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Amor “Com Amor se Paga”

Chega este noite aos ecrãs da RTP o novo programa do prime-time dos sábados. A não quebrar o hábito, é Catarina Furtado quem veremos na condução deste novo programa, cujo nome é revelador: “Com Amor se Paga”. Hoje o “Estado da TV” debruça-se sobre esta nova aposta da estação pública.

Em declarações à imprensa, Catarina Furtado confessa ser um “programa muito inspirador” e que tem um enorme desejo de “surpreender os telespetadores”. À primeira vista isto é só mais um talk-show com a mesma fórmula  “Tardes da Júlia”, mas as “primeiras vistas” quase sempre nos induzem em erro.

Sim, de facto, este novo programa não é mais do que um talk-show. Isto, claro, se nos estivermos a referir ao formato. Mas este produto de televisão não é feito com a habitual receita dos programas de conversa do day-time. O melhor exemplo dessa receita é Tardes da Jú…, da Fáti…, “A Tarde é Sua”. Junta-se uma boa história com muita tristeza, desgraça, emoção e uma pitada de esperança. O que resulta? Não é um bolo. Mas é uma história com muitas lágrimas, muita tristeza, mas sempre com a tal pitada de esperança, normalmente esta última é a parte em que a Jú… Fátima Lopes entra.

“Com Amor se Paga”, desculpem os confessos fãs de Júlia Pinheiro ou de Fátima Lopes, é diferente. E diferente, neste caso, significa mesmo melhor. É pela apresentadora? Não. Quer dizer, eu acho que não. Se se pusesse Catarina Furtado à frente de um “A Tarde é Sua” nada me diz que as conversas e conteúdos seriam diferentes. (Por acaso estou a imaginar a Catarina Furtado a vir do Sudão do Sul ou da Índia para depois se ir por no detetor de mentiras… Seria, no mínimo, hilariante!)

Vão haver lágrimas, vão haver sorrisos e, se for preciso, até haverá uma pitada de esperança, depositada por Catarina Furtado. Mas as histórias de “Com Amor se Paga” não são tristes, não são derrotistas, não são emocionais só porque sim… São histórias de amor, de agredecimento, de gratidão, de esperança. São momentos que faltam a esta sociedade dita civilizada e no topo do avanço e desenvolvimento. Quantos “obrigados” ficam tantas vezes por dizer? Quantas vezes os pedidos de desculpa, as declarações de amor, de gratidão, um simples mas tão complexo “amo-te”, ficam por dizer e por fazer?

Que não se enganem os leitores a meu respeito… Com sorte ainda surge um programa cujo nome deveria ser “As Noites da Catarina”, mas eu quero acreditar que não. Acho que sim, que foi uma boa aposta. Se será uma aposta vencedora? Estou certo de que não. Falaria aqui de audiências se acreditasse em audiências. Para mim as audiências dizem cada vez menos acerca de uma estação televisiva e sobre os programas que são exibidos. Deixo as audiências para outros.

Estou confiante de que “Com Amor se Paga” se possa tornar num produto televisivo de exceção. Um bom momento televisivo. Daqueles que dão prazer em ver. É também função de um serviço público, como é a RTP, oferecer ao seu público um produto de entertenimento com emoções e com sentimentos reais, sem cair no erro de produzir reality-shows.

E, tenho de confessar, gostei do nome do programa. Nada como aproveitar um provérbio português: “Amor com amor se paga”. Uma salva de palmas ao serviço público de televisão.

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Se o Jornalismo não se pode considerar uma ciência temos certamente de olhá-lo como uma arte. A arte de saber contar estórias e marcar a história. Estudante de Jornalismo (ESCS-IPL)

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