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Ben Sharkey: de Detroit para o Mundo

_MG_8230Benjamin Sharkey, ou simplesmente Ben Sharkey, é o destaque musical que lhe apresentamos. Nascido nos Estados Unidos, Ben já conquistou a cidade de Detroit (estado de Michigan) e o seu primeiro trabalho discográfico surgiu em novembro passado como resultado de uma nova fase do artista que já conseguiu alcançar mais de cinco milhões de visitas no seu canal do Youtube.

Dono de uma voz quente e inconfundível, o cantor aceitou conceder-nos uma entrevista sobre o seu percurso artístico e a sua vida profissional onde se destaca a música como a sua grande paixão.

Propagandista Social: Desde muito cedo, sempre teve tendência para os clássicos como Frank Sinatra, Dean Martim, Bobby Darrin e Chet Baker. O que tinham estes artistas de tão especial?

Ben Sharkey: Na verdade não descobri estes artistas até aos meus 17 anos. Antes disso ouvia essencialmente música Pop e R&B. O que me fez ficar apaixonado por estas vozes foi essencialmente o ambiente de sofisticação que é criado pela própria música. Não há música mais “cool” do que o Jazz. Adoro o sentido “cool” que transparece enquanto oiço e canto estes grandes clássicos. Os artistas que mencionou têm muita atitude nas suas vozes o que combina com a sua aparência. Estes senhores foram modelos para mim e ensinaram-me o que é ser um homem e um cavalheiro.

Sharkey-1PS: Quando ouvia estes artistas, alguma vez imaginou que um dia se poderia tornar num deles?

BS: Quando os ouvia, eu sentia-me um deles. Imaginava-me como um performer enquanto os escutava. A música ajudou-me a escapar à minha vida no campo para uma vida cheia de luxo e classe. A minha imaginação é fulgurante, passo muito tempo a ouvir música. A música chegava a entreter-me mais do que a própria televisão já que eu era o realizador dos meus próprios videoclips (na minha cabeça). Eu não sei muito sobre o meu futuro, apenas sei que gostaria de concretizar os meus sonhos um dia.

PS: Quando é que percebeu que sabia cantar?

BS: Sempre cantei para mim próprio, mas era envergonhado a cantar para os outros. Eu sabia que conseguia alcançar determinadas notas e segura-las. Não sabia o que os outros pensavam sobre a minha voz. Na escola costumava brincar com os meus amigos e cantava as músicas que passavam na rádio, eles encorajaram-me a cantar em frente de outras pessoas.

PS: Foi fácil cantar para outras pessoas?

BS: Eu  conseguia cantar em frente de toda a gente sem problemas. Mas cantar para os meus irmãos foi particularmente difícil. Não tenho bem a certeza do porquê… Penso que foi porque nenhum deles cantava, e lembro-me das suas reações estranhas quando rapazes cantavam na televisão, por isso foi difícil cantar para eles.

PS: Onde e quando foi a sua primeira atuação pública?

BS: Lembro-me que uma das primeiras vezes que cantei num Karaoke foi num bar de um Bowling. Cantei “Don’t Be Cruel” de Bobby Brown mas penso que entrei na música fora de tom ou então o instrumental estava no tom errado e eu, desapontado comigo mesmo, fiquei embaraçado e corri para a casa de banho depois da música ter acabado. Eu não sou do tipo de desistir. Aquela não ia ser definitivamente a minha última atuação.

httpv://www.youtube.com/watch?v=3Bp5pJqWY80

PS: Quando teve a ideia de criar um canal no Youtube?

BS: Quando estava aborrecido, navegava pelos vídeos do Youtube e via alguns cantores a cantar músicas populares com muitas visualizações. Então percebi que podia tentar o mesmo. Não consegui muitas visitas no início, mas depois comecei a ter mais atenção e comecei a ser destacado na página principal do Youtube. Tornou-se algo maior do que eu tinha imaginado.

PS: Acredita que o feedback que recebeu dos comentários nos seus vídeos foram importantes para crescer enquanto performer?

BS: Sim, o feedback ajudou-me a crescer como performer e como pessoa. Aprendi muito acerca de mim mesmo e sobre as pessoas através dos comentários positivos e negativos de uma quantidade considerável de pessoas de todo o mundo. Ganhei amigos e inimigos apenas por publicar vídeos a cantar no Youtube. O mundo é um sítio muito interessante.

PS: Foi importante acompanhar o crescimento do seu canal de Youtube até alcançar a marca dos cinco milhões?

BS: Sim, durante algum tempo apenas estava interessado nas visitas que ia tendo. Mas depois reparei que os meus amigos de outros canais com mais visitas que eu não estavam muito distantes de mim. Foi quando decidi que estava na altura de parar de gravar em casa e começar a atuar em público. Agora, depois de vários espetáculos e de gravar o meu primeiro álbum, vou-me focar nas visitas e atuações para conseguir espalhar a minha música.

imagePS: Em novembro o Ben lançou o seu primeiro album, Day and Night, como é que tudo aconteceu?

