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Diário do Optimus Alive: dia 14, o dia dos The Cure e da “boa vibe”

14jul

Ao segundo dia de Optimus Alive, os The Cure foram os reis do Passeio Marítimo de Algés. Os We Trust, Noah and The Whale e Mumford and Sons trouxeram boas vibrações para o festival e mostraram que o futuro da música está bem entregue. No Palco Heineken Tricky e Awolnation tiveram casa cheia.

Diário do Optimus Alive: 13 de julho, o dia mundial do rock foi para os LMFAO e os Buraka

We Trust

19h15 – O Palco Optimus abriu com sangue português. Os We Trust mostraram que os artistas nacionais também têm qualidade para estarem presentes no palco principal do Alive. Apenas com um álbum editado, “These New Countries”, o grupo do realizador André Tentugal começou o concerto com algumas centenas de festivaleiros junto ao palco. Limitados ao reportório próprio de um único disco, os portugueses experimentaram outras sonoridades: foram desde “Smooth Operator” de Sade a uma homenagem aos Chemical Brothers com “Swoon”, muito bem recebidos pelo público que foi aumentando  ao longo do concerto (alguns milhares no final). O espetáculo terminou com a plateia a entoar em uníssono “Time (Better Not Stop)”. Grande arranque!

Noah and the Whale

20h25 – Caía o sol quando os Noah and the Whale subiam a um palco português pela primeira vez, facto considerado “uma benção” que os outros festivais não proporcionam, para o vocalista do grupo, Charlie Fink. Multifacetados na sua sonoridade, os Noah and the Whale trouxeram ao Passeio Marítimo de Algés a música bem assente no folk e na onda alternativa, mas que em alguns momentos chega a piscar o olho à Pop.

Do alinhamento do concerto fizeram parte temas dos três trabalhos da discografia do grupo. Do álbum de estreia destacam-se temas como “5 years time” e “Give a little love”. Do segundo disco, a branda apresentou músicas  como “Blue Skies”. Do mais recente “Last Night On Earth”, editado em 2011, o destaque vai para”Just Before We Me” e “Life is life” (que abriu o espetáculo).

Decididos a conquistar mais alguns admiradores, os Noah and the Whale saem do Optimus Alive bem vistos. O concerto serviu de excelente aquecimento para os senhores que se seguem: Mumford and Sons (recomendados por Charlie Fink).

Mumford and Sons

22h00 – “Little Lion Man” pareceu um osso para cães. Aos primeiros acordes era ver os festivaleiros a correr para a frente do Palco Optimus. Era o arranque da estreia dos Mumford and Sons em Portugal, um dos concertos mais esperados de todo o festival. Apenas com um álbum editado, o grupo encantou o mundo e, pelos vistos, com Portugal incluído.

Com um certo cheiro a rústico americano, Marcus Mumford entrou em palco com uma mão lesionada. O vocalista do grupo ainda se esforçou para falar em português, mas com pouco sucesso, há que admiti-lo. Valeu a desculpa e o elogio pela “nossa sofisticação enquanto nação”. Valeu o teclista para salvar a honra de Mumford com algumas frases em português.

O concerto fez-se ao som das faixas que compõe o disco de estreia dos Mumford and Sons. O destaque vai para “The Cave”, música que fechou o concerto e que catapultou o grupo para as luzes da ribalta; e para “Little Lion Man”, “Love Of The Light” e “Roll Away Your Stone”. O grupo aproveitou para apresentar músicas como “Lover’s Eyes” e “Below My Feet”, que irão integrar o novo álbum, que chega às lojas em setembro.

A avaliar pela felicidade do público, será de esperar que os Mumford and Sons regressem a Portugal para um concerto em nome próprio. Esperemos!

Morcheeba

23h15 – Os Morcheeba chegam ao Alive com a ingrata tarefa de substituir os Florence and the Machine e de abrir o palco para os The Cure. Contudo a convocação de última hora não serviu de desculpa para qualquer problema que pudesse surgir. “Só soubemos que vínhamos tocar ontem às duas da tarde, por isso é um grande prazer estar aqui” contou Paul Hodfrey, guitarrista do grupo que durante o concerto viria a lançar a provocação: “façam algum barulho: sei que não éramos nós que queriam ver, mas estamos a dar o nosso melhor!”.

