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Diário do Rock in Rio: dia 26, o dia do rock alternativo (ou dos Linkin Park) (crítica)

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No segundo dia do Rock in Rio, cruzaram-se gerações no Parque da Bela Vista. De um lado Limp Bizkit, do outro os Linkin Park, numa noite que terminou a dois tempos com os Smashing Pumpkins. No Palco Sunset, o português dos Xutos & Pontapés encontrou-se com o sotaque brasileiro dos Titãs. No final da noite, a organização contabilizou 83 mil visitas.

Metallica e Evanescence atuaram no dia do metal no RiR (crítica)

Palco Mundo

Limp Bizkit

Era um dos concertos mais aguardados do dia, e isso justifica a multidão que se juntou em frente ao Palco Mundo logo no primeiro concerto. Fred Durst e companhia subiram ao palco para apresentar 10 músicas que recordaram a glória de outros tempos. Decididos a recuperar o sucesso do passado, os Limp Bizkit apresentaram apenas um tema – “Bring It Back” – do mais recente álbum, “Gold Cobra” (2011). «Este é um grande dia para os Limp Bizkit. Há muito, muito tempo que não tínhamos um dia assim» disse Fred, que não hesitou em lançar-se no meio da multidão, percorrendo o corredor que liga o palco à regie, acabando por ficar fora do alcance das camaras que filmavam o concerto. Entre músicas como “Hot Dog”, “Livin It Up” ou “Nookie”, o vocalista do grupo não perdeu a oportunidade de interagir com os milhares de pessoas que vibravam em frente ao palco – uma tentativa de voltar a conquistar a ribalta? Em “My way” e “Behind Blue Eyes”, Fred teve direito a acompanhamento: o RiR cantou em uníssono alguns dos temas mais populares do grupo.

The Offspring

Os primeiros minutos do concerto do grupo causou um deja vu a muitos dos presentes que estiveram há quatro anos no RiR – o alinhamento era idêntico ao concerto de 2008. Os êxitos sucediam-se – “All I Want, Come out and play”, “Pretty Fly”, “Self Esteem”… – e o número de festivaleiros aumentava. A passagem por Portugal só poderá ser positiva para os Offspring, que ganharam mais uns quantos fãs que escutaram a música da banda pela primeira vez no festival.

Linkin Park

Sem cabeça de cartaz, mas com a cabeça no sítio certo os Linkin Park subiram a palco para dar um dos melhores concertos desta edição do RiR (pelo menos até agora). “Living Things”, o álbum que chega em breve às lojas, estava na mira dos fãs mais conhecedores da banda – “será que vão cantar?”. A resposta era “Sim”. Os LP apresentaram dois temas do novo disco – “Lies Greed Misey” e “Burn It Down” – mas grande parte do concerto foi como uma edição “Greatest Hits” de toda a carreira. Desde o momento em que Chester Bennington entrou em palco, os ânimos só pararam no final. Entre saltos, braços no ar e vozes bem afinadas, os êxitos foram passando de forma tão natural que no final o pensamento foi «já acabou?». “Given Up”, “Faint”, “From The Inside” e “Somewhere I Belong” levaram o público ao rubro.

Os maiores coros da noite foram para “Numb”, “Shadow The Day” e “Leave Out All The Rest”, que arrepiaram os presentes (e levaram alguns às lágrimas!). Como se ainda não chegasse, os LP tinham guardados para a reta final mais uns quantos êxitos: “Breaking The Habit”, “What I’ve Done”, “New Divide”, “Crawling”, “In The End”, “Bleed It Out”, “Papercut” e “One Step Closer”, que fechou o concerto.

Apesar de não serem cabeça de cartaz, os LP portaram-se como tal. Chester e Mike Shinoda mostraram como se apresenta um concerto em modo festival: entraram pela multidão a dentro, fundiram vozes com o público, interagiram com os fãs, subiram grades e, claro está, o vocalista levou para o palco um cachecol do FC Porto (resultado: o único boo da noite!).

Smashing Pumpkins

Dizer que os Smashing Pumpkins atuaram no RiR não deixa de ser estranho. É que desde o início já toda a banda foi reformulada, à exceção do vocalista, Billy Corgan. Ele bem tenta fugir ao passado e centrar-se nas músicas mais recentes da nova formação, mas é impossível fugir a um passado que transborda sucesso. Assim, o grupo começou da forma mais segura possível: “Zero”, “Bullet” e “Today”. Como esperado, o público não ficou indiferente, mas o entusiasmo não durou muito. O ritmo foi acalmando à medida que Corgan experimentava as sonoridades de “The End Is The Beginning Is The End”, de “Starla” e de “Oceania”, o álbum que é editado este ano (não seria mal pensado esperar primeiro que o público se familiarizasse com estas músicas). O concerto viria a recuperar o ritmo do início quando se ouviram “1979”, “Ava Dore” e “Tonight”, estes sim êxitos já bem conhecidos do público.

O retorno dos Smashing para o encore aconteceu a muito custo – o público não parecia ter muita vontade, os habituais cânticos e aplausos não existiram. Mas certo é que voltaram. “Disarm” acordou os festivaleiros, afinal a noite já ia longa e as emoções tinham sido muitas. “Space Oddity”, “X.Y.U.” , “Mellon Colie” e “Black Diamond” dos Kiss fecharam o concerto.

Uma considerável multidão que assistiu ao concerto, de facto, pelos comentários que se ouviram, não conhecia o grupo, nem as suas músicas – eram os fãs dos LP. Para estes deve ficar apenas uma imagem na cabeça: Nicole Fiorentino, a única mulher no palco no dia 2 do RiR, a baixista da banda. Eu cá peço a Billy Corgan que repense o alinhamento entre os êxitos do passado e a música mais recende do grupo – é possível fazer melhor!

Palco Sunset

O Palco Sunset foi um destino incontornável no segundo dia de festival. No cartaz estavam os nomes da melhor banda rock portuguesa e da melhor banda rock brasileira. Os Xutos & Pontapés e os Titãs atuaram juntos no RiR 2011 no Rio de Janeiro, e voltaram a cruzar-se em Lisboa. Eles não são os artistas brasileiros mais populares em Portugal, mas os Xutos ajudaram e o espírito rockeiro fez sentir-se enquanto a noite caía. Por entre as habituais críticas sociais dos Xutos, surgem as dos Titãs contra banqueiros e políticos – em tempos de crise é a formula de sucesso! Na memória fica “À Minha Maneira”, êxitos dos portugueses na voz dos brasileiros.

O segundo dia do Rock in Rio levou ao Parque da Bela Vista o dobro do número de pessoas presentes no primeiro dia. Cerca de 83 mil festivaleiros estiveram no recinto que volta a encher-se dia 1 de junho, sexta-feira. Nessa altura, o espírito será bem mais familiar… e pop! Expensive Soul, Ivete Sangalo, Maroon 5 e Lenny Kravitz irão atuar no Palco Mundo. No Palco Sunset há Boss AC, Orelha Negra e Tiago Bettencourt entre outros.

Fotos: My Way

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