Cinema

Cláudio Sá: o sonho comanda a vida e…a viagem de uma curta portuguesa a Cannes

Cláudio Sá é ilustrador e realizador de filmes de animação e desde pequeno começou a interessar-se pelo desenho e por cartoons. Sem saber que viria a ser esse o futuro do seu filho (e de sucesso por sinal), a mãe do jovem animador comprava-lhe blocos de desenho.

Quando ingressou no ensino secundário, Cláudio decidiu que era hora de apostar no seu futuro e foi para o Curso Tecnológico de Multimédia, onde começou a dedicar-se com mais seriedade aos desenhos animados.

“No 12º ano fiz um estágio no Cineclube de Avanca e comecei a colaborar nas animações em curso”– começa Cláudio por explicar- “depois surgiu a oportunidade de fazer o meu primeiro projecto. «Ganância» foi o primeiro filme realizado por mim”.

E é com esse filme, e apenas 16 anos, que Cláudio arrecada o Prémio Jovem Cineasta Português em 2008. Depois deste primeiro sucesso o realizador decidiu ir para a faculdade aprofundar conhecimentos, mas afirma que a melhor forma de aprender é sendo “autodidacta”. E continua: “É importantíssimo aprendermos por nós. O cinema só se faz a experimentar. A animação requer muito trabalho, é uma arte global. É preciso ler, escrever, desenhar e ver. Olhar para as coisas”.

“A animação é muito desafiante. Quanto mais aprendo, mais tenho para aprender, e isso é muito bom!”.

As influências cinematográficas deste jovem promissor são diversas. Desde Walt Disney a “Kunio Kato e Yamamura”. Mas não são apenas os realizadores de animação a sua inspiração, esta passa também por “Georges Melies e Robert Wiene. E também gosto muito do expressionismo alemão no cinema.”

Cláudio Sá nunca esperou que o seu trabalho tivesse o sucesso que tem tido. O realizador ficou surpreendido com as reacções à sua primeira curta-metragem nos festivais nacionais. Mas “Ganância” não ficou apenas por terras lusas, rapidamente foi seleccionada para festivais internacionais.

A curta-metragem de um minuto “Ainda, o Natal” venceu há muito pouco tempo o prémio de Melhor Supershort Portuguesa na MONSTRA. E mais recentemente, “Lágrimas de um Palhaço” foi seleccionada para Cannes, um dos maiores e mais reconhecidos festivais de Cinema a nível mundial.

Mas Cláudio não se sente nervoso. “É fantástico! Cannes é um grande festival e agora quero desfrutar”.

A curta-metragem retrata a rotina de um palhaço: “Neste conto um velho palhaço está preso na rotina e é forçado a rir quando não está feliz. Escolhi o palhaço porque acho que é um exemplo extremo de alguém que por vezes é forçado a fingir sentimentos, alguém que se esconde detrás de uma pintura. Outro tema abordado são as decisões. Como podemos mudar o rumo da nossa vida. Acho que esta frase da Lya Luft define bem o que quero transmitir com este filme: «Podemos tirar o nariz de palhaço e construir algo real com as nossas escolhas» ”.

O jovem cineasta aconselha todos aqueles que querem seguir o caminho da realização e da animação a apostarem nos seus conhecimentos e a serem autodidactas. “O mais importante é nunca desistirmos dos nossos sonhos”.

Perguntámos a Cláudio se o sonho comanda mesmo a vida e a resposta foi “Absolutamente!!”. E no caso do realizador e ilustrador, comanda também uma viagem a Itália no final deste mês ao Video Festival de Imperia.

“O Relógio de Tomás”, até hoje o filme mais premiado do cineasta, está nomeado e Cláudio vai estar presente.

Para breve Cláudio já tem mais projectos na manga. “Um filme de animação para a empresa Cavalinho que estreia este Natal. Um novo filme que se chamará Mandim. É o nome do meu falecido avó e irá contar uma história vivida entre ele e o meu pai.”

 

Veja aqui alguns dos trabalhos de Cláudio Sá

Trailer de “Lágrimas de um Palhaço”

httpv://www.youtube.com/watch?v=n8ERzaY0FiA

Curta-metragem “Ainda, o Natal”

httpv://www.youtube.com/watch?v=psitU-Tj9I0

Trailer de “O Relógio de Tomás”

                       httpv://www.youtube.com/watch?v=UZsJnhYzPzU

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Jornalista Estagiária numa publicação mensal e amante de Cinema e da Cultura nacionais

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