Música

SoundCloud: Madonna, rainha da Pop… e do Marketing – Capítulo “Os recordes de Madonna”

Hey rubys! Esta semana tenho que voltar ao assunto do mês passado e que promete continuar a dar que falar ao longo do ano: “MDNA” & Madonna.

O novo álbum da “rainha da Pop” entrou diretamente para o topo das tabelas de discos mais vendidos nos Estados Unidos da América (EUA). Em terras de tio Sam foram “vendidos” cerca de 359 mil exemplares de “MDNA”. O trabalho anterior da discografia de Madge, “Hard Candy”, havia vendido 280.000 exemplares na primeira semana à venda. Nos EUA, “MDNA” é o oitavo álbum de Madonna a atingir a liderança dos tops e é o quinto a fazê-lo na semana de estreia.

Até aqui tudo bem, “clap clap” para Madonna e principalmente para a sua equipa de brilhantes empresários… e não músicos. É que esta semana foi tornada pública uma das melhores estratégias de marketing na indústria musical que Madonna (quando falou em “Madonna”, entenda-se a “equipa de Madonna”) resolveu usar e que ajuda, em parte, a explicar os recordes de “MDNA”. Os bilhetes para a nova digressão mundial de Madonna, que passa por Portugal a 24 de junho, foram colocados à venda em fevereiro e o álbum chegou no final de Março.

Ora, durante a venda de bilhetes, a Ticketmaster, a empresa que gere a venda de bilhetes dos concertos de Madonna e que é detida pela editora à qual a cantora agora pertence, a Live Nation, resolveu dar um presente aos fãs. Quem comprasse um bilhete para um dos espetáculos de Madge teria direito a receber um exemplar de “MDNA”, em CD ou em formato digital, quer comprasse o ingresso mais barato ou mais caro.

No seu website, a Ticketmaster anunciava esta fantástica “promoção”:

«Leve o “MDNA” com o seu bilhete – Madonna está a dar uma grande festa e todos estão convidados. Pela compra de bilhetes online, irá receber, à sua escolha, a versão digital ou física do novo álbum de Madonna, “MDNA”. Antes da edição do disco, a 26/3, irá receber um e-mail da Ticketmaster com novas instruções. Se comprar o seu bilhete depois de dia 26/3, irá receber o seu e-mail no prazo de 48 horas. A oferta é válida apenas para os residentes nos Estados Unidos. Nota: esta oferta não é valida para os bilhetes de Official Platinum Seats ou TicketExchange.»

Não há que reclamar. Esta é uma excelente estratégia de marketing da Interscope, empresa que detem a Live Nation e a Ticketmaster. É certo que a grande fatia de lucro de Madonna, tal como de outro qualquer artista, não resulta da venda de álbuns, mas sim dos espetáculos ao vivo. Ainda assim, esta estratégia deu um grande impulso às “vendas” de “MDNA”. Se nos recordarmos da corrida aos bilhetes para a “World Tour 2012”, percebemos que efetivamente houve muito álbum “comprado”… ou oferecido. É que independentemente de ir à loja e pagar, ou simplesmente aceitar o álbum que vem com o seu bilhete, todos os números contam para a soma final.

A Billboard, que divulga semanalmente a tabela de vendas nos EUA, disse que «os únicos casos contabilizados para os nossos tops são aqueles em que os consumidores optam por receber o álbum»… ou seja, todos são contabilizados! Quem é que não vai querer um disco de graça, trantando-se ainda por cima de alguém que compra um bilhete para o espetáculo de Madonna?!

Não quero com isto dizer que a totalidade de discos vendidos de “MDNA” seja exclusivamente por esta razão, mas a verdade é que ajuda (e muito!) a vender umas dezenas de milhares de exemplares. E o resultado está à vista: “MDNA” é líder nos EUA, numa semana muito competitiva, com o lançamento do longa-duração de duetos de Lionel Richie, “Turkegge”, que acabou por ficar na segunda posição da tabela.

A oferta de álbuns na venda de bilhetes para concertos não é novidade. Quando os Bon Jovi editaram “Lost Highway” em 2007 atingiram a liderança da tabela de discos mais vendidos graças a muitos exemplares oferecidos aquando da compra de bilhetes para os espetáculos da banda. O mesmo aconteceu com “Mojo” de Tom Petty em 2010.

Voltando a Madonna e a “MDNA”, aquilo que daqui retiro é que se trata de um álbum, como o havia afirmado no ultimo “SoundCloud”, pouco inovador, com pouco ADN de Madonna. Não existe um “Like a Prayer”, um “Vogue” ou “Music” que lance o álbum por si só e pela sua música. “MDNA”, mais que um disco, é um contrato milionário de Madonna com a Live Nation, e que estava, mesmo antes de ser produzido, condenado a ser o mote para uma digressão mundial que certamente renderá milhões… porque afinal e infelizmente é isso que interessa.

SoundCloud: “MDNA” tem pouco ADN de Madonna (a crítica ao álbum faixa a faixa)

Mas a estratégia de Madonna vai mais longe. Ciente de que tem um público mais adulto e decidida a conquistar os mais jovens, a cantora surgiu ao lado do DJ Avicci no palco do Ultra Music Festival, o primeiro festival de música eletrónica do mundo. Já esta semana no Twitter resolveu convidar Justin Bieber a juntar-se a ela na sua nova digressão, e disse a Britney Spears «vem para o palco e beija-me outra vez. Sinto a tua falta!». Enfim…

Estou ansioso para ver o top de vendas norte-americano na próxima semana. Os primeiros resultados dizem que “Pink Friday – Roman Reloaded” de Nicki Minaj, que saiu na semana passada, irá ultrapassar “MDNA”… Ops!

Well… rubys, e por falar em Nicki Minaj, a crítica ao novo álbum chega ao SoundCloud nos próximos dias. Stay tuned & enjoy the music!

Oiça “Girl Gone Wild” de Madonna:

Categorias
MúsicaSoundCloud

Media student, workaholic, tv-radio-web addicted, fashion victim, music lover. A life enjoyer.

Comentários