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“Millenium I: Os Homens que Odeiam as Mulheres” estreia esta quinta-feira. Leia a crítica

Depois do estrondoso sucesso da adaptação sueca do livro de Stieg Larsson, “Millenium I: The Girl With The Dragon Tattoo”, a versão de David Fincher chega agora às salas de cinema portuguesas. Tudo começa quando Mikael Blomkvist (Daniel Craig) é contratado por Henrik Vanger (Christopher Plummer), patriarca de uma das famílias mais ricas da Suécia, para investigar o desaparecimento misterioso da sua sobrinha há 40 anos. Lisbeth Salander, uma hacker problemática, é depois contratada para ajudar Mikael e juntos acabam por descobrir que um assassino em série está a solta.

 

 

 

 

Daniel Craig foi o actor escolhido para interpretar o papel do jornalista, contratado para investigar a família Vanger, e a aposta não poderia ter sido melhor. É talvez a melhor interpretação alguma vez feita pelo actor que normalmente é visto como um herói “durão” que aqui dá lugar a um homem submisso e sensível e que encarna na perfeição o seu personagem. 

Rooney Mara seria talvez a actriz mais inesperada para interpretar um papel tão forte como este, tendo feito apenas pequenos papéis sem grande relevo, como no último filme de Fincher, “A Rede Social”. A actriz surpreende e mostra-se devota à sua personagem nesta fita. Ela não interpreta Lisbeth Salander, ela é Lisbeth! Uma personagem com um físico frágil, que já viveu coisas horrendas e que foi extremamente vitimizada mas que recusa ser uma vítima. Rooney Mara foi corajosa em aceitar este papel, mas é com magnificência que “sobrevive” a cada cena de violência e a cada cena de nudez, que exigiram dela uma extrema bravura psicológica. Neste filme testemunhamos o nascer de uma estrela, que é uma das potenciais vencedoras do Óscar de melhor actriz de 2011.

Sem dúvida que é uma adaptação perfeita do best-seller de Stieg Larsson e consegue ser mais fiel ao livro e visualmente mais atractivo que a versão sueca. Os cenários são de cortar a respiração e a fotografia é excelente.

 

 

Fincher mais uma vez mostra o que vale e apresenta um filme perturbante e carregado de humor negro. A sua atenção ao pormenor mostra que este poderá ter sido um dos trabalhos mais entusiasmantes da sua carreira. Este é com certeza um daqueles filmes que mais dividem os espectadores. A promiscuidade, as fortes cenas de violência sexual, o nazismo numa Europa que sentiu no Verão passado com os atentados na Noruega que o racismo e a xenofobia são doenças que ainda não encontraram a sua cura, podem ser temas bastante sensíveis ainda para muitas pessoas. No entanto, é um filme a não perder, uma obra-prima que deve ser vista e re-vista. Uma crítica ao animal mais selvagem do planeta, o Homem.

[xrr rating=5/5]

“The Girl With The Dragon Tattoo” estreia quinta-feira nas salas de cinema portuguesas! Veja aqui o trailer.

                        httpv://www.youtube.com/watch?v=WVLvMg62RPA

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Jornalista Estagiária numa publicação mensal e amante de Cinema e da Cultura nacionais

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