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“Folhas e não Credos” no Teatro Rápido (entrevista ao encenador e ator)

O Teatro Rápido estreou na passada quinta feira mais um espetáculo da sua nova temporada. “Folhas e Não Credos” é o título da peça encenada e da autoria de Miguel Ponte cuja interpretação divide com Ricardo Tavares.

O espetáculo promete trazer uma abordagem diferente e jovem à bíblia tendo apenas 15 minutos de duração, seguindo o conceito de microteatro ao qual já nos habituou o Teatro Rápido.

“Folhas e Não Credos”, que tem um preço único de 3€, estará em cena durante todo o mês de março de quinta a segunda com sessões nos seguintes horários: 18h00, 18h30, 19h00, 19h30 e 20h00.

O Propagandista Social esteve à conversa com Miguel Ponte sobre este projeto. Leia aqui a entrevista:

cartaz20Propagandista Social: Como surgiu a ideia e o projeto de criação de “Folhas e não Credos”?

Miguel Ponte: A ideia nasceu quando descobri o Teatro Rápido. O conceito atraiu-me bastante e pareceu-me uma boa oportunidade para testar as minhas capacidades a vários níveis. Já tinha enviado uma outra candidatura, mas em Março, mês subordinado ao tema “Em nome do Pai”, tentei de novo. Aliando os meus conhecimentos da Bíblia com algum humor e situações caricatas que vão surgindo, escrevi “Folhas e não Credos”. Convidei um amigo meu para a interpretação, o Ricardo Tavares, que alinhou nesta aventura, bem como tantas outras pessoas que nos apoiaram como por exemplo o Ricardo Pouca-Roupa (grafismo) David Candeias (fotografia), Elodie Viegas (ilustrações) e Marcantonio del Carlo, que nos apoiou na encenação.

PS: Quais os maiores desafios que enfrentou durante o processo criativo?

MP: Um dos principais obstáculos durante a escrita da peça foi sem dúvida a falta de tempo que podia dispensar para a mesma. Como estudante, o meu foco estava na época de exames que me absorvia muito tempo. Durante a criação do espectáculo em si, a encenação e interpretação foi sendo cada vez mais discutida e partilhada entre mim e o Ricardo, sendo que o Marcantonio nos ajudou a identificar alguns problemas que nos eram difíceis de perceber por estarmos dentro da cena. Sendo uma peça extremamente técnica e rápida, com muitas marcações, exigiu também uma grande dose de disciplina e de criatividade para resolvermos várias questões que foram surgindo na edificação da mesma.

PS:  O que o público pode esperar desta peça?

MP:  O que o publico não pode esperar é uma peça religiosa. Partindo da premissa de que a Bíblia é, acima de tudo, uma obra literária, retirámos de cima o peso dos dogmas, credos e religiões. Assim, convidamos o público a percorrer connosco a Bíblia de ponta a ponta, em 15min, caricaturando pontos chave da sua história, como a criação do mundo, a gravidez de Maria e a condenação de Jesus. É uma micro-viagem alucinante em que dois actores apenas correm um rol de de personagens bíblicas num cenário tão simples que se transforma em tudo, mas mesmo tudo.

PS:  Acredita que o conceito de microteatro é uma resposta do setor cultural ao contexto de crise que atravessamos?

MP:  Penso que quem gosta de teatro paga 3 ou 10 euros para ver uma peça. Mais do que a crise financeira, penso que o conceito de micro-teatro é uma resposta à crise cultural que existe. Espectáculos rápidos, histórias curtas e cenários inesperados são a receita que faz com que o público volte ao TR. O preços apelativos ajudam, bem como a localização (plena baixa-chiado) e os horários (final da tarde, perfeito para acabar um dia de passeio). Tudo isto são motivos para que o microteatro se vá instalando firmemente na vida cultural lisboeta.

Facebook Oficial: http://www.facebook.com/folhasenaocredos

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Estudante de Farmácia, amante das ciências e das artes. Gosto particular por entretenimento em diversas áreas: televisão, cinema, teatro, música.

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