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Morreu a Infanta Maria Adelaide de Bragança

Maria Adelaide de Bragança Van Uden, neta de D. Miguel, faleceu hoje (24 de Fevereiro de 2012) aos 100 anos na Caparica em Almada.

As cerimónias fúnebres decorrerão “em ambiente familiar“, mas “haverá, no entanto, missa de sétimo dia no Mosteiro dos Jerónimos, na próxima quinta-feira às 20:00” disse à Lusa Francisco de Bragança van Uden

A infanta Maria Adelaide, tia do duque de Bragança, D. Duarte Pio, fora no passado dia 31 de janeiro, quando completou 100 anos, condecorada com o grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito Civil pelo Presidente da República, num jantar realizado em Lisboa em sua homenagem.

Maria Adelaide integrou a resistência austríaca aos nazis, esteve presa e veio viver para Portugal, onde criou a Fundação Nun’Álvares Pereira para apoio aos carenciados.

É um exemplo de vida pela estatura moral“, disse à agência Lusa Raquel Ochoa, autora de uma biografia da infanta editada em maio do ano passado. “A resistência era como respirar, perante a educação que tinha tido e os ideais que tinha. Não resistir é que era uma violência contra ela mesma. Resistir era um ato natural“, explicou a biógrafa.

A autora sublinhou que Maria Adelaide de Bragança van Uden “teve outros atos heróicos“, referindo o seu trabalho “como assistente social em prol das populações desfavorecidas” na margem sul do Tejo, desenvolvido de “forma discreta“. Esta ação social foi feita no âmbito da Fundação Nun’Álvares Pereira que se diluiu após o 25 de abril de 1974.

Referindo-se à posição da infanta ao regime que antecedeu a revolução de 1974, Raquel Ochoa afirmou que “reconheceu Salazar como quem pôs em ordem as contas do Estado, mas insurgiu-se sempre contra os métodos usados“.

Maria Adelaide nasceu em Saint Jean de Luz, França, a 31 de janeiro de 1912, tendo sido padrinhos a rainha D. Amélia e o rei D. Manuel II, já no exílio.

Em 1949, com 37 anos, Maria Adelaide de Bragança fixou residência na Costa de Caparica.

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