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90 anos de José Saramago trazem “desassossego” a Lisboa

Às sucessivas iniciativas que se têm tomado em Nova Iorque, para celebrar a carreira do único Nobel da Literatura português, junta-se agora o “Dia do Desassossego”, em Lisboa, a 16 de Novembro.

Celembram-se os 90 anos desde o nascimento de José Saramago mas, e sobretudo, toda a carreira, obras e personagens que o autor nos deixou.

A Casa dos Bicos, em Lisboa, onde está sediada a Fundação José Saramago, será o palco das celebrações, tornando-se no dia 16 de Novembro uma tela onde poderemos contemplar algumas das personagens de “Memorial do Convento”, consagrando os 30 anos da sua edição.

O objectivo, informou Pilar del Río, companheira de vida do autor, é tornar a Casa dos Bicos “numa imensa pintura, num espaço de música e da palavra” de modo que “as pessoas que passam na rua possam olhar e, por momentos, sorrir”.

Nesse mesmo dia, o grupo de teatro Éter vai recriar passagens do romance num espectáculo encenado por Vera Barbosa e Jorge Baptista da Silva. O Teatro Nacional de São Carlos (TNSC), também em Lisboa, abre as portas do ensaio geral (às 18h) do espectáculo a apresentar no dia seguinte (Requiem de Fauré e Sinfonia Fantástica de Berlioz) pela Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do TNSC.

A Editora Caminho junta-se ao “Dia do Desassossego” oferecendo aos seus clientes um desconto de 50% em todas as obras de José Saramago nos dias 16, 17 e 18 de Novembro.

Para manter viva a obra de Saramago e lembrar um pensamento que partilhou na apresentação do seu livro Caim – “Escrevo para desassossegar os meus leitores” -, a Fundação José Saramago declara o dia 16 de Novembro – data em que o escritor faria 90 anos, se fosse vivo – o Dia do Desassossego.

As pessoas serão convidadas, através do Facebook e outras redes sociais, a sair à rua com um livro de Saramago – O Ano da Morte de Ricardo Reis, cujo protagonista é o heterónimo de Pessoa, Ricardo Reis – e partilhar a sua leitura na rua, nos cafés ou transportes públicos. “Queremos unir esses dois grandes escritores, Saramago e Pessoa”, disse Pilar del Río, “e passear Saramago por Lisboa”. E lembrar a ligação afectiva que as pessoas têm aos livros de Saramago, acrescentou Ana Sousa Dias, assessora da Fundação José Saramago.

“É uma festa da cultura que não precisa de horário nem de ser declarada pela Igreja ou pelo Estado. O que queremos é desassossegar. Queremos levar a festa à rua”, disse Pilar del Río.

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Se o Jornalismo não se pode considerar uma ciência temos certamente de olhá-lo como uma arte. A arte de saber contar estórias e marcar a história. Estudante de Jornalismo (ESCS-IPL)

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