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Nicolau Breyner escreveu duas novelas que vai apresentar à TVI

O ator, produtor, argumentista, humorista e também realizador esteve à conversa com o Diário de Notícias e adiantou que apesar de ter inventado a novela, é um género que o cansa e desmotiva, pela rotina a que obriga. Da entrevista que a seguir transcrevemos destaca-se a escrita de duas novelas que deverão ser apresentadas à TVI daqui a 4 meses e o orgulho da nomeação da sit-com “Os Compadres”, transmitida na RTP1, no Festival de Televisão de Monte Carlo.

A novela Louco Amor, assinada pelo argumentista Tozé Martinho, está prestes a estrear-se na TVI. O que pode o público português esperar?
O primeiro episódio é de violência, mas não posso adiantar mais. Há, aliás, violência física ao longo de toda a trama. Esta é uma novela cheia de paixão, com algum humor, e que conta a história de um homem que está preso e que é loucamente apaixonado por uma mulher, a Violeta [personagem entregue à atriz Fernanda Serrano]. Há entre eles uma grande diferença de idades…

Abraça o papel de protagonista. À frente das câmaras é Carlos, um ex-recluso. Como está a ser criar esta personagem?
É bom. É um papel que tem muito a ver comigo. Ele é um homem que mascara um grande sentimentalismo com uma certa dureza…

Inspirou-se em casos próximos?
Conheço muitas pessoas que estão presas. Eu gosto de marginais e o Carlos é um predador… Porque tenho este gosto? Talvez porque estas são figuras cénicas muito ricas. Mas não foi preciso encontrar grande inspiração…

Gravou cenas no interior do estabelecimento prisional de Santarém. Como viveu essa experiência?
O estabelecimento está praticamente desativado. Eu gravei em alas vazias.

Que balanço faz destes meses de gravações, que tiveram arranque em março e estão a decorrer em Lisboa e Castelo de Vide?
Estamos muito adiantados nas gravações. Divertimo-nos muito uns com os outros. É um enorme prazer ir trabalhar.

Numa conferência de imprensa, que decorreu em Castelo de Vide, assumiu ser um ator “irrequieto” e uma pessoa que “facilmente se aborrece das coisas”. É um fardo para si ter de gravar uma novela? Durante um período de quase, ou mais, de um ano?
Sim, é. É verdade sim. Inventei a novela, devo-lhe muito, mas é um género que me cansa. É rotineiro. É desmotivante. E é, por isso, que acho muito importante trabalhar num bom ambiente.

Mas soma, ao longo da sua carreira, dezenas de participações em novelas. O que o faz não desistir destas participações televisivas?
Há, obviamente, motivações que se prendem com o fim do mês (risos). Tenho de ganhar dinheiro, tenho uma família numerosa e, além disso, eu gosto de ter uma vida confortável. O que me move no meio é poder trabalhar noutras coisas como em espetáculos de stand up comedy. No dia 4 de junho, vou viajar até ao Canadá para fazer um desses shows.

É considerado pelos seus pares o “pai das novelas” . Foi um dos autores da primeira novela portuguesa, Vila Faia, exibida, em 1982, na RTP. Pensa voltar, um dia, a assinar novelas?
Sim, sim. Tenho duas escritas na gaveta. A sinopse e os episódios vão ser entregues à TVI.

O que pode adiantar quanto a esses projetos? Quando vai apresentá-las à estação?
As ideias foram surgindo… Uma ideia escreve-se em três linhas… fui tomando notas. Espero apresentá-las daqui a três ou quatro meses. Gostaria imenso de vê-las serem produzidas. Eu , aliás, deveria fazer uma reciclagem do meu corpo…

Por alguma razão em especial?
Sim. O meu corpo tem uma idade e a minha cabeça outra, está com 25 anos. Os meus sonhos são de quem tem 25 anos… as minhas ambições…

Que crítica faz à qualidade das novelas portuguesas?
Subiram de fasquia, ganham já prémios internacionais e, por isso, só posso dizer que temos grandes atores, realizadores, argumentistas…

Está nomeado para melhor ator de comédia com a série Os Compadres, no Festival de Televisão de Monte Carlo. Como vê esta nomeação?
A nomeação que me dá mais gozo não é essa. É, sim, a indicação da série para a categoria de Melhor Série de Comédia. A nomeação já em si é uma honra. É a prova perante as estações de televisão que a sit-com funciona.

Como explica esta distinção?
Os Compadres é uma série divertida, com um humor simples e quase ingénuo.

Gostaria de trazer um ou os dois prémios para Portugal?
Os dois, claro! (gargalhadas) Mas isso não vai acontecer…

A entrevista foi conduzida por Irina Fernandes, para o Diário de Notícias.

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Se o Jornalismo não se pode considerar uma ciência temos certamente de olhá-lo como uma arte. A arte de saber contar estórias e marcar a história. Estudante de Jornalismo (ESCS-IPL)

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