Música

Ricardo Oliveira: “Sou um baladeiro” (entrevista)

Ricardo Oliveira dá voz aos grandes clássicos portugueses em “O Vento Mudou”. O novo álbum já está à venda e promete trazer novas dimensões e sentimentos a algumas das mais conhecidas canções da nossa história. Conheça o percurso do cantor, o impacto da televisão e o concretizar do sonho.

Como foi a tua primeira experiência/contacto com o mundo da música?

Eu comecei com 8 anos, na banda do meu pai, e comecei por tocar vários instrumentos. Fui autodidata, nunca tive ninguém que me ensinasse. Foi uma coisa natural. Comecei por tocar qualquer instrumento. À medida que fiquei mais velho evoluí em alguns instrumentos, nomeadamente na voz e no piano. Fiz vários trabalhos sozinho aos 14 e 15 anos, tanto em bares como em casamentos.

Desde quando soubeste que a música seria a tua vida?

Quando tinha os meus dez aninhos encarava a música como um hobby. O meu pai dizia que eu tinha de estudar e que, se não estudasse, não me dava teclados, nem me deixava tocar. À medida que fui ficando mais velho fui percebendo que este era o meu caminho. Tenho vindo cada vez mais a constatar que sim. A partir dos meus 15 anos meti na minha cabeça que o meu objectivo era ser alguém na música.

A tua participação no Ídolos foi um primeiro passo em direção ao sonho…

Foi, mas nunca acreditei muito nos programas de televisão, sou sincero. Participei no Ídolos pela experiência, para perceber exatamente o que é que aquilo me podia dar. Passei  por coisas interessantes no programa que provavelmente nunca voltarei a passar na minha vida. Mas não foi com aquele intuito de querer gravar e querer ser alguém na música. Quando depois fui para “A Voz de Portugal” já tinha um pensamento completamente diferente…

O que mudou nessa nova etapa de “A Voz de Portugal”?

Já fui com o pensamento de poder ganhar o programa e assinar um contrato com uma discográfica. A segunda coisa aconteceu, mas a primeira não, embora não tivesse problemas com isso. Consegui o mesmo prémio que o primeiro classificado.

Estavas à espera de ter sido abordado pela editora, apesar de não teres sido o vencedor do programa?

Sou sincero, não estava à espera de nada. Eu vi os meus amigos e fãs a chorar  por eu ter ficado em segundo lugar, e eu só dizia: “Epá não chorem, não morreu ninguém. Não ganhei, mas qual é o mal? Podem sempre haver outras oportunidades na vida”. As coisas curiosamente aconteceram passado 5 minutos depois de eu ter dito isto (risos). Foi estranho, mas aconteceu. Fizeram-me a proposta diretamente em palco, mal acabou o programa. Quando me falaram em gravar o álbum, não me consegui conter, bem me esforcei, mas já não deu (risos). Começaram a cair-me as lágrimas.

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Com “O Vento Mudou” recrias alguns dos maiores clássicos portugueses. O que é que te levou a assumir esta direção para o trabalho?

Foi a Universal que me fez a proposta. Aceitei logo sem contrapartidas, e disse que podiam contar comigo. Além de ser uma das maiores editoras, tenho assim a oportunidade de cantar grandes clássicos da música portuguesa. É uma responsabilidade enorme, cantar músicas de grandes cantores como Paulo de Carvalho, Simone de Oliveira, Fernando Tordo… pessoas com vozes muito vincadas e características. O caso de Carlos do Carmo, por exemplo. Dizem que não canta, mas que dita e conta um texto, uma história.

É um grande desafio?

Sim é um desafio, e por outro lado tenho o prazer de cantar essas músicas, muitas delas que marcaram a minha infância. Já na banda do meu pa tocavam músicas de Paulo de Carvalho. Eu sempre quis ser como o Paulo, o Rui Veloso, algumas das minhas influências.

Tens algumas canções do álbum que gostes mais de interpretar?

Não, por acaso não. O álbum para mim é como um filho. Posso dizer que sou um baladeiro, gosto de baladas. Mas não tenho preferidas, gosto de todas as músicas do álbum.

O teu “vento (já) mudou”, há mais mudanças no horizonte?

Sim, o título foi a pensar nisso. Espero realmente que o vento tenha mudado, e também trabalho por isso. Há uma coisa muito importante que às vezes as pessoas se esquecem: sem os portugueses a apoiarem, eu nunca iria a lado nenhum. Acho que o mais importante é continuar a trabalhar e dar o meu melhor. Este projecto já não está nas minhas mãos, está nas mãos dos portugueses. Espero que gostem, que me ajudem a realizar o meu sonho, que é ser alguém na música. Não quero ser mais ninguém, quero ser o Ricardo Oliveira e chegar lá acima, como outros nomes.

Achas que ainda é possível viver da música?

Eu acho que não há impossíveis na vida. Vou trabalhar para que isso aconteça.


Veja o vídeo de “O Vento Mudou”

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