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Vira o disco e toca o mesmo

Para quem já teve oportunidade de ligar o televisor entre as 18h e as 19h, esta semana, e sintonizar o canal do grupo MediaCapital, encontrou um novo programa. “Vídeo Pop” é a nova aposta da TVI para o horário onde há anos se assiste a programas de jogos e passatempos televisivos.

E o que é “Vídeo Pop”? Uns afirmam que o novo formato da TVI, apresentado por Nuno Eiró e Leonor Poeiras, é uma cópia de “Gosto Disto!”, programa que tem alcançado grande sucesso na concorrente SIC. Há ainda quem diga que, não sendo um programa exatamente igual àquele que Andreia Rodrigues e César Mourão conduzem, o novo programa é uma cópia de outros programas semelhantes.

Para mim, a estreia pouco publicitada deste novo formato, o que é raro da televisão atualmente dirigida por José Fragoso, tem duas razões: 

1. RECURSOS vs. CRISE

Como todos sabemos, não há empregado que dê lucro, não trabalhando… É o que tem acontecido com Leonor Poeiras, Marisa Cruz, Iva Domingues e, mais recentemente, Nuno Eiró, que figuram, alternadamente, aos domingos à tarde, nas famosas emissões de “Somos Portugal”. E porque não estamos numa época em que o desaproveitamento de recursos seja uma hipótese válida, a mim parece-me que “Vídeo Pop” não passou de uma forma de aproveitar os recursos que estão, neste momento, a ser desaproveitados. E porque a crise é a palavra de ordem, este é mais um programa com um formato económico. Se se parece com “Gosto Disto!”, “Não Há Crise”, entre outros? Sim. Porquê? Acho que só José Fragoso poderá responder a isso. Ou ele ou a GfK, tendo em conta os resultados obtidos por esses programas.

2. HORÁRIO 

Se, por um lado, há desaproveitamento de recursos e uma crise instalada, por outro, há também um horário por preencher. Desde o fim inesperado de “Dá Cá Mais 5”, apresentado por Leonor Poeiras, o horário das 18h às 19h foi preenchido pelo programa de Fátima Lopes, que se estendia até cerca das 19h, o que, estrategicamente, não era uma boa aposta, tendo em conta os fracos resultados alcançados por “A Tarde é Sua” nesse horário. Esta foi a forma de Fragoso jogar um 3 em 1, preenchendo o horário.

A questão que se impõe é a seguinte:
Com apenas duas emissões, “Vídeo Pop” é a aposta certa? 

São apenas duas emissões aquelas em que este comentário incide, mas em apenas duas emissões há muito para comentar, analisar, criticar. Mas, para mim, a resposta resume-se a isto:

1. Uma dupla dinâmica, divertida, algo interessante e que até pode resultar… Pergunto apenas se não será alegria, entusiasmo e energia a mais para um programa de 50 minutos! Veremos com o tempo.

2. Um formato que não é inovador, nem muito interessante, mas que até pode resultar. Com uns ajustes, o novo programa da TVI tem tudo para funcionar. Mais vídeos, menos apelos ao passatempo de casa, quiçá redefinir as linhas orientadoras, para que se pareça, de facto, mais com um telejornal (num registo semelhante a “Telerural”, por exemplo) e “Vídeo Pop” poderá vingar.

3. Um programa a fugir ao habitual, mas com a mesma fórmula. A TVI sempre apostou em jogos e passatempos para aquele horário e “Vídeo Pop” não é uma fuga à tradição. Apesar de se apresentar como um programa de entertenimento, o passatempo de casa é um assunto eminente a cada diálogo entre os apresentadores. Acredito que o programa venha a ser um fiásco somente por esta problemática: as pessoas não têm paciência para ouvir de 5 em 5 minutos o mesmo apelo: “Ligue, pode ganhar vários prémios, 760 200 300, é só marcar e ligar. Tem seis prémios em jogo escondidos por estas sete caras que você tão bem conhece”.

Atrever-me-ia a empregar uma expressão popular: “Vira o disco e toca o mesmo”.

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Se o Jornalismo não se pode considerar uma ciência temos certamente de olhá-lo como uma arte. A arte de saber contar estórias e marcar a história. Estudante de Jornalismo (ESCS-IPL)

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