Cinema

Óscares 2012: Melhor Filme de Animação

O Óscar de Melhor Filme de Animação foi incluído oficialmente na cerimónia da Academia em 2001, e pretende premiar o melhor filme animado do ano. Estes filmes podem também ser nomeados para a categoria de Melhor Filme, contudo essa situação é rara: os únicos casos ocorreram com “A Bela e o Monstro” (1991), “Up – Altamente” (2009) e “Toy Story 3” (2010).

Conheça os cinco nomeados deste ano:

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A Cat in Paris

(Realizadores: Jean-Loup Felicioli e Alain Gagnol)

Sinopse:A Cat in Paris” é um filme de animação que nos conta a história de um gato ladrão, Dino, e o seu parceiro de crime humano, Nico. Enquanto deslizam subtilmente pelos telhados de Paris, entram nas janelas abertas em busca de dinheiro. Contudo, Dino tem uma vida dupla que o amigo desconhece: durante o dia, ele é o companheiro de Zoe, uma criança de sete anos de idade, cujo pai foi assassinado pelo chefe de um gang. Quando a criança decide seguir Dino numa das suas aventuras noturnas, acaba por cair nas mãos de um tempestuoso gangster. Agora, os dois vão ter que se unir para salvar Zoe dos trapalhões ladrões.

Crítica:A Cat in Paris” é uma lufada de ar fresco nos filmes de animação. Com muita ação e aventura, e até com um sentido ligeiro de perigo e suspense, o filme é divertido e inteligente, conseguindo captar a atenção até às últimas cenas. Uma nomeação inesperada, mas verdadeiramente justa: estes maravilhosos gatos de paris podem não ter a qualidade técnica dos filmes de outras grandes distribuidoras como a Walt Disney ou a Pixar. Contudo, detém a essência dos grandes filmes de animação. E, às vezes, isso é tudo o que é necessário. Uma fábula encantadora sobre olhar para além das aparências e cultivar lealdades improváveis em tempos de necessidade.

Chico & Rita

(Realizadores: Tono Errando, Javier Mariscal e Fernando Trueba)

Sinopse: Sedutor, doce e de braço dado com uma certa tristeza e pesar, “Chico & Rita” é um filme animado sobre Cuba e a sua música. O pianista Chico a cantora Rita encontram-se numa noite de paixão, e acabam por colaborar numa canção que se torna num imenso sucesso popular. Contudo, a relação de ambos complica-se com a perseguição de agentes americanos a Rita, e os ciúmes e problemas com o álcool de Chico.

Crítica: Esta é uma história verdadeiramente incrível, não só ao nível da narrativa mas também na forma como é contada. Este é um conto que poderia realmente ter acontecido, e é gloriosamente personificada por personagens pintadas à mão numa animação a 2D. Um contraponto para uma narrativa madura, que rompe com tudo aquilo que é habitual no cinema animado. Este não é um filme para crianças, ao contrário da grande maioria dos filmes de animação. “Chico & Rita” direciona-se para um público mais adulto, apostando numa história coberta de paixão. Um improvável vencedor, pois a própria indicação é uma surpresa, mas cuja derrota nunca poderá ser considerada como tal: a vitória já está bem presente no resultado final do filme.

Kung Fu Panda 2

(Realizador: Jennifer Yuh)

Sinopse: Po tem a ambição de ser um dragão guerreiro, e proteger o Vale da Paz ao lado dos mestres Shifu, Tigresa, Macaco, Víbora, Louva-deus e Garça. E inesperadamente chega uma missão que necessitará do seu espirito heroico: o lorde Chen tem na sua posse uma arma secreta capaz de permitir a conquista da China e provocar o fim do kung fu. Para impedir que o vilão leve a sua avante, Po e os Cinco Furiosos necessitam de atravessar o país e derrotá-lo.

Crítica:Kung Fu Panda 2” é simples e emocionante, retomando a verdadeira essência dos filmes para crianças. Quando em 2008 a Dreamworks trouxe o panda do kung du às salas de cinema, imediatamente Po apaixonou pela sua doçura e simpatia. A sequela do filme mantém a mesma premissa, embora se torne mais desafiante e poderoso. Todos os elementos visuais são absolutamente extraordinários, com uma qualidade que a distribuidora já nos habitou a todos.

Não chega aos calcanhares de alguns dos grandes filmes de animação, contudo. Mas infelizmente, filmes de animação como por exemplo “Toy Story 3” não se fazem todos os dias.

O Gato das Botas

(Realizador: Chris Miller)

Sinopse: O inesquecível sedutor da saga fílmica do Shrek regressa àcom as primeiras aventuras do Gato das Botas. Muito antes de conhecer o monstro verde, o Gatos das Botas parte numa jornada heroica com Humpty Dumpty e Kitty para roubar o famoso ganso que põe Ovos de Ouro.

Crítica: O “Gato das Botas” não é memorável, mas não deixa de ser bom. E é-o sobretudo graças a Antonio Banderas, que com a sua voz poderosa e sedutora, concede um realismo extraordinário ao gato das botas. Graças a este maravilhoso ator, as pequenas lacunas e defeitos do filme são postas de lado, permitindo-nos simplesmente rir às gargalhadas. Se não perdermos muito tempo a analisar o seu conteúdo, esta aventura do “Gato das Botas” é satisfatória. Ela permite-nos rir às gargalhadas, e leva-nos com suavidade pelas suas tramas e enredos. É light, sim, é verdade. Mas infelizmente, essa ainda continua a ser a grande premissa dos filmes de animação.

Rango

(Realizador: Gore Verbinski)

Sinopse: Rango é um camaleão doméstico, que vive a encenar histórias e enredos dentro do seu pequeno aquário, onde interpreta sempre o papel do herói que salva o dia. Um dia, acidentalmente Rango vê-se perdido na arenosa Vila Poeira, um lugar sem lei habitado pelas criaturas assustadoras e astutas do deserto. E por entre aventuras e encontros com temíveis personagens, a cidade deposita todas as suas esperanças no cobarde camaleão. E ele tudo fará para conseguir tornar-se no herói que sempre quis ser.

Crítica: Entre todos os nomeados, com exceção claro de “Chico & Rita” que é um filme para adultos, “Rango” é possivelmente o filme mais consciente de que nem só as crianças veem filmes de animação. E, talvez, em certos momentos ele vá um bocadinho longe demais, uma vez que o público infantil será sempre o seu principal alvo. Mas preocupações desse género de lado, este é um filme simplesmente desfrutável. Sem se deixar impor por limites e regras, “Rango” é divertido e sedutor, capaz de agradar todas as faixas etárias. Rango tem tanto de herói como anti-herói, e somos capazes de adorá-lo tanto como o odiamos. No final, contudo, fica-nos apenas a vontade de que não se vá já embora, para que possamos rir com ele (ou dele) apenas por mais alguns momentos.

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