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2012: A Televisão em Revista – O futuro das audiências nas “mãos” da Gfk (março)

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Março foi o mês que marcou a estreia da nova empresa de medição audiométrica e com ela vieram muitos problemas, muitas dúvidas e, acima de tudo, muitas críticas.

Com as novas audiências iniciou-se uma guerra entre os vários canais generalistas. Se por um lado a RTP punha em causa a credibilidade da GFK, devido à queda acentuada que sofreu nos seus resultados, a SIC, por sua vez, deixava-se ficar no seu canto sem “levantar muitas ondas”. O canal privado chegou mesmo a ser referenciado como o principal beneficiado com a alteração da amostra utilizada para medir as audiências. Mas ficava uma pergunta no ar: será que a SIC havia sido beneficiada pela GFK ou não seriam os outros canais privilegiados com a anterior amostra? Qual afinal a mais fidedigna?

De facto, nem a própria GFK conseguiu ajudar a credibilizar os números que disponibilizava, uma vez que eram encontrados frequentemente erros, gralhas e omissões. O exemplo mais flagrante decorreu durante um jogo de futebol entre o Benfica e o Guimarães, emitido pela Sport TV. Segundo um estudo independente que a RTP havia encomendado, a GFK mediu durante 20 minutos do desafio, nada mais nada menos que, zero espectadores. Algo pouco credível para um clube que por norma lidera nas audiências televisivas.

Outro dos erros difíceis de explicar, encontrados também pelo estudo pedido pelo canal público, deviam-se ao facto de existirem casas que, estando registadas no painel de lares com audímetros como não dispondo de televisão por cabo, mostravam nos resultados da GFK, que os seus moradores estavam a ver canais apenas visíveis na televisão paga. Nunca as audiências foram tão colocadas em questão como durante este ano.

GFK

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Para além da SIC, os canais por cabo saíram a ganhar passando a liderar em televisão. Já a TVI conseguiu manter-se à frente da sua rival, mas sofreu uma ligeira quebra face ao sistema de medição anterior. Não se contentado com o sucedido desistiu de utilizar os resultados da GFK justificando a decisão com o facto do sistema constituir uma fonte de instabilidade porque, apesar de já se encontrar em vigor há um mês, continuava sem funcionar. A partir daí as intrigas recomeçaram novamente, vindo logo de seguida a RTP apoiar a decisão do canal privado.

Esta que meses mais tarde percebia a importância que a polémica com as audiências traria a uma possível privatização do canal público. Na altura, o presidente da RTP, Guilherme Costa, afirmava que nenhum concorrente sério haveria de querer entrar numa indústria em que não soubesse como o pilar dos seus proveitos era medido. Concluía que «de um painel não representativo não era possível extrapolar para a população. Os resultados do atual sistema de medição de audiências não são credíveis e o sistema não serve».  Ao mesmo tempo, António Salvador, o presidente da GFK, admitia que a RTP estava a agir “como um menino mal comportado”.

Num sentido figurado podíamos até ser levados para o Parlamento, com os três canais a desempenhar o papel de partidos políticos que defendem vários ideais, tentando jogar sempre a favor dos seus, e a GFK como Governo, que faz o seu trabalho, bem ou mal, sujeitando-se às críticas dentro e fora das quatro paredes.

RTP-SIC-TVI

As audiências têm assumido uma importância cada vez maior em televisão e, com o atual panorama de crise que atravessamos, são um fator vital para a sobrevivência dos canais. Mas será que quantidade significa necessariamente qualidade? No plano em que nos colocamos agora essa máxima já nem se aplica. Para os “grandes senhores” o importante é o lucro, se a qualidade tiver espaço para se mostrar melhor ainda, se não, o lucro está lá.

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