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“A Morte de Danton” a partir de hoje no Teatro Nacional Dona Maria II

DSC09067A luz é irregular, as cadeiras e mesas dispersas pelo palco anunciam o clima de reunião política, conspirações e altas traições que se fazem num ambiente obscuro. O ar soturno sobressai à vista.

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“Mais 20 abatidos hoje”

Assim começa o diálogo de “A Morte de Danton”. A frase e a consternação quase apática dos personagens apenas confirma o clima que se vive nesta peça. Estamos nos conturbados anos do rescaldo da Revolução Francesa, em palco opõe-se duas fações, a Comuna e a Jacobina. Dos dois lados da barricada estão aqueles que outrora foram irmãos de guerra Danton e Robespierre.

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“A Revolução tem de acabar e dar lugar à República.”

Mais do que um qualquer sistema social institucionalizado, o período que se vive é de uma completa anarquia e um vazio de ideais. O terror e a carnificina são usadas como arma pelos recém poderosos filhos da revolução. Nada é garantido, nem a própria vida.

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“A arma da República é o terror.”

O povo fica nas mãos dos seus líderes, aqueles que lutaram e idealizaram por uma França mais justa marcada pela Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Mas a crítica que o dramaturgo Büchner lança é ao vazio extremo de propósitos que os poderosos atingem. O desgoverno num governo que se faz do seu povo.

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“A voz de um homem que defende a sua honra e a sua vida tem de falar mais alto do que uma campainha.”

O quotidiano dá lugar ao medo e a decadência é mostrada de forma exímia perante uma encenação convincente de Jorge Silva Melo. Miguel Borges consegue mostrar aquela redenção do personagem ao aceitar o seu destino. O grande destaque interpretativo não pode deixar de ir para Pedro Gil com o seu incorruptível Robespierre.

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Uma peça que, apesar das cenas datarem do fim do século XVIII, poderá ser interpretada num prisma um pouco mais atual, quem sabe se Robespierre não seria um Cunhal do século XX ou Danton um Sá Carneiro, tal como sugere Silva Melo.

Viva o Rei!

Trata-se de uma reflexão de valores, e das prioridades que se estabelecem quando no seu lugar se instala uma anarquia. A sociedade deixa de funcionar e o país para espectando receoso por um regresso de algum alento. O outro lado da revolução.

 

15 mar – 22 abr’12

SALA GARRETT

4.ª a sáb. 21h | dom. 16h

FICHA ARTÍSTICA

de Georg Büchner

tradução Maria Adélia e Jorge Silva Melo

encenação Jorge Silva Melo

cenografia e figurinos Rita Lopes Alves

luz Pedro Domingos

direção musical Rui Rebelo

som André Pires

com Miguel Borges, Pedro Gil, Sylvie Rocha, João Meireles, Maria João Pinho, Rita Brütt, Afonso Lagarto, Alexandra Viveiros, Américo Silva, António Simão, Elmano Sancho, Estêvão Antunes, Gustavo Vargas, Hugo Samora, Joana Barros, João de Brito, João Delgado, José Neves, Luís Moreira, Mafalda Jara, Marco Trindade, Nuno Bernardo, Nuno Pardal, Pedro Luzindro, Pedro Mendes, Ricardo Neves-Neves, Rúben Gomes, Rui Rebelo, Susana Oliveira, Tiago Matias, Tiago Nogueira, Vânia Rodrigues e estagiários da ESTC (Bernardo Nabais, Damião Vieira, Daniel Viana, Diogo Tormenta, Filipe Velez, Isac Graça, Ivo Silva, João Pedro Mamede, João Ventura, Pedro Loureiro, Rafael Gomes, Ricardo Teixeira)

assistência de encenação Leonor Cabral e Joana Barros

coprodução Teatro Nacional D. Maria II / Guimarães 2012 – Capital Europeia da
Cultura / Artistas Unidos

M/ 12

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Estudante de Farmácia, amante das ciências e das artes. Gosto particular por entretenimento em diversas áreas: televisão, cinema, teatro, música.

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