Destaques

João Salaviza critica a indiferença das televisões

João Salaviza, cuja curta-metragem “Rafa” recebeu um Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim, lamenta que haja cada vez menos espaço para os filmes portugueses nos circuitos de distribuição, criticando também a indiferença das televisões.

“Era preciso que as televisões, não só a RTP mas as privadas, tivessem um compromisso maior com o cinema português”, disse Salaviza hoje à Lusa. “Para mim é inaceitável que não passe já hoje na televisão, nos três canais, o filme do Miguel Gomes” (“Tabu”, que também recebeu dois prémios em Berlim).

“Obviamente há compromissos, o filme não podia passar imediatamente hoje. Mas mesmo que fosse viável, não sei se algum canal privado o passaria”, opiniou Salaviza.

“Como é possível que os filmes portugueses sejam tão bem recebidos e acolhidos, que encham salas por todo o mundo, como em Berlim, onde o filme do Miguel [Gomes] foi visto por 1500 pessoas”, sem que em Portugal haja o mesmo interesse, questiona.

Salaviza tem esperanças de mostrar “Rafa” no circuito comercial, “embora também já não haja muitas salas de cinema” em Portugal. Ou, pelo menos, salas de cinema “como antigamente, onde uma pessoa ia com o intuito de ver um filme e não para comprar uns ténis”.

“Rafa” é uma curta-metragem sobre um rapaz de 13 anos preocupado com a mãe, detida numa esquadra da polícia por conduzir sem carta. Nos agradecimentos pela Palma de Ouro no sábado, Salaviza distinguiu particularmente Rodrigo Perdigão, que interpreta o protagonista.

Salaviza conta que não foi problemático trabalhar com um ator tão jovem e sem experiência, “antes pelo contrário”: “A palavra profissional assusta-me um pouco. O ato de existir não é profissional. Quis filmar a existência daquele miúdo, e quanto menos vícios de representação, quanto menos tiques melhor. Trabalhar com alguém que não é actor traz uma riqueza tremenda, alguns incidentes e imperfeições que a mim me interessam muito.”

Categorias
DestaquesPalcos & Letras

Se o Jornalismo não se pode considerar uma ciência temos certamente de olhá-lo como uma arte. A arte de saber contar estórias e marcar a história. Estudante de Jornalismo (ESCS-IPL)

Comentários