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Entrevista Linda Martini: “Depois de tentarmos cantar em português, já não conseguimos voltar atrás”

Com um novo álbum lançado no início desta semana, os Linda Martini estiveram à conversa com o Propagandista Social e falaram de Turbo Lento, da evolução da banda e da sua música, do estado da cultura em Portugal e dos desafios da indústria musical.

Os Linda Martini surgiram depois dos elementos da banda terem andado na estrada com projectos musicais que enveredavam por uma vertente mais marcada pelo hardcore e pelo punk. De que modo julgam estarem presentes estes géneros musicais na vossa sonoridade?

Estão presentes, essencialmente, na ética de trabalho e nas razões de fundo que nos movem a fazer música juntos. Música feita por nós, para nós, em primeira instância, e cujo posicionamento é controlado por nós.

O vosso disco anterior entrou directamente para o 4º lugar do top nacional de vendas. Quais são as expectativas em relação a este álbum (Turbo Lento)?

Não temos. Nunca tivemos, e talvez tenha sido esse o segredo de uma certa longevidade. Assim fica complicado desiludirmo-nos. Aplica-te no que fazes com integridade e depois espera pelo que te derem em troca.

Falem-nos um pouco sobre Turbo Lento. Como o definem?

É turbo e é lento. E compô-lo foi, por vezes, turbulento. É um disco que tem bastantes momentos mais rock e punk, mas que também tem paisagens sonoras e partes mais contemplativas.

Como vêem a evolução da banda ao longo dos últimos anos? Quais as principais diferenças?

Nunca houve uma mudança significativa. Houve uma evolução ao ritmo do reconhecimento que a banda foi ganhando. Uma evolução e crescimento graduais, sustentados. A principal diferença, talvez seja mesmo o facto do Sérgio ter deixado de estar connosco em 2008/2009.

Nunca pensaram em cantar em inglês?

Ainda o experimentámos nas primeiras gravações de garagem. Mas depois de tentarmos cantar em português, já não conseguimos voltar atrás.

Como é que a banda interage nos minutos anteriores a entrarem em palco? Ainda ficam nervosos?

Os momentos anteriores à entrada em palco são, regra geral, bastante carinhosos. Gostamos muito de fazer isto juntos e, por isso, ficamos mais lamechas nessa altura.

O que podemos esperar dos Linda Martini depois do lançamento de Turbo Lento?

Se tudo correr bem, muitos concertos!

A maioria dos artistas portugueses sente-se desvalorizado devido ao desinvestimento de que a Cultura tem sido alvo no nosso país após sucessivos Governos, que têm feito cortes atrás de cortes nesta área. Também se sentem desvalorizados?

Claro que todos sentimos isso. No nosso caso acontece mais no que a auditórios diz respeito. Mas a verdade é que a música pop/rock sempre foi o parente pobre da cultura. Talvez por ter tido sempre mais capacidade de se auto-sustentar. A grande maioria dos apoios da DGArtes e afins vai, quase sempre, para a dança, o teatro, o cinema e a música clássica. Nós, os do pop/rock, estamos sempre no fim da cadeia. Mas isso não foi necessariamente mau. Aprendes a fazer as coisas sozinho.

Como encaram a questão dos downloads ilegais? Acreditam que podem ditar o fim da indústria musical como a conhecemos?

Cada um deve pensar que quando está a fazer um download ilegal pode estar a contribuir para que a banda de que gosta não tenha dinheiro suficiente para gravar o próximo disco, ou que isso contribua para um desinvestimento da sua editora. Tendo esta premissa, cada qual deve agir de acordo com a sua consciência.

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Jornalista Estagiária numa publicação mensal e amante de Cinema e da Cultura nacionais

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