Destaques

Diário do Rock in Rio: dia 25, o dia do metal (Crítica)

1c4ac0319ef9ff5a0998df57d2000c3abd49a55a650280auto25

A nova edição do Rock in Rio Lisboa arrancou ao som do metal. As t-shirts pretas invadiram o Parque da Bela Vista. Os Metallica eram os cabeça de cartaz e cumpriram o título… mas não surpreenderam. Os Evanescence tentaram mostrar que também eram malta da pesada mas não conquistaram totalmente os rockeiros mais conservadores. Como já vem sendo hábito, as grandes surpresas aconteceram nos restantes espaços do festival. No Palco Sunset, os Mão Morta levaram a multidão ao rubro, deixando a fasquia muito alta para os artistas que se seguiram. O palco Vodafone FM que recebeu os festivaleiros ofereceu a música portuguesa de novos artistas que provaram ter tanta ou mais qualidade que muitos que já cá andam há uns anos.

Palco Mundo

Sepultura

Coube-lhes inaugurarem o palco principal. A responsabilidade era muita e por isso os Sepultura fizeram-se acompanhar pelos Tambours du Bronx – 13 percussionistas franceses que trouxeram para o palco as suas latas de metal. Ainda com o sol a dar ar da sua graça, o grupo provou como é possível inovar em festivais (ao contrário do que viriam a fazer outros mais tarde!). Às guitarradas dos Sepultura juntaram-se as batidas potentes dos Tambours du Bronx num casamento perfeito. Os momentos finais do concerto com “Territory” e “Roots Bloody Roots” foram de cortar a respiração (num bom sentido, porque ainda havia muito para viver!).

Mastodon

Os fãs esperavam “The Hunter” e assim o tiveram. O alinhamento do concerto foi marcada pelas músicas do mais recente álbum dos Mastodon que já tinham passado pelo Coliseu de Lisboa este ano. Decididos a dar um dos melhores concertos da noite, os Mastodon encheram o palco e exibiram a sua técnica sublime, enquanto desfilavam pela nova plataforma do Palco Mundo. Na memória fica a música de encerramento – “Blood And THunder” – great!

_MG_0182Evanescence

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, e os Evanescence não conseguiram arrebatar a multidão que esperava pelos Metallica. Amy Lee, a vocalista, ainda recordou o concerto de há 8 anos, mas o conceito “Evanescence” parece estar já desgastado. A sonoridade e a banda com uma voz feminina são “tão 2000” que acabou por não agradar aos festivaleiros de negro – os mais conservadores e exigentes musicalmente. Os Evanescence lançaram em 17 anos apenas três álbuns – o último, homónimo, foi editado em 2011 – e pelo meio a banda foi toda reformulada. Ainda assim a mudança tem de ser maior para que o sucesso volte: “querido, mudei a música!” precisa-se! Agarrados aos tempos de glória, “Going Under” e “Bring Me To Life” estiveram presentes mas no final houve boos e pessoas a perguntar «Então e o “My Immortal?»… fica para a próxima!

Metallica

Chegava o tão esperado concerto da noite. Os fãs já sabiam que iam assistir a um concerto único, afinal os Metallica iam tocar na íntegra o seu mais bem-sucedido álbum a nível comercial – o “Black Album” (que na verdade é homónimo). E como sabiam ao que iam, os fãs chegaram mesmo em cima da hora. Até ao concerto dos Evanescence a afluência ao Parque da Bela Vista estava calma, mas de um momento para o outro a cor negra intensificou-se para ver ao vivo os Metallica. Os êxitos sucederam-se. Braços no ar para “Enter Sandman”, “Sad But True” e “The Unforgiven”, e telemóveis ligados no momento de “Nothing Else Metter”. O mesmo entusiasmo não se verificou em temas mais estranhos como “The God That Failed”, “Of Wolf and Man” e “Holier Than Thou”. Para o final, os Metallica guardaram um encore muito suportado nos efeitos pirotécnicos. “Fight Fire With Fire” teve direito a chamas, que fizeram subir a temperatura na pele dos festivaleiros das primeiras filas. Em “One” houve lasers e petardos. O concerto encerrou com “Seek & Destroy”, um dos temas mais emblemáticos dos Metallica. «We are scanning the scene in Lisbon tonight» deu o mote para descerem dos céus (vindas de uma das torres instaladas no recinto) bolas com o logótipo da banda. Final do concerto. Os Metallica cumpriram o prometido mas não surpreenderam, e não se sentiu a química de outros tempos com o público português. Em alguns momentos do concerto, chegou a parecer que os músicos só queriam despachar o alinhamento.

Quanto ao Rock in Rio, abençoam-se os novos espaços como a Rock Street, dedicado às artes de rua,  e a aposta ainda maior no palco Sunset, o eterno “palco secundário”, que de secundário tem muito pouco. O dia 1 do festival não atinguiu em números a afluência de outros dias mais comerciais. Ainda assim estiveram no recinto do Parque da Bela Vista cerca de 42 mil pessoas. O número deverá aumentar nos próximos dias, quando os Linkin Park, Smashing Pumpkins, Maroon 5, Stevie Wonder e Bruce Springsteen subirem ao Palco Mundo.

Fotos: My Way e Rock in Rio

Categorias
DestaquesMúsica

Media student, workaholic, tv-radio-web addicted, fashion victim, music lover. A life enjoyer.

Comentários