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A poesia (in)completou-se

A poesia completou-se. A única livraria de poesia do país fechou portas esta terça feira (26). 

A loja, mais parecida com uma biblioteca ou um museu, situava-se na rua Cecílio de Sousa, em Lisboa. Na passada segunda feira, o anúncio do encerramento deixou toda a gente de surpresa: A Poesia Incompleta fecha sem ninguém poder dizer que temos sequer uma dívida“, disse Mário Guerra, o proprietário.

A livraria tinha uma coleção de oito a dez mil livros de poesia, em mais de 30 línguas diferentes e publicados por cerca de 260 editoras. Dispunha também de discos de poesia. Aberta desde novembro de 2008, tinha desde as obras mais recentes e banais até antiguidades e livros raros.

Um sentimento de desilusão por um país que pouco aposta na cultura e na arte. Mário Guerra fez fortes críticas ao governo português e ao país em si. Segundo o proprietário da loja “não é para velhos, nem para novos, nem para os do meio” e a solução poderá ser mesmo emigrar. A poesia é mais que uma profissão para o homem que se considera um leitor, um recitador e um declamador.

Ainda assim, Mário Guerra não quer que o encerramento da Poesia Incompleta seja associado a dívidas financeiras, ainda que deixe mais pobres muitos amantes desta arte de embelezar a escrita. Fica a ideia de que este fim não é definitivo, afinal “espera-se que as reabra em breve, num novo local”.

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