Cinema

Crítica: A Minha Semana com Marilyn

Estreou na Quinta-feira passada, dia 5, nas salas de cinema portuguesas A Minha Semana com Marilyn, filme que descreve o período que Marilyn Monroe esteve em Inglaterra, a fim de filmar O Príncipe e a Corista, de 1956.

De facto, este filme é sobre Marilyn Monroe. Mas desengane-se se pensar que é sobre a sua vida; é antes um retrato sobre o que realmente se passou nos bastidores do filme, do ponto de vista de Colin Clark, o jovem de 23 anos feito assistente de realização. Portanto, aqui, curiosamente, esta ícone é apenas uma personagem secundária.

Ficamos a conhecer a origem familiar de grandes posses de Colin e a sua grande ambição em estar ligado ao mundo do cinema. Saiu de casa dos seus pais no campo e seguiu o seu sonho até Londres. E rapidamente chegou até a assistente de realização de O Príncipe e o Corista, onde conheceu Marilyn Monroe (que na altura se encontrava recém-casada com Arthur Miller), por quem vai desenvolvendo uma amizade particular e mesmo uma paixão platónica.

Assim, neste filme, baseado no livro homónimo do próprio Colin Clarke, é curioso verificar a dinâmica de trabalho nos bastidores e não apenas a versão filtrada que aparece nos órgãos de comunicação social. Aqui vê-se a realidade como ela é, com a azáfama diária de tentar ter tudo em ordem ou discussões que há entre elenco e realizador ou qualquer outro membro da ficha técnica. Mas, sobretudo, vê-se o Humanismo que existe por detrás daquelas personagens de ficção.

Este Humanismo é principalmente evidente em Marilyn Monroe; é que, por detrás daquela máscara  de deusa perfeita que exala sensualidade esconde-se alguém emocionalmente instável, extremamente insegura de si própria e do seu talento. Vemos assim um contraste entre Marilyn, a personagem forte cliché dos media, e Marilyn (ou Norma Jean), a pessoa que se sente consumida pelos dramas e pressões Hollywood e que apenas queria uma vida simples, longe das luzes e flashes.

Interpretar Marilyn Monroe é sempre um passo bastante arriscado na carreira de qualquer actriz. Mas Michelle Williams conseguiu, sem dúvida, vencer esse desafio. Foi capaz de captar esta dupla personalidade, este antagonismo existente em Marilyn Monroe, na perfeição. As atitudes, os gestos, o modo de falar, o modo de chorar e gritar, o riso… tudo foi reproduzido na perfeição, tornando-se absolutamente deleitoso assistir a tamanha interpretação e talento desta actriz.

De referir igualmente a excelente interpretação de Kenneth Branagh como Sir Laurence Olivier, um dos poucos a não ficar ofuscado pelo papel de Michelle Williams.

É um filme de entretenimento, algo romanceado, que facilmente irá distrair o espectador durante os 99 minutos. Tem um bom cenário e figuração, tendo reproduzido, sem falhas, a década de 50; tem boa fotografia; tem bom casting, podendo-se mesmo afirmar que este filme se destaca principalmente pelas soberbas interpretações. Uma presença (quase) garantida na próxima edição dos Óscares.

Classificação: 3,8/5

httpv://www.youtube.com/watch?v=Yp71-QvcMBU

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