existir.

Música-Chave: Space is Only Noise if You Can See

The Black Keys – El Camino

Não esquecer dos responsáveis por trazer o blues-rock de novo à ribalta (ainda por cima agora, com a extinção de The White Stripes). E o seu sétimo álbum, El Camino, não é excepção.

Contando com a colaboração de Danger Mouse na produção, este trabalho continua a linha estética  do género que os caracteriza; mas desengane-se se achar que não trás nada de novo; as faixas são marcadas pela sua imprevisibilidade, ritmo mais acelerado, batidas mais fortes, riffs impetuosos e letras mais aguçadas. Podemos ver sem dúvida um processo que nunca retrocede; é que, depois de álbuns anteriores que se deu primazia à vertente Blues (incluindo o seu antecessor de grande sucesso, Brothers), desta vez notamos uma viagem até ao Rock&Roll puro.

Na Era da electrónica, é sempre reconfortante saber que ainda há quem se interesse por explorar as bases fundamentais do Rock&Roll.

Música- Chave: Lonely Boy

Tyler The Creator – Goblin

Este ano também foi o de Tyler The Creator, a assumir a dianteira do colectivo Odd Future e a ascender ao status de fenómeno.

É certo que bad boys há muitos, mas este é diferente. Destaca-se pelas músicas sombrias, pelas letras atormentadas e ultra-violentas (de lembrar que apenas tem 20 anos de idade). Aliás, é prova disso o seu single Yonkers, em que se pode deparar com um diálogo entre o artista e a sua consciência, havendo, deste modo, contradições propositadas de um verso para o seguinte; é acompanhado de um teledisco bastante explícito e turbulento, mas que não deixa de surpreender pela positiva.

Arrisca-se mesmo a dizer que é inovador.

httpv://www.youtube.com/watch?v=XSbZidsgMfw

Lykke Li – Wounded Rhymes

Era difícil superar o seu álbum de estreia Youth Novels, mas essa foi tarefa que não custou à sueca Lykke Li, apresentando Wounded Rhymes, o seu sucessor.

 Mais profundo, sofisticado, emotivo, intenso, cheio de competições, entre sentimentos, forte e vulnerável, entre a música e o silêncio, entre o ritmo e a melodia. E é ecoado por uma voz mais forte da que nos habituámos do álbum anterior. Provavelmente tem em Get Some o expoente máximo do trabalho, sendo considerado por muitos uma das melhores músicas de 2011.

Música- Chave: Get Some

httpv://www.youtube.com/watch?v=-TTPGAy5H_E&ob=av3e

Arctic Monkeys – Suck It and See / Alex Turner – Submarine Sountrack EP

O muito esperado quarto álbum da banda, de nome algo polémico, veio com um sabor “agridoce”. É que ficámos a perceber que os tempos de I Bet You Look Good on the Dancefloor ou When the Sun Goes Down já foram, mas que, em vez disso, ficou uma sonoridade muito mais madura.

 Ainda é possível verificar algumas influências do hard-rock de Josh Homme (lembre-se que este co-produziu o álbum anterior Humbug), nomeadamente em temas como Brick by Brick ou Don’t Sit Down Because I’ve Moved the Chair. Mas, desta vez, surgem outros registos mais elaborados, por vezes entre rock e o pop. Mas há algo que nunca muda: as fantásticas e extremamente descritivas letras de Alex Turner.

Música-Chave: The Hellcat Spangled Shalalala

Alex Turner ainda merece outra referência este ano, pelo seu magnífico trabalho na banda sonora de Submarine, de Richard Ayoade. Músicas (ou baladas, como preferir) recatadas e extremamente sofisticadas, sem nunca faltar as letras visuais com grande toque de realismo. É difícil muitas vezes ter uma banda sonora que se corresponda com o filme, e esta assenta que nem a uma luva a Submarine. Certamente, das melhores bandas sonoras do ano.

Música-Chave: Piledriver Waltz

M83 – Hurry Up, We’re Dreaming

Não podíamos deixar de mencionar o trabalho mais recente do francês Anthony Gonzalez (e os seus músicos), dado que foi daí que resultou uma das melhores músicas de 2011, Midnight City, que conta com uma energia contagiante, capaz de “incendiar” qualquer pista de dança.

Mas também não deve ser deixado de mencionar as outras faixas do álbum, que fazem juz ao seu título; é que estamos perante sonhos contados. Tem a capacidade de nos levar numa viagem introspectiva e ao imaginário.

Em 1 hora e 20 minutos (o álbum é duplo), podemos abstrair da realidade e apreciar músicas de grande preenchimento musical, emocionais, que transbordam felicidade.

Música-Chave: Midnight City

httpv://www.youtube.com/watch?v=dX3k_QDnzHE

Lady Gaga – Born This Way

As razões que levam a que Lady Gaga se encontre nos melhores do ano são mais relacionadas com a artista em si do que propriamente com o seu álbum.

Pela capacidade de saber como manipular os órgãos de comunicação social e jogar com a sua imagem, tendo sido das artistas que mais apareceu este ano e que mais interesse suscitou. Pela capacidade de se destacar das outras cantoras do mesmo género e criar verdadeiros hits que se tornam hinos, indo perdurar por vários anos. Conseguiu mudar o conceito de artista; daí, o nosso reconhecimento.

Música-Chave: Born This Way

Apesar de não terem entrado nos 10 melhores de 2011, existem vários artistas que se destacaram e que o seu trabalho deve ser indubitavelmente mencionado:

 Bon Iver – Bon Iver

The Weeknd – House of Baloons

Jay Z & Kanye West – Watch the Throne

Metronomy – The English Riviera

Girls – Father, Son, Holy Ghost

St. Vincent – Strange Mercy

Florence + the Machine – Ceremonials

Coldplay – Mylo Xyloto

Amy Winehouse – Lioness: the Hidden Treasures

Foster the People – Torches

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