Cinema

“A Última Vez que vi Macau” – da realidade urbana à ficção

1350298167macauultimavez“A Última Vez que Vi Macau” foi o filme de abertura do Festival DocLisboa 2012. A película conta-nos a história de Guerra da Mata que regressa a Macau a pedido da sua amiga Candy que está em apuros. Um tom documental da já pouca presença portuguesa na Las Vegas do Oriente e um enredo intrigante.

A própria génese do documentário foi algo estranha, segundo contou o próprio Guerra da Mata durante uma das sessões do filme no Cinema Londres. O que começou como um pequeno registo documental depressa se transformou naquilo em que resultou.

A presença portuguesa é mostrada através dos passos de Guerra da Mata na cidade que o viu crescer e à qual nunca tinha regressado. Perdidos no meio de uma selva urbana, restam poucos sinais daquilo que Portugal deu a Macau.

Candy serve de elo de ligação entre o documentário e a ficção e torna-se o pretexto para contar uma história paralela envolta em mistérios e factos pouco claros. Aqui surge uma das principais fragilidades da fita. O roteiro poderia ter sido explorado de uma forma diferente dando mais oportunidade às personagens de mostrarem as suas histórias. Este distanciamento sente-se também ao não ser filmado nenhum rosto durante todo o filme.

A pouca presença portuguesa é abordada na mesma medida em que a gigante e luxuriante cultura asiática a domina. Resta muito pouco de Portugal em Macau e esse pouco que resta está ofuscado pelos gigantes edifício que fazem de Macau aquilo que hoje ele é.

“A Última Vez que vi Macau”, realizado por João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata e já conquistou o Prémio da Crítica para uma longa-metragem estrangeira no Festival Internacional de Cinema de Valdivia (Chile) e uma Menção Honrosa do Júri da Competição Internacional do Festival de Locarno.

Fique com o trailer:

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Estudante de Farmácia, amante das ciências e das artes. Gosto particular por entretenimento em diversas áreas: televisão, cinema, teatro, música.

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