A verdade é que o público presente junto ao Palco Optimus não é assim tanto como seria de esperar a esta hora. Por muita qualidade e por muito bom que tenha sido o concerto de Skye Edwards e companhia, os Morcheeba terão ficado apenas como “os substitutos”, para o público sedento por ver Florence and the Machine.

Embora com este desprestigiante rótulo, os Morcheeba cumpriram o seu papel. A voz suave de Skye abriu o concerto com “The Sea”. O destaque vai para as interpretações de “Blindfold”, “Crimson”, “Otherwise” e “Never An Easy Way”.

Contudo os momentos que arrancaram uma reação mais entusiasta do público aconteceram com músicas que não são da autoria do grupo. Skye arriscou-se numa brincadeira para a interpretação de “Music” de Madonna e de “Just Dance” de Lady Gaga. Mas a maior ovação viria com a referência a Florence Welch que cancelou o concerto por motivos de saúde. Para confortar os fãs, a vocalista dos Morcheeba interpretou parte de “You’ve Got The Love”, um dos êxitos da banda ausente.

O concerto terminaria com um dos grandes sucessos do grupo “Rome Wasn’t Built In A Day”, perante uma plateia bem mais composta que se preparava para ver The Cure.

The Cure

3h20 – Sim, confirma-se. Foram três horas de concerto, três horas recheadas de música, de êxitos, de história da Música. Uma história que começou a ser contada com “Plainson”, “Pictures of You” e “Lullaby”,  e terminou com um surpreendente “10:15 Saturday Night” que, como explicava Robert Smith, “já não tocamos há muito tempo”.

Pelo meio passaram os grandes sucessos de uma carreira de mais de 35 anos: “Just Like Heave” levou o público ao rubro, assim como os tão aguardados “Friday I’m In Love”, “Close To Me”, “”Why Can’t I Be You” e “The Love Cats”. Na verdade será difícil lembrarmo-nos à primeira de uma música que os The Cure não tenham tocado… ao todo foram 36 temas.

Se nem todos aguentaram estas três horas, a maioria lá esteve do princípio ao fim. Fãs ou não, conhecedores ou não dos The Cure, os festivaleiros aguentaram-se, o que só comprova a qualidade do grupo e do espetáculo que apresentaram. Ou então ficaram até ao final para ouvir “Boy’s Don’t Cry”, tocada já no segundo encore (foram 3!) e quando Smith perguntou ao público se queria ouvir uma música rápida ou lenta.

O concerto dos The Cure, e a forma como está estruturado, é uma delícia não apenas para quem admira a banda, mas também para quem gosta de Música em geral. Com mais de 3 décadas a criar música, um espetáculo de Robert Smith e companhia funciona como uma viagem a modas, a tendências, a estilos musicais que vão desde o rock mais gótico, ao punk, às baladas, à pop. E no meio de toda esta mixórdia (sim, inspirei-me no Ricardo Araújo Pereira que também por lá andava), os The Cure não perdem a sua identidade, a base que os distingue das bandas que com eles começaram há 30 anos (a maioria já não existe hoje). Memorável!

Tricky e Awolnation a pedir mais espaço no Palco Heineken

Atrevo-me a dizer que era o cabeça de cartaz de todo o festival no Palco Heineken. Tricky deveria ter subido a palco com Martina Topley-Bird para interpretar o aclamado “Maxinquaye” de 1995, mas à falta da cantora, assistimos ao recordar de toda a carreira de um dos fundadores do chamado trip-hop.

Com casa cheia, Tricky trocou Topley-Bird por Franky Riley, e ficámos muito bem servidos. Ao som de “Feeling Good” de Nina Simome arrancou o concerto curto para tanto que havia para ouvir. No Palco Heineken ouviu-se também “Karmacoma” e “Puppu Toy”, originalmente dos Marrive Attack”, e “Ace of Spades” dos Motorhead. Pelo palco passaram também, a convite de Tricky, muitos dos festivaleiros que estavam na audiência.

Antes do cantor subir a palco, passaram por lá os Awolnation. Também com o espaço lotado, Aaron Bruno cantou, arranhou as cordas vocais, fez crowd surfing, e levou o público ao rubro com constantes elogios (a t-shirt que tinha estampado “I love Lisboa” é só um exemplo).