BS: Depois de várias atuações ao vivo e de algumas trocas na minha banda, estava preparado para juntar dinheiro suficiente para financiar este projeto. Também quis ter a certeza que encontraria um bom produtor e tive muita sorte em ter encontrado o Eric Hogemever.

PS: Foi difícil a escolha do reportório?

BS: Muito, tinha muitas canções que queria no álbum e foi muito difícil a escolha. Mas eu senti que algumas músicas ainda não estavam prontas e precisavam de mais tempo dedicado aos arranjos. Estou feliz com as canções que estão no álbum e penso que a progressão que existe da faixa 1 para a faixa 11 é tão natural quanto a passagem da manhã para a noite.

Sharkey-17PS: Qual a sua música favorita do álbum e qual a mais difícil de interpretar?

BS: Isso é realmente difícil de responder porque sinto que cada música está por sua conta própria e cada uma tem um significado especial para mim. Se eu tivesse de escolher uma, sinto que “What You’ve Given” representa realmente o que sou como artista neste momento. As primeiras faixas são canções que eu próprio escrevi com a minha guitarra. As últimas faixas foram escritas com a ajuda do Bob Mervak que é um pianista e compositor muito talentoso.Eu escrevi as letras e o Bob ajudou-me a interpretar o arranjo já que as minhas aptidões para a escrita são limitadas. Muitas vezes eu construía a música como uma referência ou como um molde para o que eu queria e o Bob tornava a interpretação em algo mais sofisticado.

PS: Acha que este trabalho é representativo da sua carreira musical?

BS: Penso que este trabalho representa o meu crescimento enquanto artista. As primeiras faixas do álbum são simples e num estilo mais Pop enquanto as últimas representam a transição para o Jazz. Coloquei as canções no álbum intencionalmente desta forma porque penso que são também representativas da progressão do amor. O amor começa de forma tão simples como uma paixão súbita, que é tipo uma canção pop. Depois começa a ficar mais complicado e intenso como um bom arranjo de Jazz.

390968_297843676901854_216794295006793_1136972_1159154853_nPS: Como definiria o seu percurso como cantor?

BS: Se estiver a falar da Voz como um instrumento, aprendi e pratiquei o canto todos os dias e tive um trabalho árduo para dar o meu melhor. Penso que é importante para um vocalista conhecer a sua voz assim como um saxofonista deve conhecer bem o seu instrumento, mas é realmente importante para um vocalista saber como converter as emoções em música e saber interpreta-las numa atuação. Uma canção pode ser maravilhosamente bem escrita, mas se o vocalista não souber passar a emoção então a canção perde-se no ouvinte.
Se estiver a falar do meu percurso enquanto artista e compositor, tem sido definitivamente muito interessante. Para se ser músico, poeta e filósofo é preciso ser sensível às pequenas coisas da vida e ao mesmo tempo ver uma imagem mais geral. Eu estou a aprender todos os dias como escrever melhor, e sei que tenho de ser um perfeccionista para conseguir comunicar exatamente o que quero ao ouvinte. Para isso tenho ouvido muitas grandes canções, disseco-as e tento perceber o porquê de serem grandes hits aplicando o que aprendo nas minhas próprias canções sempre tentando fazer coisas novas.

Ben Sharkey Personal BlogPS: Além de cantor, o Ben é também um artista multimédia e faz pintura a óleo. Como é que consegue conciliar as duas vertentes?

BS: Música e arte andam sempre de mãos dadas. Sempre que pinto, tenho música a tocar e tenho um caderno perto de mim onde escrevo as letras que me possam surgir. Enquanto oiço música, várias imagens surgem-me. Por isso, penso que arte e música são um par natural e mal posso esperar pelo dia em que vou começar a trabalhar com profissionais de vídeo para criar videoclips e assim combinar o meu amor pela música e arte.

PS: Quais são os seus projetos para 2012?

Estou a pensar lançar alguns videoclips de músicas do álbum. Se tudo correr bem, vou expandir as minhas fronteiras fazendo alguns concertos fora de Detroit bem como alguns concertos de maior dimensão na minha cidade. Tenho algumas pessoas espalhadas pelo mundo, incluindo você, que me ajudam a espalhar o meu nome. Sou muito agradecido por isso.

Conheça mais sobre o Ben Sharkey:

http://www.bensharkey.com

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Compre o album Day into Night no iTunes

 

Entrevista: Filipe RIbeiro
Fotos: David Lewinsk e Emin Kadi

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Estudante de Farmácia, amante das ciências e das artes. Gosto particular por entretenimento em diversas áreas: televisão, cinema, teatro, música.

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