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John Malkovich fala sobre a “excecionalidade” de Manoel de Oliveira

O que têm em comum os realizadores Raul Ruiz e Manoel de Oliveira? O sentido de humor, uma visão singular do mundo e John Malkovich, que esteve hoje em Lisboa para falar do trabalho com os dois cineastas.

O actor norte-americano está em Portugal para participar na rodagem do filme As linhas de Torres Vedras – que terminou no domingo -, o projecto que o realizador chileno Raul Ruiz deixou inacabado, quando morreu no verão passado, e que a mulher e realizadora Valeria Sarmiento concluiu.

A convite do produtor Paulo Branco, John Malkovich passou hoje à tarde pela FNAC Chiado, em Lisboa, e perante uma audiência que lotou por completo o pequeno espaço da loja contou como foi trabalhar em filmes mais antigos de Ruiz e de Manoel de Oliveira.

Malkovich rodou alguns filmes com Raul Ruiz, como O tempo reencontrado (1999) e Klimt (2006), e não quis deixar de participar neste projecto póstumo, As linhas de Torres Vedras. O filme tem como pano de fundo um episódio da história de Portugal de há 200 anos, durante as invasões francesas, e Malkovich desempenha o papel do decisivo general Wellington.

«Eu era capaz de trabalhar com ele [Raul Ruiz] vezes e vezes sem conta. Os atores adoravam-no porque ela gostava de atores. Porque há realizadores que não gostam de atores. Ele tinha muito bom gosto na representação», disse John Malkovich, que recordou ter conhecido Raul Ruiz em Paris, através de Paulo Branco.

O actor não gosta de comparar a técnica de Ruiz com a de Valeria Sarmiento, que assumiu a realização de As Linhas de Torres Vedras, mas encontrou em ambos a mesma «tranquilidade e sentido de humor». Para Malkovich, Raul Ruiz foi «o pensador mais independente» que conheceu no cinema e partilhava com Manoel de Oliveira uma «visão única e singular» sobre o mundo.

Também com o produtor Paulo Branco, John Malkovich rodou alguns filmes com Manoel de Oliveira, nomeadamente O Convento (1995) e Um Filme Falado (2003).

«Se eu vivesse até aos 104 anos não ficaria surpreendido que ele estivesse a filmar, porque há qualquer coisa de estranho», brincou Malkovich, a propósito da boa forma física e longevidade de Manoel de Oliveira, recordando alguns episódios de rodagens. «É excepcionalmente inteligente e muito divertido», disse o actor. Sobre Manoel de Oliveira e Raul Ruiz, Malkovich rematou: «É por causa do cinema deles que nós fingimos que a vida é bela».

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Se o Jornalismo não se pode considerar uma ciência temos certamente de olhá-lo como uma arte. A arte de saber contar estórias e marcar a história. Estudante de Jornalismo (ESCS-IPL)

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