Cinema

“Amigos Improváveis”: o dinheiro vale nada quando se quer alguém (leia a crítica)

Se é daqueles que pensa “Ah um filme francês que chato…” mude já de opinião!! Poderá perder um dos filmes mais divertidos e tocantes da sua vida! “Intouchables” ou “Amigos Improváveis”, na versão portuguesa,  é um filme que tem mesmo que ver.

O Artista”, também francófono, que recentemente foi aplaudido em todo o mundo, era de facto bom, mas sejamos sinceros… lambia as botas a Hollywood. Já esta fita reaviva-nos a memória e mostra-nos porque  o cinema francês é tão bom.

O filme baseia-se na história verídica de um aristocrata tetraplégico, Philippe, e de um jovem de um bairro social, Driss, que nunca se deveriam ter conhecido. Mas conhecem-se e dão origem a um dos mais brilhantes argumentos da história do cinema francês concebido por Eric Toledano e Olivier Nakache. Esta comédia é uma obra-prima, roçando um pouco o humor negro britânico. É um humor honesto e brutal. O filme faz-nos rir do ridículo e consegue ao mesmo tempo ser tocante.

François Cluzet, como não será surpresa para ninguém, faz um trabalho fenomenal no papel de um homem romântico que se vê preso no seu próprio corpo. Mas a grande surpresa do filme é Omar Sy, o actor que nunca tinha interpretado uma personagem principal. Aqui, a “conduzir” o delinquente de um bairro social, é absolutamente fascinante conferindo ao filme um toque especial, um “je ne sais quoi” , e  alguns dos melhores momentos de gargalhadas.

A fita retrata a amizade improvável destes dois homens, que acaba por ser inspiradora e o mais verdadeira posssível. Driss não vê a deficiência, não vê as diferenças, assim como Phillipe. E a verdade é que eles não são assim tão diferentes. São ambos ostracizados na sociedade devido às suas condições, e penso que é isso que os aproxima, o facto de serem ambos fortes e terem vontade de viver apesar das circunstâncias das suas vidas.

Também a fotografia do filme é brilhante e inspiradora. A banda sonora é libertadora e “puxa” por todas as emoções do espectador (Ouça aqui uma das melhores composições do filme, de Ludovico Einaudi).

O filme tem uma mensagem tocante acerca da vida. Mostra-nos como o dinheiro não vale nada quando tudo o que se quer é alguém. A verdadeira riqueza são as pessoas, a aceitação, o amor, a honestidade encontrada nas relações mais intimas.

Este filme foi o mais visto de 2011 em França e está a ser um sucesso por toda a Europa. E já se fala num remake americano da longa-metragem de Olivier Nakache e Eric Toledano. Eu espero que não aconteça! Este filme é brilhante de mais para ser transformado num blockbuster hollywoodesco.

Uma história simples, inspiradora e, repito, tocante. Interpretações, realização e argumento brilhantes. Como diriam os franceses…magnifique!!!

O filme tem também uma versão dobrada em português disponível nos Cinema Zon Lusomundo do Colombo, no Cinema do Parque Nascente em Gondomar e no Dolce Vita Coimbra.

[xrr rating=5/5]

Amanhã mostramos-lhe algumas cenas inéditas deste filme. Veja agora o trailer:

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Jornalista Estagiária numa publicação mensal e amante de Cinema e da Cultura nacionais

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