Cinema

Óscares 2012: Melhor Filme em Língua Estrangeira

O Óscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira propõe-se a homenagear a excelência cinematográfica para além das fronteiras dos Estados Unidos. O prémio é atribuído desde 1957 como categoria própria.

Conheça os cinco nomeados deste ano:

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Bullhead”, Bélgica

(Realizador: Michael R. Roskam)

Sinopse: Jacky Vanmarsenille é um jovem criador de bois. Deixando-se seduzir pelo comércio de hormonas ilegais para o gado bovino, o homem acaba a fazer negócio com um veterinário sem escrúpulos. Mas o súbito assassinato de um polícia e um inesperado confronto com um misterioso segredo do passado de Jacky levam a uma sucessão de eventos com consequências impensáveis.

Crítica:Bullhead” é um filme em constante mutação. Numa primeira fase, começa como um thriller mal-humorado sobre a máfia. Nada de extraordinário nesta etapa, uma vez que já vimos este enredo em filmes (melhores) de Scorsese, De Palma e Orson Welles. Passadas as primeiras cenas, o filme altera o seu enfoque, centrando-se no estudo de uma personagem angustiada. Jacky não passa de um gigante imponente, cujo corpo aterrador mascara a inocência e fragilidade da criança traumatizada que esconde dentro de si. Eventualmente, “Bullhead” torna-se numa espécie de tragédia grega sobre o poder do passado sobre o presente. Apesar de nem sempre fazer a transição de uma forma graciosa, “Bullhead” é um filme poderoso, que aborda uma temática que provavelmente nunca nenhum de nós perdeu muito tempo a refletir.

“Monsieur Lazhar”, Canadá

(Realizador: Philippe Falardeau)

Sinopse:  “Monsieur Lazhar” conta-nos a história comovente de uma turma da escola Montreal que tenta lidar com as amarguras da morte após o falecimento de uma querida professora. Bachir Lazhar, um imigrante da Argélia de 55 anos de idade, oferece os seus serviços como professor substituto. Agora, ele terá que ajudar as crianças a superarem a morte da professora, ao mesmo tempo que procura lidar com os seus próprios fantasmas.

Crítica: O drama canadiense foi escrito e realizado pelo premiado cineasta Philippe Falardeau, sendo baseado numa peça de Evelyne de la Chenelière. Falardeau proporciona-nos uma aventura dramática sem sequer ter que se esforçar, o filme transforma-se numa poderosa aventura sentimental, que nos envolve e emociona. Com uma elegância e delicadeza excecionais, “Monsieur Lazhar” é poderoso, extraordinariamente poderoso. Por entre bagagens culturais tão diferentes e códigos que separam a interação entre professores e alunos, o encontro entre uma turma e um professor transforma-se numa genial viagem à natureza mais pura do ser humano.

A Separation”, Irão

(Realizador: Asghar Farhadi)

Sinopse: Simin pretende divorciar-se e deixar o Irão, apesar da relutância de Nader, o marido, em deixar o seu pai, um idoso que sofre de Alzheimer. A separação do casal é negada pela justiça mas Simin saí ainda assim de casa. Nader decide então contratar uma jovem mulher para cuidar do seu pai, contudo ele não sabe que a sua nova empregada está a trabalhar sem a permissão do seu instável marido. Em consequência desta situação, Nader vê-se envolvido numa teia de mentiras, manipulação e confrontos em público.

Crítica: O filme iraniano é considerado como o grande favorito a arrecadar o óscar de melhor filme estrangeiro. Profundo e poderoso, o realizador Asghar Farhadi transmite-nos com real honestidade as desigualdades sociais que ainda hoje marcam o Irão. Contudo, o filme vai mais além, tratando temas tão universais como a família, o compromisso com o passado e com o futuro; a compaixão, a perda da inocência, o respeito pelos outros. A sua história é simplesmente sedutora, envolvente e cativante, ao mesmo tempo que é tensa e dramática. Uma verdadeira obra-prima que sairia como um justo vencedor nesta categoria.

Footnote”, Israel

(Realizador: Joseph Cedar)

Sinopse: Esta comédia melodramática sobre o conflito de duas gerações de estudiosos conta-nos a história de Eliezer e Uriel Shkolnik, dois académicos brilhantes que partilham a mesma área de investigação. O pai é obcecado com a sua reputação, contudo é o seu filho que acumula honras, sendo uma estrela por entre os colegas. Uma comédia-drama sobre a relação turbulenta entre pai e filho.

Crítica: É pouco provável encontrar filmes tão estranhos como “Footnote”. Contudo, apesar da sua estranheza, o filme torna-se surpreendentemente desfrutável. O filme de Joseph Cedar é exemplo do que é possível fazer-se com uma trama bem construída e personagens maravilhosamente desenhadas – mesmo que, no final, nenhum deles seja particularmente amável. Pode não ser fácil convencer o público a ir ver “Footnote”, mas no final ele vale a pena cada minuto.

In Darkness”, Polónia

(Realizador: Agnieszka Holland)

Sinopse: Baseado em factos reais, o filme conta-nos a história de Leopold Socha, um trabalhador dos esgotos de Lvov, uma cidade ocupada pelos nazis na Polónia. Quando confrontado com um grupo de judeus que tenta escapar da morte, Socha decide escondê-los nos labirínticos esgotos por debaixo da cidade. O que começa como uma acordo cínico e interesseiro acaba por se transformar numa inesperada aliança entre Leopold e os judeus.

Crítica:In Darkness” apresenta-nos uma história credível e emocionante sobre os efeitos dos tempos de desespero sobre a psique humana. É um filme bastante prosaico, sem grandes momentos dramáticos ou revelações de caráter das personagens, elementos que geralmente são esbanjados pela indústria cinematográfica para adocicar uma obra. E, talvez, essa seja a sua real beleza: é um filme que nos ensina, com uma leveza e naturalidade extraordinárias, que o verdadeiro heroísmo está em perceber que a nossa vida não se resume àquilo que podemos ter, mas ao quanto podemos dar.

 

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