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Mia Couto é o vencedor do Prémio Camões

O escritor moçambicano Mia Couto foi distinguido com o mais alto prémio literário existente na literatura portuguesa. Mia Couto torna-se assim o 25º vencedor e o 2º moçambicano galardoado, depois de José Craveirinha em 1991.

O anúncio foi feito esta noite, no Rio de Janeiro, local onde se reuniu o júri, pela Secretaria de Estado da Cultura, em informação à Lusa. O júri integrou os escritores José Eduardo Agualusa e João Paulo Borges Coelho, o jornalista José Carlos Vasconcelos, a catedrática Clara Crabbé Rocha, o crítico Alcir Pécora e o embaixador e membro da Academia Brasileira de Letras Alberto da Costa e Silva.

A reunião decorreu no Palácio Gustavo Capanema, sede do Centro Internacional do Livro, Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

Mia Couto, escritor e biólogo, foi considerado o vencedor do prémio devido à «vasta obra ficcional caracterizada pela inovação estilística e a profunda humanidade», segundo caracteriza um dos elementos do júri. Reconhecido pela sua grande capacidade de passar o discurso oral para a escrita, bem como pela grande dinamização que consegue atribuir na sua criação de palavras, que exemplificam o contexto coloquial da sua escrita. Tendo começado a escrever desde há 30 anos, com a edição do seu primeiro livro, de poesia, “Raiz de Orvalho”. Actualmente, a sua escrita está traduzida em mais de 20 línguas e já conta com 30 livros publicados.

Também em declaração à Lusa, Mia Couto disse-se «surpreendido e muito feliz» por ter sido distinguido com o 25º. Prémio Camões, num dia que, revelou, não lhe estava a correr de feição. «Recebi a notícia há meia hora, num telefonema que me fizeram do Brasil. Logo hoje, que é um daqueles dias em que a gente pensa: vou jantar, vou deitar-me e quero me apagar do mundo. De repente, apareceu esta chamada telefónica e, obviamente, fiquei muito feliz», comentou o escritor, sem adiantar as razões.

O Prémio Camões foi criado em 1988 por Portugal e pelo Brasil para distinguir um autor de língua portuguesa que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum.

Em 2012 foi atribuído ao escritor brasileiro Dalton Trevisan e no ano anterior ao escritor português Manuel António Pina.

Ferreira Gullar (2010), Arménio Vieira (2009), António Lobo Antunes (2007), Sophia de Mello Breyner Andresen (1999), Pepetela (1997), José Saramago (1995) e Jorge Amado (1994) também já foram distinguidos com o Prémio Camões que, na primeira edição, reconheceu a obra de Miguel Torga.

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