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SoundCloud: Nicki Minaj (finalmente) Pop em “Pink Friday: Roman Reloaded” (a crítica faixa-a-faixa)

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Hey rubys! Finalmente o SoundCloud para a review faixa-a-faixa do novo álbum da Nicki Minaj. Comecei a ouvi-lo há duas semanas e ainda não parei.

“Pink Friday: Roman Reloaded” foi editado a 3 de abril, mas o álbum vazou na net a 28 de março. A edição normal do longa-duração é composta por 19 temas, e a versão deluxe tem mais três.

De um modo geral, “Roman Reloaded” é muito bom. Não é apenas “mais Nicki Minaj”. Ao longo do alinhamento a (até agora) rapper experimenta várias sonoridades, explorando de forma legítima (este é apenas o 2º álbum!) a sua identidade musical.

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O álbum está divido em duas grandes partes. A primeira revela a Nicki que “Pink Friday” (2010) nos mostrou: o hip-hop que a colocou ao nível dos rappers masculinos. Nesta parte do alinhamento, Nicki tem colaborações de topo: Cam’ron, Rick Ross, 2 Chainz, Lil Wayne (o mentor), Nas, Drake e Chris Brown. Ao longo das faixas impõe-se o rap, com sons mais agressivos e com letras mais pesadas (as referências sexuais são uma constante). É o que resta daquilo que havia sido pensado como o “Roman Reloaded” inicialmente. O braço direito de Minaj, SB, disse à MTV que o disco havia sido delineado com uma sonoridade mais hip-hop, e menos Pop…. mas acabou por acontecer o contrário.

A segunda parte do álbum mostra uma Nicki Minaj mais melódica, e menos rapper. São músicas mais soft e muito mais comerciais que colocam a artista ao nível dos números alcançados nos tops por Madonna, Britney Spears ou Lady Gaga. Nesta fase, Nicki vai do R&B à eletrónica, com uma sonoridade Pop que promete fazer as delícias dos amantes do estilo musical.

Mas se esta musicalidade mais Pop não era o objetivo inicial (mas antes a especialização no hip-hop puro e duro), é fácil perceber porquê a mudança. A música é bem mais comercial e facilmente a ouvimos nas rádios de todo o mundo. Para além disso, e os números mostram-no, com “Roman Reloaded”, Nicki expande o seu exército de Barbz (os fãs), chegando a um público não tão ligados à onda hip-hop.

Esta “Nicki” mais Pop era inevitável. Olhando para a boneca hiper-colorida em que a rapper se transformou, era impensável que se mantivesse para sempre no mundo do hip-hop sem experimentar os sons mais comerciais. Experimentou, e saiu-se muito bem. É viciante. É inovador (uma rapper a cantar… há anos que não se ouvia!). É diversificado como um álbum deve ser: há músicas calmas, há músicas para para a loucura, há músicas para o amor e para a raiva. Há música!

Se ainda não vos convenci a comprarem o álbum, vamos à crítica faixa-a-faixa…

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[xrr rating=4/5]

1. “Roman Holiday”

Para mim será das piores músicas do álbum. O lado teatral da rapper resulta num refrão exagerado… mas que fica no ouvido.  A música refere-se a “Roman Zolanski”, o alter ego de Nicki: «I’m a lunatic and this can’t be cured with no elexir».

2. “Come On A Cone”

«Dick in your face/ Put my dick in your face» são os versos que ficam na memória depois de ouvir esta música. É das faixas mais pesadas em termos de vocabulário, mas revela o melhor de Nicki enquanto rapper. A letra em si é forte e dirige-se àqueles que se colocaram no caminho de miss Minaj.

3. “I Am Your Leader” (ft. Rick Ross & Cam’ron)

É incrível como Nicki Minaj, com tão pouca experiência, consegue ficar lado-a-lado com nomes lendários do hip-hop como Rick Ross. As referências sexuais continuam («You’re not a believer, suck a big dick»), mas ainda assim o nível musical mantem-se lá no alto com batidas muito bem conseguidas.

4. “Beez In The Trap” (ft. 2 Chainz)

«Bitches ain’t shit and they ain’t say nothing/ A hundred motherfuckers can’t tell me nothing/ I beez in the trap, bee beez in the trap». Bastaria dizer isto. A música foi escolhida como single do álbum, muito provavelmente pelo refrão viciante e perigoso. O vídeo super hot mostra as curvas da rapper e de mais algumas senhoras.

5. “Hov Lane”

O ritmo já era elevado desde o primeiro minuto, mas intensifica-se em “Hov Lane”. Toda a música faz lembrar o estilo de Jay-Z, e se ouvirem o refrão vão sentir-se a escutar o rapper no feminino.

6. “Roman Reloaded” (ft. Lil Wayne)

De Jay-Z para Lil Wayne. Um beat forte (mesmo ao estilo do mentor), mas que parece não coincidir com a letra. Pelo meio de tanto «bang», Nicki nega a transição para a Pop, mas quem continuar a ouvir o álbum percebe que acontece o contrário. Há ainda referência às rappers que entraram no mapa graças a Nicki, e também ao polémico outfit nos Grammy: «Is it me, or did I put these rap bitches on the map again?/ You mad ‘cause I’m at the Grammys with the Vatican». Giiiirl!

