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SoundCloud: “Rainha da Pop” até quando? (a crítica ao regresso de Madonna)

Na última edição do SoundCloud falei do tão aguardado regresso de Madonna. Afirmei que com todo o aparato que se havia criado em torno do novo álbum, o título de “rainha da Pop” ainda lhe pertencia. Mas será que o trono lhe pertencerá por muito mais tempo? O SoundCloud de hoje reflete sobre o primeiro single de “M.D.N.A.” e respetivo hoje que foram lançados hoje na internet.

A demo que vazou na Internet em Novembro do ano passado animou os fãs, e soltou suspiros de alívio: Madonna estava de volta, e com ela, esperava-se uma nova sonoridade… e claro, novas colaborações. O último álbum de estúdio da cantora, Hard Candy, de Abril de 2008, tornou evidente ao mundo as novas influências e estilos que pairavam sobre o ícone pop: as colaborações com Pharrell Williams, Timbaland e Justin Timberlake, traduziram-se numa miscelânea de músicas mais hip-hop e dance num ambiente underground.

As expetativas em torno do conceito do novo álbum, M.D.N.A., com data de saída marcada para dia 26 de Março só podiam por isso ser altas, face ao historial de hits de “Madge”.

Como anda nisto há já algum tempo, Madonna sabe mais do que ninguém a necessidade de se promover, sair da clausura de produção do álbum, e começar a divulgar detalhes sobre o seu trabalho. Numa sucessão de entrevistas, Madonna foi avançando, entre Dezembro e Janeiro, nomes de pessoas com quem colaborou (Nicki Minaj, M.I.A.), e divulgando as capas do single (Give Me All Your Luvin’) e do álbum.

A capa do álbum “M.D.N.A.” (à esquerda) e a capa do single “Give Me All Your Luvin’” (à direita).

Preparada para no dia 5 se encarregar do entretenimento no intervalo do maior evento desportivo Americano (Superbowl), a Material Girl lançou oficialmente hoje (3) o vídeo para o single do novo álbum.

Give Me All Your Luvin’ tem 3 minutos e 45 segundos de pop, no seu estado mais puro (para o bom, e para o mau). A progressão rítmica é muito semelhante a muitas outras de contemporâneas suas, mas impregnado com pequenos detalhes e frases-gancho que facilmente entram no ouvido. As contribuições de Nicki Minaj e de M.I.A. ficam aquém das expetativas, tanto pela qualidade, como pela duração das intervenções (limitando-se aos coros que gritam por Madonna). Andrew Hampp, da Billboard, quando ouviu o single pela primeira vez, em Novembro, perguntou-se: that’s it? A minha reação foi semelhante, mesmo com a divulgação da faixa na sua versão final.

Mas se a música não é já por si nada de novo, o vídeo também peca pela falta de originalidade: no mundo fantástico e cartoonesco em que Madonna se vê (cheio de glamour, líderes de claque, e jogadores de futebol americano), parece não haver um fio condutor da história, pelo menos à primeira vista. Os momentos em que se vê envolvida com os personagens masculinos fazem lembrar “All The Lovers”, de Kylie Minogue. Apesar disso, pequenos detalhes conseguem por um sorriso nos lábios, como o evocar de momentos altos da sua carreira: o beijo entre raparigas, numa alusão à sua atuação nos VMAs em 2003, e o rebolar num mini-palco, que relembra a atuação em 1984 dos mesmos prémios da MTV.

Mas se a regra se aplica à música, não devemos “julgar um álbum por um single”. Apesar do tema do vídeo e da música estarem em sintonia com o Superbowl, estes não parecem acertar nas “notas certas” da pop atual. Não é bom lançar uma música que Katy Perry, ou até mesmo Britney Spears, pudessem fazer também (repare-se que nem se assemelha à Pop de Gaga).

Críticas à parte, os fãs parecem ter adorado. Após as primeiras horas de apresentação na internet, “Give Me All Your Luvin’” e a edição especial do álbum atingiram a liderança do top de vendas no iTunes e o vídeo chegou rapidamente ao topo dos mais visualizados no Youtube. No final de contas: os mais racionais criticam, mas os fãs deliram. Resultado: Madonna vence… outra vez.

Analisado o que foi feito em estúdio, esperemos para ver o que faz em palco. A prova de fogo é no Super Bowl já no dia 5. Sairá Madonna queimada? Veremos!

Para já o trono ainda lhe pertence. Mas será por muito tempo? É que Madonna já não é a única vanguardista para “o seu tempo” (aliás “o seu tempo” já lá vai). Hoje não faltam bonecos prontos a quebrar as regras, a provocar, a vestir roupas extravagantes e a inovar, não apenas estética mas também musicalmente… e aí Madonna (pelo menos para já) sai a perder. Aguardemos pelos próximos capítulos!

Antes das despedidas, lembro que o Propagandista Social está a acompanhar ao segundo os Grammys. Ao longo da semana temos passado em revista os nomeados das principais categorias e à grande noite (dia 12) contamos-lhe tudo o que precisa de saber sobre os prémios mais prestigiados da música em www.propagandistasocial.com/grammy.

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