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Nobel da Literatura entregue a Mo Yan em 2012

Com apenas uma obra traduzida para português, o escritor chinês Mo Yan foi o escolhido para a atribuição do Nobel da Literatura. 

Os romances de Mo Yan, o escritor chinês galardoado no dia de ontem com o Prémio Nobel da Literatura, estão enraizados na China rural, onde nasceu, mas revelam também influências do “realismo mágico” e outras correntes ocidentais, dizem críticos e tradutores.

Os primeiros comentários à obra de Mo Yan denotam um alargado consenso sobre o seu valor literário mas, também, fundas reservas sobre a sua atitude de cumplicidade para com a ditadura de Pequim. Ao atribuir-lhe o Nobel, a academia sueca acabou por poupar às autoridades chinesas um embaraço anunciado.

Em declarações ao jornal Público, Ai Weiwei, um artista plástico chinês impedido de sair da China, considerou a atribuição do Nobel a Mo Yan, no mínimo, “insensível”. “Como separar um escritor de ser também um intelectual moderno, que respeite os valores universais de direitos humanos e liberdade de pensamento e expressão?” Estas “são qualidades inevitáveis de um bom escritor”, diz Ai Weiwei. Para concluir com duas palavras sobre o Nobel da Literatura de 2012: “Lamento muito.”

Peito Grande, Ancas Largas é a única obra traduzida para português, publicada em 2007 pela Ulisseia, e trata-se de um romance que percorre e retrata a China do último século através da vida de uma família em que os seres verdadeiramente determinados são as mulheres.

Mo Yan (pseudónimo literário de Guan Moye) nasceu na província de Shandong, leste da China, “no seio de uma família pobre” e “foi forçado a abandonar a escola primária durante a Revolução Cultural (1966-76)”, diz o Dicionário Biográfico de Modernos Escritores Chineses, publicado na década de 1990.

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Se o Jornalismo não se pode considerar uma ciência temos certamente de olhá-lo como uma arte. A arte de saber contar estórias e marcar a história. Estudante de Jornalismo (ESCS-IPL)

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