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Diário do Rock in Rio: Dia 1, o dia da criança (crítica)

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O terceiro dia do RiR coincidiu com o Dia da Criança e a organização não fez por menos. Este deverá ter sido o dia com mais festivaleiros a baixo dos 25 anos de idade. O Parque da Bela Vista encheu-se de jovens ansiosos por ver os Maroon 5 que não defraudaram as expetativas. Para além dos jovens, os brasileiros fizeram a festa nesta quente sexta-feira ao som da rainha do RiR, Ivete Sangalo, que veio a Portugal renovar o título. Contudo, o rei da noite acabaria por ser Lenny Kravitz.

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Palco Mundo

Expensive Soul

O concerto dos Expensive Soul começou com “Tem Calma Contigo”, mas aquilo que New Max e Demo pediram ao público foi tudo menos calma. Com a Jaguar Band, a dupla de Leça da Palmeira arrastou para a sua estreia no Palco Mundo do festival uma multidão pouco comum para as primeiras horas do dia. O alinhamento do concerto fez-se de êxitos – afinal já lá vão 3 álbuns e mais de 10 anos de carreira. Um dos momentos altos foi a interpretação de “O Amor É Mágico”, que levou ao palco a comitiva de atletas portugueses nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos deste ano – entre eles estava Rosa Mota, que não resistiu a um passinho de dança! “Dou-te Nada”, “Falas Disso” e “Eu Não Sei” foram cantados em uníssono pelos festivaleiros do RiR que, desde o início, vibraram a cada tema que se ouvia.

De facto não seria de esperar a quantidade de gente que se aglomerou em frente ao Palco Mundo para cantar com os Expensive Soul. Ainda assim, a dupla agarrou o público e provou que os talentos portugueses também têm mérito e qualidade para marcar presença nos palcos principais dos festivais. New Max deu largas à sua capacidade vocal (e que voz!). Demo provou ser um excelente performer. Visivelmente emocionado com a multidão que respondia aos seus incentivos, o músico não parou enquanto não despiu a t-shirt, levando algumas dezenas de espetadores a segui-lo.

O concerto terminou com “Hoje é o dia mais feliz da minha vida”, tema dedicado aos mais novos no dia deles. Este também terá sido um dos dias mais felizes do percurso dos Expensive Soul.

Ivete Sangalo

Sim, ela voltou e para arrasar… mais uma vez! Vestida de branco, de bengala na mão, chapéu na cabeça e saltos altos nos pés, Ivete chegou a mais uma edição do RiR ao som de “Brasileiro”. Com a habitual dose de samba imparável, a brasileira declarou-se por múltiplas vezes aos portugueses – “sinto-me em casa”.  Enquanto no público os brasileiros se misturavam com os nacionais, os êxitos foram desfilando.  “Pererê”, “Canibal”, “Cadê Dalila”, “País Tropical” e “Desejo de Amar” fizeram os festivaleiros “tirar o pé do chão”. Como se a aula de aeróbica já não fosse em alto ritmo chegava o tema que Ivete admitiu já a ter emocionado muito em Portugal. “Sorte Grande”, mais conhecido por “Poeira”, foi ouvido em alto e bom som no Parque da Bela Vista e arredores. Como sempre, há um momento do espetáculo reservado a recordar os temas clássicos do passado de Ivete, na Banda Eva. “Beleza Rara” juntou as vozes dos mais de 60 mil visitantes do terceiro dia do RiR 2012. Paragem para respirar: Ivete senta-se… ao piano para cantar “Easy”, um original dos Commodores. Resultado: acabou em lágrimas com a ovação inesperada mas merecida dos fãs acérrimos que por ela esperaram desde bem cedo (alguns desde o dia anterior!). O concerto terminou ao som de “Arerê”, e com a promessa de que Ivete volta este verão a Portugal para concertos em Portimão e no Porto.

Ainda assim, apesar do sucesso de mais noite, não perdoo o facto de não terem feito parte do alinhamento músicas como “Se eu não te amasse tanto assim” ou “Quando a chuva passar”.

É discutível se já não chega de Ivete no RiR. A cantora é a única artista que pisou o Palco Mundo em todas as edições do festival, a par dos Xutos & Pontapés. Mas este concerto provou que o público continua recetivo à música e ao carisma da brasileira. Parece que RiR sem Ivete já não é RiR.

