Cinema

Óscares 2012: Melhor Realizador

O Óscar de Melhor Realizador é uma das estatuetas douradas mais cobiçadas pelos que trabalham diariamente em nome da Sétima Arte. Desde 1929, a Academia elege uma lista de cinco nomeados, e geralmente é um forte indicativo de quem irá levar o Óscar de Melhor Filme.

Conheça os nomeados deste ano:

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Woody Allen

Aos 76 anos, Woody Allen é um nome que impõe respeito na indústria cinematográfica. Ator, realizador e argumentista, o cineasta iniciou a sua carreira em 1965 com “O Que Há de Novo Gatinha”. Um ano depois realizaria o seu primeiro filme, “What´s Up, Tiger Lily?”. Desde então, Woody Allen experimentou vários estilos e géneros. Apesar de se ter popularizado pelas suas comédias românticas, como “Annie Hall” (1977), “Manhattan” (1979), “Ana e as Suas Irmãs” (1986), o cineasta também vagueou pelos estilos mais obscuro e intensos como “Match Point” (2005); pelas comédias ligeiras como “Scoop” (2006), e até por géneros mais dramáticos como foi o caso recente de “Vicky Cristina Barcelona” (2008). Nas suas comédias, o nova-iorquino despreza qualquer tipo de humor considerado vulgar ou brejeiro. Pelo contrário, a ironia é sempre o grande trunfo do realizador, que leva o espetador a refletir. A obra de Woody Allen é inteligente, complexa e reflexiva, o que não é surpresa alguma perante as referências do cineasta, que incluem filósofos e autores da literatura mundial como Dostoievski, Flaubert, Kierkegaard, Kafka, Camus, entre outros. Em “Meia-noite em Paris“, Woody Allen regressa às suas origens, numa comédia romântica carregada de mensagens e simbolismos que nos fazem pensar sobre aquela sensação constante que assola o homem de que as épocas anteriores à sua foram sempre melhores do que a dele. Uma carreira com mais de 40 filmes (quase um filme por ano) que se materializa numa herança extraordinária para a indústria cinematográfica, que imortaliza este homem como um dos mais importantes cineastas de todo o sempre.

Terrence Malick

O percurso de Terrence Malick é pouco usual, e é bem ilustrativo da singularidade porque que se prima este realizador. Ao longo de uma carreira com mais de quatro décadas, este cineasta deu raríssimas entrevistas, nunca promoveu seus filmes e conta com uma filmografia de apenas cinco filmes: “Noivos Sangrentos” (1973), “Days of Heaven” (1978), “A Barreira Invisível” (1998), “O Novo Mundo” (2005) e, claro,  o filme pelo qual está nomeado este ano, “A Árvore da Vida” (2011). Quando em 1973 o seu primeiro filme foi lançado nas salas de cinema, a obra apanhou de surpresa público, cineastas e críticos. Nunca ninguém vira algo assim, não havia nada que pudessem equiparar àquele filme. Não podiam, de facto, porque aquele seu toque, aquela genialidade e singularidade que lhe estava intrínseca, era de Malick. E ele havia acabado de se dar a conhecer ao mundo.  E nos anos seguintes, apesar das décadas em que andou desaparecido, o mundo reconheceu o talento daquele cineasta como produtor de algo inigualável. Terrence Malick tem a fama de ser um génio do cinema: o seu estilo é absolutamente único, marcado pela singularidade das imagens que recolhe de uma beleza extraordinária, pela utilização de uma narrativa não-linear, um inegável gosto pela contraluz. Em “A Árvore da Vida”, ele volta a mostrar-nos que a quantidade é suprimida pela qualidade. Este é um filme que demorou mais de 30 anos a ser concretizado. Mas quando olhamos para o resultado final, compreendemos que, afinal, as melhores coisas da vida são aquelas que levam o seu tempo a serem construídas.

Martin Scorsese

MartinScorsese é apelidado por muitos como o maior realizador americano ainda vivo, e muitos dos seus filmes ocupam um lugar de destaque nas listas dos melhores filmes de sempre. Durante grande parte da sua carreira, o realizador foi considerado como um injustiçado pela Academia norte-americana, que nunca havia premiado o seu talento com um óscar. A sua sina terminou finalmente em 2007, quando com o filme “The Departed – Entre Inimigos” (2006) Martin Scorsese recebeu o seu primeiro Óscar. Curiosamente, o cineasta desejava ser padre, mas foi o cinema que acabou por falar mais alto. Ainda assim, é notório nos seus filmes a sua devoção à religião católica. O realizador tem um estilo bastante versátil, e encabeça com sucesso qualquer projeto: policiais (“The Departed – Os Infiltrados”, 2006), terror (“Cabo do Medo”, 1991), musicais (“New York, New York”, 1977); históricos (“A Idade daInocência”, 1993), além de obras que desafiam classificação (“Taxi Driver”, 1976; “O Touro Enraivecido”, 1980; “A Última Tentação de Cristo”, 1988). Em “A Invenção de Hugo“, Martin Scorsese procura ir às raízes daquilo que é o cinema, numa obra-prima onde é notória a sua alma e, claro, todo o seu amor e devoção à Sétima Arte

Alexander Payne

Firmado como um realizador de filmes dramáticos, as obras de Alexander Payne têm agradado ao público, críticos e cineastas em geral, e há até quem o apelide do menino bonito da Academia. Sem medo de aprofundar temas sérios e difíceis, o argumentista e realizador americano de descendência grega faz uso de um humor negro e presentações satíricas da sociedade contemporânea.  Curiosamente, Payne gosta de usar nos seus filmes pessoas comuns para desempenharem papéis menos relevantes, através por exemplo da colocação de uma empregada de mesa a desempenhar essa mesma função no filme. Aos 60 anos, Alexander Payne tem trabalhos no cinema e televisão. A sua filmografia, contudo, é composta apenas por seis filmes: “Citizen Ruth” (1996), “Eleição” (1999), “As confissões de Schmidt” (2002), “Sideways – Entre umas e outras” (2004), “Paris, je t´aime” (2006) e agora, “Os Descendentes” (2011). Esta é a quarta nomeação pela Academia do realizador, e a segunda na categoria de Melhor Realizador (fora nomeado em 2004 com “Sideways”).

Michel Hazanavicius

O realizador e argumentista francês iniciou a sua carreira na televisão em 1988, sem qualquer tipo de formação na área, através da direção de anúncios televisivos. Em 1993, escreveu e dirigiu o seu primeiro telefilme, “La Classe américaine”, um primeiro passo em direção ao cinema. Com os filmes de espionagem e comédia “OSS 117: Cairo, Nest of Spies” (2006) e a sequela “OSS 117: Rio ne répond plus” (2009), o cineasta começou a ganhar notoriedade no cinema francês. Contudo, em nada se equiparou ao estrondoso impacto que “O Artista” teve, em 2011, nas salas de cinema um pouco por todo o mundo. Novamente ao lado de Jean Dujardin no papel principal, que já havia protagonizado os seus filmes OSS 117, e com a sua esposa Bérénice Bejo no papel secundário, a equipa já recebeu dezenas de prémios de cinema de grande notoriedade. Com um gosto particular de assumir o controlo em todos os pormenores do filme, Michel Hazanavicius teve que lutar arduamente para conseguir que alguém apostasse no seu filme, que aparentemente tinha tudo para falhar numa era tão habituada ao som e efeitos especiais. Mas conseguiu, e o resultado fica à vista de todos.

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