Cinema

O realizador Fernando Fragata esteve à conversa com o Propagandista Social (Leia a Entrevista)

Fernando Fragata é realizador e argumentista. Iniciou-se com a curta-metragem “Amor & Alquimia” (1995) que foi um grande sucesso, tendo sido exibida na Europa e na América do Sul, onde recebeu o prémio de melhor realização no Festival Internacional de Cinema da Baía, no Brasil. Em 2004 estreou “Sorte Nula”, que foi igualmente um sucesso em Portugal. O seu mais recente filme, “Contraluz”(2010) foi totalmente rodado nos Estados Unidos da América e conta com a participação de actores americanos e portugueses, como o “internacional” Joaquim de Almeida.

O Propagandista Social teve o prazer de entrevistar o realizador que vive do outro lado do Atlântico, numa conversa que se processou por e-mail. Leia a entrevista.

Perguntámos a Fernando Fragata quando se começou a interessar pelo cinema e quando é que percebeu que queria ser realizador. O realizador confessa que o interesse começou desde cedo: “Desde muito cedo que me apercebi que o cinema permitia viajar dentro doutros mundos e até noutros tempos. A certa altura não me bastava assistir a esses “mundos”, e por isso decidi criá-los. O primeiro “filme” que fiz tinha 11 anos. Ainda não tinha máquina de filmar, mas tinha uma máquina de fotografar. Fotografei tudo como se tratasse de um filme e fiz um livro com as fotos como se fosse uma banda desenhada ou storyboard. Chamava-se “O Plano” e era uma aventura sobre “comer figos da figueira do vizinho sem que o cão deste se apercebesse”. Mas era tudo mentira. O cão era meu, tal como a figueira e nem sequer tinha vizinho. Mas aí é que está a magia do cinema. Quem visse o meu “filme” ficava a pensar que eu estava a viver de facto uma grande aventura ao conseguir roubar figos sem ser apanhado pelo cão terrível.”

As influências cinematográficas do realizador vão desde os mais irreverentes realizadores contemporâneos, aos “primórdios” do cinema. “John Carpenter, Ridley Scott, James Cameron, Steven Spielberg, Robert Zemeckis e Hitchcock, é claro.”

Se não estou em erro lançou a sua carreira com a curta Amor&Alquimia que foi um estrondoso sucesso, ganhou imensos prémios…estava à espera deste feedback quando começou?

“Não estava nada à espera. Foi a primeira curta-metragem portuguesa a ser exibida na SIC em horário nobre. Foi um bom começo.”

Mais recentemente estreou “Contraluz” que foi um fenómeno de sucesso cá em Portugal. É muito difícil gerir uma produção desta envergadura? Ficou satisfeito com os resultados e com o feedback dos portugueses?

“A envergadura deste projecto em nada tem a ver com o que fiz antes em Portugal e é difícil fazer comparações. Mas se há algo que deva frisar são os requisitos legais e o peso burocrático para se filmar nos Estados Unidos. Isso é verdadeiramente aterrador em comparação com Portugal. Mas aquilo que mais assolou a produção foram acontecimentos globais.

Recordo que durante a rodagem de Contraluz deu-se a maior crise económica de que há memória. Bancos nos EUA fecharam sem aviso retendo parte do financiamento do filme. Simultaneamente, metade da Califórnia estava a arder obrigando a produção a parar as filmagens por vários dias. Tudo isto e muito mais poderia ter abalado a confiança de todos os envolvidos no projecto mas, pelo contrário, trabalhámos sempre com muito entusiasmo até ao fim. E a reacção calorosa dos Portugueses fez com que todo esse esforço valesse a pena.”

 É difícil ser artista em Portugal? Sente que o cinema português não é valorizado?

“É difícil ser artista em qualquer parte. Mas o cinema em Portugal é totalmente desprezado em comparação com outros países.”

Que projectos podemos esperar de si para um futuro próximo?

“Projectos não me faltam, falta é financiamento para os concretizar.”

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Jornalista Estagiária numa publicação mensal e amante de Cinema e da Cultura nacionais

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