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Exige-se cinema de qualidade em televisão!

O Estado da TV está de volta e hoje apetece-me falar de cinema na televisão. Porque não?

Depois de uns quantos anos sem a exibição de um dos mais conhecidos ciclos de cinema em televisão, a RTP2 ressuscita o “Cinco Noites, Cinco Filmes”, depois de mais de três mil cidadãos portugueses terem assinado uma petição pelo Regresso da Exibição Regular de Cinema à RTP2.

Fui um desses três mil cidadãos que assinou a petição. Vejo todos os filmes que são emitidos de segunda a sexta, perto da meia noite, na RTP2? Não. E ainda bem! Caso contrário andava aos caídos nas manhãs em que tenho de me levantar cedo… Mas e então? Desde quando é que a RTP começou a preocupar-se com audiências? Desde quando é que a RTP2 é razão de preocupação no que diz respeito ao número de telespetadores que assistem aos programas?

Há muito tempo que o cinema ganhou lugar nas televisões por todo o mundo e é necessário mantê-lo. Cinema sempre foi e é um dos mais importantes momentos de entretenimento em televisão que, felizmente, ainda são considerados momentos de cultura. E é assim que os temos de ver. Cinema é cultura. E, exatamente por isso, – por ser cultura – é necessário preservá-lo e garantir que a cultura nacional é assegurada. É preciso ver cinema português. É necessário, quase obrigatório, que os portugueses comecem a apreciar o cinema português.

A indústria cinematográfica americana atingiu uma popularidade que vem romper com a definição de cultura que nos é facultada pela evolução do cinema. Não, não estou a dizer que os filmes americanos estão cada vez menos lúdicos e ou culturais, pelo contrário, há cada vez mais e melhor no cinema americano. Mas há também muito lixo, permitam-me que o diga. E é esse lixo que é necessário eliminar e corrigir. Infelizmente, as pessoas estão a habituar-se, muito rapidamente, ao facilitismo e ao entertenimento puro. A ideologia “quanto mais fácil, melhor” está a propagar-se por tudo o que é cultura. É preciso corrigir este pensamento! Na literatura, no cinema, na televisão, no teatro, as pessoas querem facilidade. O impressionismo, o iluminismo, a dúvida, a mitologia, o secrestismo, a magia, o mistério, a fantasia estão transformados num só – o facilitismo.

Estou contente com o regresso de “Cinco Noites, Cinco Filmes”, por três razões.

A primeira delas diz respeito à situação a que o nosso país chegou. Ao cúmulo, devo dizer. Num país onde não existe um ministério da cultura, é bom que se proliferem ciclos de cinema, ciclos de leitura, ciclos de representação, seja onde e em que plataformas forem. Vamos ressuscitar a cultura.

A segunda razão prende-se com o programa em sim. Este célebre ciclo de cinema da RTP2 prima pelo facto de mostrar filmes sobre a mesma temática de diferentes géneros e registos cinematográficos. Não é por isso de estranhar a existência de filmes com origem iraniana ou romena.

E a terceira… Bem, estou contente só porque fiz parte de um grupo de pessoas que acreditam no valor da cultura e por isso decidiram assinar uma petição a exigir um “pedaço de cultura” à televisão. Vivam as pessoas que acreditam na cultura! Viva a cultura!

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Se o Jornalismo não se pode considerar uma ciência temos certamente de olhá-lo como uma arte. A arte de saber contar estórias e marcar a história. Estudante de Jornalismo (ESCS-IPL)

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