Para quem só conhecia “Sail” do tão falado anúncio da PT, o concerto foi uma agradável surpresa. Poderá dizer-se que no final, Aaron e companhia arrecadaram mais uns quantos fãs. A atuação começou ao som de “People”. “Guilty Filthy Soul” e “Soul Wars” terão sido duas das músicas mais bem-conseguidas. Mas a explosão aconteceu mesmo no fim ao som de “Sail”. Esperemos pelo concerto dos Awolnation em nome próprio – não deve faltar muito!

No palco Heineken, a merecida referência para os Here We Go Magic e para os Blasted Mechanism que encerram a noite.

Cartaz do Optimus Alive 2012

13 de julho

Palco Optimus
Justice – 01h30
Stone Roses – 23h10
Snow Patrol – 21h10
Refused – 19h40
Danko Jones – 18h30

Palco Heineken
Death in Vegas – 03h00
Zola Jesus – 01h45
Buraka Som Sistema -00h20
Santigold – 23h00
LMFAO – 21h40
Miuda – 20h20
Dum Dum Girls – 19h05
The Parkinsons – 17h55
Banda vencedora concurso CM Oeiras – 17h00

Palco Optimus Clubbing
Brodinski – 02h30
Planningtorock – 01h40
Miss Kittin – 00h05
Busy P – 22h50
Gesaffelstein – 21h50
Club Cheval – 20h30
Logo – 19h30
Aeroplane – 18h00
Rory Phillips – 17h00

Coreto Optimus Alive
17h35 e 18h15 – Lindy Hop (aulas abertas de charleston e swing out com demonstração a pares e DJ)
19h55, 21h10 e 21h40 – Ratz Swinger (concertos)
00h00 – Texabilly Rockets + Cais Sodré Cabaret! (concerto + atuação – apresentação do Cais Sodré Cabaret)
01h20 e 02h35 – Texabilly Rockets + Cais Sodré Cabaret! (concertos + atuações)

14 de julho

Palco Optimus
The Cure – 23h50
Morcheeba – 22h10
Mumford and Sons – 20h40
Noah and the Whale – 19h30
We Trust – 18h30

Palco Heineken
Blasted Mechanism – 03h00
SebastiAn – 01h40
Katy B – 00h30
Tricky – 22h55
Awolnation – 21h30
The Antlers – 20h15
Here We Go Magic – 19h10
Big Deal – 18h05
Lisa Hannigan – 17h00

Palco Optimus Clubbing
James Murphy & Pat Mahoney – 02h00
Art Department – 22h20
Visionquest – 20h20
Guy Gerber – 19h20
Shonky & Dan Ghenacia – 17h30
Vencedores Optimus Live Act – 17h00

Coreto do Optimus Alive
17h45 e 18h50 – Lindy Hop (aulas abertas de charleston e swing out com demonstração a pares e DJ)
19h55, 21h10 e 22h25 – Joe Brew and the Six-Pack Two 1ª (concertos)
00h10 – 49 Special + Cais Sodré Cabaret! (concerto + atuação – apresentação do Cais Sodré Cabaret)
01h20 e 03h00 – 49 Special + Cais Sodré Cabaret! (concertos + atuações)

15 de julho

Palco Optimus
Radiohead – 22h30
Caribou – 20h50
The Kooks – 19h35
PAUS – 18h30

Palco Heineken
Metronomy – 03h10
The Kills – 01h50
SBTRKT – 00h30
Mazzy Star – 21h30
The Maccabees – 20h20
Warpaint – 19h15
Miles Kane – 18h10
Eli ‘Paperboy’ Reed – 17h00

Palco Optimus Clubbing
Seth Troxler – 02h30
Moullinex + Xinobi – 01h10
Carbone Airways – 00h30
B Fachada – 21h00
Márcia – 19h40
Best Youth – 18h20
Laia – 17h00

Coreto do Optimus Alive
17h45 e 18h55 – Lindy Hop (aulas abertas de charleston e swing out com demonstração a pares e DJ)
20h00, 21h10 e 22h30 – The Soaked Lamb (concertos)
00h00 – Thee Chargers + Cais Sodré Cabaret! (concerto + atuação – apresentação do Cais Sodré Cabaret)
01h20 e 02h50 – Thee Chargers + Cais Sodré Cabaret! (concertos + atuações).

Foto: MyWay

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