Maroon 5

As expectativas eram elevadas mas os rapazes estiveram à altura. A atravessar um dos pontos altos da carreira, os Maroon 5 chegam pela primeira vez a Portugal através do RiR. O concerto começou ao som do mais recente single da banda, “Payphone”, que integra “Overexposed”, álbum que chega às lojas este mês. Aos primeiros acordes, os muitos fãs no recinto juntaram-se a Adam Levine. O alinhamento do concerto foi composto pelos principais êxitos da banda com especial destaque para as músicas de “Songs About Jane”, o disco mais bem sucedido a nível comercial do grupo. Deste álbum foram apresentados “Harder to Breathe”, “Sunday Morning”, “The Sun” e “This Love”, a segunda música do alinhamento introduzida ao som “Stereo Hearts” (dos Gym Class Heroes na qual Adam Levine tem uma colaboração especial). Esta sucessão de êxitos a todo o ritmo deu uma dinâmica interessante ao concerto. Ainda assim acabou por perder-se um pouco a interação com o público, ainda para mais depois de uma atuação da tão carismática Ivete Sangalo.

A haver um adjetivo para qualificar o concerto dos Maroon 5 no RiR seria “equilibrado”. Ao longo da mais de uma hora de música, o grupo mostrou um pouco de toda a sua diversidade musical. Houve tempo para o rock puro e duro acompanhado das guitarradas que eram depois sucedidos de sonoridades mais Pop, de que é exemplo “Moves Like Jagger”. O hit era dos temas mais aguardados da noite e só faltou Christina Aguilera para que tudo fosse perfeito. O espetáculo encerrou com Adam Levine a mostrar os seus dotes de maestro ao coordenar o público do RiR na interpretação de “She Will Be Loved”, tema dedicado a todas as mulheres presentes no festival.

A passagem pelo Parque da Bela Vista serviu para que os Maroon 5 conhecessem o vasto grupo de admiradores portugueses, e para ponderarem voltar a Portugal para um espetáculo em nome próprio. Pelo menos essa foi a vontade com que os fãs ficaram no final do concerto.

Lenny Kravitz

Lenny Kravitz sofreu as consequências de subir a palco depois dos Maroon 5 e num dia em que os adolescente encheram o RiR. Perante uma audiência menor, mas ainda assim muito composta, Lenny trouxe para o festival “Black And White America”, o mais recente disco. “Come On Get It”, música desse álbum, abriu o concerto. Seguiram-se alguns dos maiores êxitos da carreira do músico que acordaram o público. Antes de voltar ao novo álbum para interpretar a música que lhe dá nome, Lenny mostrou uma vez mais ser um músico eclético e trouxe para o espetáculo guitarras, trompetes e pandeiretas. O ritmo era intenso mas as coisas acalmaram com “Stand By My Woman”, o momento romântico da noite.

“Are You Gonna Go My Way” foi um dos momentos da noite, não se tratasse de um dos temas mais emblemáticos da discografia de Lenny. Para a reta final do concerto, Kravitz lançou fortes cartadas, “Where Are We Running?” e “Fly Away”, que deixaram o público a pedir mais. Para o encore o músico guardou uma versão XXL de “Let Love Rule” (já sem os óculos escuros!).

Em Lisboa Lenny provou ser mais uma vez um mestre no que faz. Ao talento para a música junta o tal charme pelo qual muitas mulheres ansiaram ao longo do dia. Perderam-se as vezes em que o músico agradeceu aos portugueses pela oportunidade de visitar o RiR mais uma vez. De facto, interação com o público não faltou. Kravitz desceu do palco e só voltou a subir depois de cumprimentar os fãs nas primeiras filas em frente ao Palco Mundo. Ainda assim, não foi suficiente para manter o público agarrado.

Corriam rumores de que Lenny terá recusado atuar no RiR no primeiro fim-de-semana do festival por causa do seu aniversário no dia (dia 26 de maio). No entanto, talvez tenha feito a opção errada. Primeiro porque teria sido uma bela festa de aniversário. Depois porque acabou por não ter o público que mais se adequa ao seu estilo musical. Prova disso são os restantes nomes do cartaz e o público que foi abandonando o recinto ao longo do concerto de Lenny.

Fotos: Rock in Rio

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