Cinema

Óscares 2012: Previsão para o vencedor na categoria de Melhor Filme

 “O Artista” é tido por todos como o mais provável vencedor na categoria de melhor filme. Depois de ter arrecadado a vitória em praticamente todas as cerimónias de atribuição de prémios de cinema, não parece haver grandes dúvidas na entrega da estatueta dourada. Mas será assim tão simples? Se olharmos para trás, podemos constatar que a Academia já pregou algumas partidas neste campo. Basta relembrarmos o ano de 2010, em que “Avatar” era encarado como o inquestionável vencedor, e que porém foi destronado por “Estado de Guerra”. Ainda assim, para já tudo parece indicar que este ano não haverão surpresas deste género, e que será mesmo “O Artista” o melhor filme do ano para a Academia.

              O Justo Vencedor                         O Provável Vencedor

E seria justa a entrega do Óscar a este filme? Bom, confesso que quando há uns meses atrás se propunha que o prémio fosse para “Os Descendentes”, algo em mim se revolvia em fúria. A indicação deste filme, que pode ser englobada no mesmo saco juntamente com a nomeação de “Cavalo de Guerra”, reflete apenas o que meia dúzia de rostos bonitos de Hollywood podem fazer por um filme. Não levam nota negativa, é verdade. Mas também não vão além do satisfaz pouco.

Mas volta-se a perguntar…seria justa a vitória de “O Artista”? Antes de responder, é necessário olhar para o outro lado da moeda: os bons filmes que temos este ano nomeados. “A Árvore da Vida” não é apenas bom – é genial, de uma qualidade, visão e beleza que só Terrence Malick seria capaz de nos proporcionar. “A Invenção de Hugo” é outro filme maravilhoso, que tal como “O Artista” entoa a magia do cinema nas suas primeiras eras.

E temos ainda “As Serviçais”, “Meia-noite em Paris” e, claro, o filme que apanhou todos de surpresa, “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto”. São três filmes brilhantes, que merecem estar nomeados sem qualquer sombra de dúvida. Mas a vitória? É muito pouco provável. Com a concorrência que têm pela frente, é quase impossível que vejamos os seus criadores subir ao palco esta noite.

E então, novamente… seria justa a vitória de “O Artista”? Na minha opinião, sim. Os três melhores filmes deste cartaz são claramente “O Artista”, “A Invenção de Hugo” e “A Árvore da Vida”. Mas a Academia delicia-se com histórias como as dos dois primeiros, que têm o cinema como pano de fundo no seu enredo. E entre estes dois, “O Artista” merece vencer pelo risco que correu em apresentar um filme a preto e branco mudo. Numa era tão dependente do som e dos efeitos visuais, tomar a decisão de criar um filme nestes moldes não é apenas difícil. Envolve muita coragem, crença e força, para deitar por terra toda a mentalidade de espetadores, cineastas e críticos de hoje. E fazer com que, no final, todos saíam satisfeitos das salas de cinema.

E, por isso, se for mesmo “O Artista” o grande vencedor da noite, a Academia volta a receber o meu aplauso. Porque a sua história, a que está dentro e fora deste, é simplesmente inspiradora. E, no fundo, é exatamente essa a magia do cinema.

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