7. “Champion” (ft. Nas, Drake, Young Jeezy)

Momento Kanye West! Uma letra forte, que recupera o percurso de Nicki, do ghetto à ribalta: «This is celebration, this is levetation/ Look at how you winnin now, this took dedication(…) This is for the hood, this is for the kids/ This is for the single mothers, niggas doin biz». Juntam-se colaborações de topo: Young Jeeze, Nas e Drake, com quem a rapper tem uma ligação especial.

8. “Righ By My Side” (ft. Chris Brown)

É aqui que começa a chegar a sonoridade Pop. Sai a agressividade, entra a ternura. Não sei se é por ter Chris Brown pelo meio, mas a música faz lembrar “Air” que junta o cantor com Jordin Sparks numa balada R&B. Dá vontade de ouvir e ouvir e ouvir…

9. “Sex In The Lounge” (ft. Lil Wayne & Bobby Valentino)

É mais uma faixa R&B, mas onde Lil Wayne faz a diferença. O sexo é o tema central, os vocábulos menos adequados também lá estão, mas o refrão de Bobby Valentino tornam a música mais romântica. No meio da música, acaba por perder-se Nicki Minaj. Não por sua culpa, mas pelas performances imponentes dos colaboradores.

10. “Starships”

É neste momento que tudo se transforma. Adeus hip-hop, chegou a Pop, a eletrónica, e o néon. RedOne fez uma das melhores músicas do álbum, e que se tornou num dos singles mais viciantes de Minaj. O rap equilibra-se com o canto e a magia acontece. Chega de invejas e de sexo, começa a festa com “Starships”: «I’m on the floor / I love to dance / If you want more / Then here I am». À procura de música para o verão? Está aqui!

11. “Pound The Alarm”

Se “Starships” vos agrada, esta (que é muito semelhante) e as restantes músicas de “Roman Reloaded” vão fazer-vos delirar. A outra produção de Red One volta a convidar para a dança: «Oh oh oh come fill my glass up a little more/ We ‘bout to get up and burn this floor/ You know we getting’ hotter and hotter/ Sexy and hotter».

12. “Whip It”

Se se lembrarem de “On the floor” de Jennifer Lopez é normal. Rap à parte, ouvimos Nicki Minaj num estilo que mistura a música eletrónica com a latina. O resultado é um cocktail digno das noites loucas de Ibiza. Vício garantido!

13 “Automatic”

É das minhas favoritas do álbum. Há semelhanças com algumas das músicas de “Femme Fatale” de Britney Spears.. mas em bom! O facto de ser uma sonoridade tão diferente da habitual faz com que percamos por momentos a identidade de Nicki Minaj. Pode ser arriscado, mas vale pela música que é fabulosa e vai ficar no ouvido «automatic eh eh eh».

14. “Beautiful Sinner”

Em “Beautiful Sinner” o rap é totalmente substituído pelo canto e a coisa não corre muito bem. A música seria ideal para artistas negras com mais capacidade vocal (Kelly Rowland ou até mesmo Rihanna, por exemplo). Ainda assim vale pelo refrão, bem capaz de nos fazer ouvir o resto da música.

15. “Marilyn Monroe”

Quem já ouviu sabe do que falo, quem vai ouvir, irá perceber. Quando se ouve “Marilyn Monroe” dá-se o efeito “boca aberta”. É das, senão “a”, melhores músicas do álbum. O rap é honesto e sensível (o melhor rap feminino!) e a melodia é Pop mas nada artificial (como acontece com outras tantas faixas).  A cantora já confessou sentir uma ligação especial a Marilyn Monroe, e reforça-o no refrão da música que, espero eu, seja um dos singles rapidamente: «If you can’t handle my worst/ You ain’t gettin’ my best/ Is this how Marilyn Monroe felt?».

16. “Young Forever”

Esta é a música que eu imagino na voz de Leona Lewis. Uma música com imenso potencial, que tinha tudo para ser um arraso nos tops. Mas na voz de Nicki Minaj é provável que nem chegue a single. A pouca capacidade vocal da rapper para o canto impede-a de explorar todas as potencialidades da faixa. Contudo a música é bem conseguida e é mais uma aposta para a playlist de verão.

17. “Fire Burns”

“Fire Burns” é uma música calma, mas não deprimente (Thank God!). «I hope your fire / fire burns baby», mas é Minaj quem incendeia qualquer local onde se oiça mais uma das faixas que deveria ser imediatamente single do álbum. Mas duvido que algum dia o seja: não se enquadra no boneco que é “Nicki Minaj”.

18. “Gun Shot” (ft. Beenie Man)

Já passou o hip-hop, a pop, a eletrónica. E que tal algo um pouco diferente? Uma aproximação ao reggae? Nicki tem raízes em Trinidad e ficam bem evidentes em “Gun Shot”. Se dúvidas houverem, é ouvir a performance do cantor reggae Beenie Man.

19. “Stupid Hoe”

Depois da pior maneira de abrir um álbum, vem a pior forma de o encerrar… e com tão boa música pelo meio! É a pior faixa do álbum. É um single falhado. E a culpa deve ser do alter ego de Nicki, “Roman”, que é também a personagem central da faixa de abertura. Definitivamente prefiro Nicki a Roman. A música é má, a letra pior ainda. Se puderem, acabem o álbum mais cedo.

Resumindo, para segundo álbum, “Pink Friday: Roman Reloaded” é muito bem conseguido. Em grande parte, o sucesso deve-se à equipa por trás de “Nicki Minaj”, mas o talento da rapper/cantora/performer é inegável e louvável. Thank God for Nicki! (Até é profano terminar desta forma com tanta asneira pelo meio do álbum, mas Nicki nunca será uma santa!)

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