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SoundCloud | Adele, a artista de 2011

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2011 está a acabar mas ainda há tempo para o último SoundCloud do ano. E antes que 2011 “Rolling In The Deep”, vamos “Set Fire To The Rain” e celebrar “Someone Like You”, Adele.

119318067PB038_2011_MTV_VidConfesso que andava à espera deste momento há algum tempo. Falar de Adele é falar de um verdadeiro fenómeno musical. Não é Beyoncé, não é Gaga. É a refrescante sonoridade que a cultura musical mainstream precisava. Em 2011, Adele chegou. Em 2011, Adele viu. Em 2011, Adele venceu. É por isso que é a Artista do Ano.

2011 começou com o número que viria a mudar a vida da cantora. O álbum “21” foi lançado no dia 24 de janeiro,  na Europa e um mês depois nos EUA. A essência do álbum tem influências tão diversas que  vão desde Kanye West a Sinéad O’Connor, passando por Mary J Blige, Alanis Morissette e The Steel Drivers. O resultado é uma mistura entre o R&B, o Jazz, o Gospel, o Pop meio alternativo… e até a Bossa Nova. De facto é difícil classificar a música de Adele pela diferença que representa relativamente aos seus pares. Mas provavelmente essa é a razão do seu sucesso. Por mais que tente, não consigo enquadrá-la na Pop atual, com sonoridades tão vintage numa altura em que o electro-pop é a palavra de ordem. Podia chamar-lhe “Soul”, mas esta é uma classificação muito associada à cultura afro-americana, na qual Adele não se define de todo.  Talvez o melhor mesmo seja uma mistura entre ambos: um Pop requintado com tendências soul.

A verdade é que 2011 se fez ao som de Adele. Rolling In The Deep” foi conhecido no final de 2010 e popularizou-se em todo o mundo em 2011. A música tornou-se estranhamente um êxito dos top’s internacionais, pelo sonoridade tão diferente de músicas como as de Lady Gaga ou Katy Perry que têm predominado. O single rapidamente entrou para as playlists das rádios e o resto já todos sabemos. No final do ano, esta é a música mais ouvida nos EUA, segundo a Billboard, e para a Rolling Stones é a melhor música de 2011. Apesar do sucesso da canção nas primeiras semanas do ano, acho que o momento-chave que deu a conhecer Adele ao mundo acontece em Fevereiro. A cantora interpretou “Someone Like You”, o segundo single do álbum, na cerimónia dos Brit Awards. Esta é provavelmente das performances mais faladas de 2011. Nos instantes finais da performance a poderosa voz de Adele cedeu e deu a conhecer o lado mais vulnerável de Adele – a cantora não resistiu à pressão e chorou em palco. Mais tarde, viria a confessar ter imaginado o ex-namorado, sobre quem cantara, rir-se em casa enquanto via a cantora na televisão. A reação dos agora fãs da cantora (e que na altura não a conheciam) não foi certamente essa. Nos dias seguintes à atuação, as vendas dos dois discos da cantora aumentaram exponencialmente. O processo viria a repetir-se, mas sem lágrimas, quando Adele cantou a mesma música na noite dos MTV Video Music Awards em Agosto. O terceiro single seria lançado já nos últimos meses do ano. “Set Fire To The Rain” explora mais uma vez as potencialidades vocais da cantora.

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Enquanto tudo isto acontecia, Adele embarcara numa digressão pela Europa e a América do Norte para promover “21”. A digressão que começou em Março passou por algumas das salas mais emblemáticas e só não passou por mais porque, em Outubro, os últimos concertos nos EUA foram cancelados. A cantora foi forçada a parar de cantar, depois de lhe ter sido diagnosticado um problema de saúdo ao nível das cordas vocais. Entretanto a cantora foi operada e já está a recuperar. Quanto à digressão, Adele ainda foi a tempo de a gravar para que todos aqueles que não puderam assistir se deliciarem. O espetáculo que a cantora apresentou no Royal Albert Hall, em Londres, foi editado em CD e DVD em Novembro. Por terras lusas, este tornou-se o presente musical de Natal preferido dos portugueses, com a merecida liderança das tabelas de vendas. De fato, ouvir e ver Adele ao vivo é uma experiência digna de ser vivida. A emoção que Adele imprime na interpretação vocal das músicas é rara, principalmente para canções biográficas tão melancólicas como aquelas que canta.

Embora conformada, em “21” Adele continua deprimida, depois do fim do relacionamento amoroso que a devastou, à semelhança do que havia acontecido em “19”, o álbum antecessor. Cada faixa do disco tem qualquer coisa de melancólico que acaba por nos deliciar. Chega a ser caricato gostarmos de ouvir Adele cantar ao vivo. Afinal é uma pessoa que ali está a falar das suas mágoas mal resolvidas, em puro sofrimento, e no final toda a gente aplaude. Não ficará ela ainda pior? Eu ficava. Ou será essa a razão do sucesso de Adele? O desejo mórbido por ver os outros sofrer?! Quero acreditar que não.

Chega assim ao fim 2011 com Adele ausente, mas sempre presente nos rádios e leitores de música de todo o mundo. O ano de 2011 colocou a fasquia tão alta para Adele, que as expectativas para os próximos trabalhos da cantora são altíssimas, tanto por parte dos admiradores, como pela crítica que atribuiu glorificações, dignas de uma diva com uma carreira, feita a uma jovem de 23 anos. A responsabilidade é muita, mas o talento de Adele não é menor. A cantora britânica conquistou o seu lugar no mundo da música, em 2011. É uma artista inovadora, diferente e refrescante na cena musical. Na era em que tudo parece semelhante e feito do mesmo, a distinção parece ser o caminho mais sensato. Por tudo isto, em 2011 não haveria outra hipótese senão eleger Adele como Artista do Ano.

Resta desejar um fantástico 2012 a toda a comunidade propagandista que por aqui vai passando. No ano do fim do mundo, o SoundCloud combate a crise com o melhor do Showbizz. Para 2012, as previsões no SoundCloud são de ondas musicais de mil metros de altura, álbuns pouco nublados, céu recheado de estrelas cantantes, e antecipa-se ainda a chuva de meteoros musicais que atingirá Portugal. Bom 2012!

Para celebrar o ano de Adele proponho o concerto que a cantora apresentou no iTunes Festival:

E para festejar o ano de 2011 e começar a festa para 2012, deixo-lhe o re-mix com os maiores êxitos do ano que agora termina:

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